Ásia Central

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Re: Ásia Central

Mensagem  Alexyus em Ter 21 Abr 2015 - 20:08

As discussões de Oleg e Yuri não incomodavam Alaín, que se mantinha concentrado na geografia bizarra daquele refúgio profano. Aproveitando a grande coluna de pedra, eles conseguiram um local de onde espiar, e Alaín aguçou sua visão o máximo que pôde.

"Uma espécie de ritual de sacrifício... Parecem em transe... Vão matar o menorzinho, que está apavorado. Sinto muito, parceiro, mas tentar te salvar não é uma opção viável... O abismo de gelo eterno! seria essa a armadilha que eu procurava? Bem, melhor achá-la assim que de outro jeito. Vamos achar um jeito de passar por eles."

Os outros também achavam que deviam passar adiante. Enquanto Oleg usava seus dons avançados para espionar o campo de batalha, Alaín tentava não ranger muito os dentes ao escutar os berros do espiral que caía no abismo. Isso não era um bom auspício. Mas Oleg voltou com informações e Alaín prestou detida atenção na descrição do campo de batalha e na estratégia que traçavam.

"O primeiro a ficar pra trás! Mas é claro que sou o menos guerreiro do grupo, então tenho que me virar com o primeiro sentinela. Tomara que eu consiga pegá-lo de surpresa..."

Avançando cautelosamente, tentando ignorar o quanto aquele lugar era fedido, Alaín foi na frente dos outros, já que faria o primeiro ataque. Já assumia a sua forma crinos, preparado para um embate letal.

Ao encontrar o crinos de guarda, ele avançou mais rápido, tentando não pensar no que aqueles corpos femininos faziam ali. Pelo canto do olho, viu os outros passarem pela entrada. Usou toda a sua fúria para agir na velocidade do relâmpago, saltando sobre o inimigo lento, lançando uma mão sobre o peito dele e outra sobre o queixo para expor-lhe a garganta enquanto enterrava as presas no pescoço, arrancando nacos de carne e cuspindo-os continuamente até que o inimigo não se mexesse mais. Com sorte, ele não gritaria antes de morrer.


OFF: Alaín usa 1 ponto de Vontade para acerto automático e toda a Fúria que tiver para ações extras.
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Re: Ásia Central

Mensagem  Midnight em Qua 22 Abr 2015 - 2:35

Há uma coisa digna de nota: teoria e prática são duas coisas bem diferentes. Especialmente quando se está tão próximo do campo de batalha. Talvez não fosse por acaso que eu não liderasse o grupo, talvez andar de mansinho fosse o melhor a se fazer ali realmente. Eu não teria dado a mínima para isso não fosse meu dever para com a Litania. Chegue rápido e bata antes que possam gritar. Se você bater com a força suficiente terá sido tão furtivo quando qualquer lupino espreitando por meia hora antes de dar o bote. Obviamente, fazendo o serviço mais rápido, e sem dúvida, com mais estilo. Acabei por ficar calado diante dos comentários de Oleg, não era hora de perder o foco.

A despeito de minhas impressões  não muito sensatas de como invadir uma caverna mortalmente perigosa e parcialmente desconhecida, as coisas seguiram tranquilas sob as instruções daqueles que, diferentemente de mim, conseguiam conservar mais sangue no cérebro do que nos músculos numa ocasião como aquela. Ver o desfile macabro dos Dançarinos da Espiral Negra me fez ter vontade de destroçar todos os bastardos em uma ataque repentino, um rosnado inconsciente perdurou por alguns instantes vindo de minha garganta, deixando minhas presas, agora tão letais quanto qualquer Klaive, bem visíveis. O que me consolou, e de certa forma me conteve, foi um vislumbre do destino que aguardava por um dos bastardos. Minha dose de piedade havia se esgotado com Viktor, tudo o que esperava era que aquela criatura desfrutasse de uma morte tão horrorosa quanto o que quer que tenha causado de mau em sua vida miserável.



Acompanhei a movimentação do grupo após ser decidido que iríamos atrás do líder do Poço, no final das contas estávamos seguindo com o plano que tínhamos imaginado anteriormente, o que não tornava a ideia da retirada estratégica mais atraentes. Não retruquei, ainda assim, talvez fazer um bom serviço quando a hora chegasse me rendesse algum crédito para falar, até lá, era melhor permanecer calado. Foi isso que fiz, tomando minha posição de bom grado após analisar meu papel no ataque:
"Se conseguirmos ser efetivos o suficiente, talvez fique claro que podemos limpar o Caern definitivamente. Preciso fazer minha parte muito bem para que isso seja possível... Isso vai ser ótimo." Pensei quase me divertindo ao prosseguir na direção do combate.



A visão da orgia bizarra me enoja quase tanto quanto surpreende. Mas minha surpresa não detinha minhas garra, que seguiam em frente para fazer seu trabalho. Eu não fazia ideia de quem era quem no meio daquela cena libidinosa, mas conseguia identificar as mulheres, era tudo o que eu precisava - estando elas nas formas humanas, eu só precisaria ser minimamente preciso para acabar com a vida das miseráveis. Uma explosão de Fúria toma conta de mim quando me precipito para a ofensiva, as lembranças de todos os relatos que havia recebido sobre as atrocidades cometidas, a visão do vilarejo arrasado, o cheiro podre que aquele lugar sagrado agora emanava... Tudo me levou a uma série de cinco ataques
[Ação Padrão + 4 Pontos de Fúria] tão rápidos quanto eu poderia imaginar serem possíveis. Pretendia distribuir os ataques de modo que dois fossem destinados a cada mulher, sendo estes com as garras. Caso uma das duas sobrevivesse a primeira onde de ataques, o quinto golpe seria desferido nela. Agora, caso os quatro primeiros golpes fossem suficientes para abaterem ambas as mulheres, o quinto ataque seria uma mordida almejando o pescoço do lobo [1 Ponto de Força de Vontade]. Qualquer ataque que eventualmente me sobrasse seria destinado ao mesmo alvo final.
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Re: Ásia Central

Mensagem  Daniel Ramone em Qua 22 Abr 2015 - 12:13

Durante a corrida, não parei de pensar sobre o que fazer a respeito de Mephi. Será que eu deveria comentar com os outros?

Era noite de lua cheia, o que favorecia os Ahroun, então nada de me arriscar em uma luta contra Mephi, pelo menos por enquanto.

"Ainda posso esperar que ele venha a se ferir em batalha, e pegá-lo em seu pior momento, como a hiena que se aproveita das sobras dos leões." Eu raciocinava.

Observei a guerra, pensando em como começar a agir. Joe parecia estar seguro ao lado de Afanasy, e era somente isso que me interessava. Sem olhar para Davor, tento usar sobre ele o dom Sugestão do Invisível, dizendo "Vincenzo e Mephi podem ser garous corruptos disfarçados para enganá-los, teste-os, Mislav irá agradecê-lo."

Após fazer isso, uso sobre mim o dom Mente Alerta.

off: Tô podendo acompanhar tudo pelo celular, mas realmente só estou podendo postar nas minhas folgas de quarta. Pode ir adiantando para os outros, e se precisar, use meu personagem como NPC, não quero atrapalhar vocês.


- Vincenzo

- Gaspard

- Miranda

Ação
Fala
Off
Pensamento
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Re: Ásia Central

Mensagem  Veu Cinza em Sex 24 Abr 2015 - 9:43

Joe olha para Ahmed e rosna dizendo :


Vao logo eu alcanco voces.

E se vira para Anton abocanha o colara delas pondo entre os dentes indo para Crinos segurando-o e rosna para o presas :


Inimigos a direita prepare-se

Joe se prepara para um ataque rapido com a sua garra direita ao alcance de toque, ja que em combate nao fara nenhum ritual com exito , ele nao se superestima e um ataque rapido o ajudara muito a nao ser que Anton de cabo destes ai sim Joe executara mais rapido o possivel o ritual, usando um ponto de FDV para ser mais conclusivo , pois a vida de marina depende deste ritual da pedra cacadora
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Re: Ásia Central

Mensagem  Lua em Sab 25 Abr 2015 - 0:38

ALAÍN E YURI - EPÍLOGO:
Alaín mobilizou sua fúria e saltou sobre o inimigo lançando uma mão sobre o peito dele e outra sobre o queixo para expor-lhe a garganta enquanto enterrava as presas no pescoço.

Rolagem:
Lua rolou 7d10 para Alain morder e obteve 7 6 7 7 3 9 8
O Jogador obteve 6 sucesso(s)
Dado especializaçao: 0 Dificuldade: 5

O espiral se remexeu e por um triz nao consegue evitar a mordida de Alaín. Mas Alaín conseguiu. O ataque de tal intensidade que estourou artérias e veias do pescoço do monstro, que caiu morto imediatamente sobre uma poça enorme de sangue.

A fúria ainda estava no corpo do filodox e ele sentiu que podia mais. (Off. você ainda tem 1 ponto de fúria).

***

Iniciativa:

Espiral (lobo): 1 + 7 = 8
Oleg: 10 + 9 = 19
Yuri: 6 + 7 = 13
Espiral morena: 4 + 7 = 11
Espiral negra: 2 + 9 = 11
Oleg, Yuri, Espiral negra, Espiral morena, Lobo

Oleg e Yuri haviam surpreendido o lobo avermelhado e outras duas espirais em uma orgia bizarra. Oleg ativara o dom “Nas Garras do Falcao” e engalfinhara-se com o lobo, dominando-o, enquanto Yuri preparava-se para atacar as duas espirais na forma hominídea.  

O lobo era muito forte e, a princípio resistira bravamente. Mas agora, embora a pressao feita por Oleg quase nao tenha lhe causado dano, o espiral estranhamente nao revidava.

A mesmo tempo, Yuri partiu para cima das mulheres, sem escolher nenhuma em particular. Em sua alma, todas as lembranças, relatos, visoes e odores daquele lugar, outrora sagrado e agora reduzido a um inferno, juntaram-se e precipitaram uma explosao de fúria.

Seu ódio foi dirigido primeiramente à negra de braços anelantes. Em meio ao seu transe de luxúria, ela farejou Yuri  e confundiu-o com uma criatura corrompida. Esticou seus braços e tentou tocar seu rosto, convidando-o ao repugnante ato. O asco provocado levou Yuri ao ataque com garras.

Rolagem:
Lua rolou 10d10 para Yuri ataque com garras e obteve 3 7 10 7 2 7 10 3 4 10
Dado especializaçao: 0.  O Jogador obteve 6 sucesso(s)
Dificuldade: 6

A mulher mal conseguiu mover-se. As garras de Yuri deslizaram de cima a baixo e em diagonal pelo corpo dela, rasgando sua pele e músculos com enorme facilidade. Usar a expressao “fatiar” nao seria exagero. A mulher tombou sobre si mesma e uma enorme poça de sangue formou-se abaixo dela.

Entao, de repente, tudo ficou escuro.

Enquanto Yuri matava a espiral negra, a morena ativara o dom Mortalha e estava oculta nas sombras que se espalhavam 15 metros ao redor deles.

O espiral que lutava com Oleg pareceu acordar e, louco de raiva, passou a crinos. Entao aplicou o dom A Dor de Milhares de Abraços, ferindo o galliard gravemente.

Sem ver nada, Yuri pensou que Oleg havia ficado louco. Primeiro ouviu urros de dor. Depois Oleg começou a cantar baixinho. Entoava uma antiga cançao russa que dizia: “saia da sombras, querida, volte para mim, meu amor”. Na verdade o galliard ferido reunira sua fúra para ativar o dom Som da Sereia.

Cantar ferido e, ao mesmo tempo dominar um oponente nao é uma tarefa fácil, porém.  Oleg teve um êxito mínimo. Foi suficiente, no entanto. As sombras desapareceram e Yuri viu que a espiral morena caminhava confusa em direçao a eles. Yuri nao perdeu tempo e atacou-a.

Rolagem:
Lua rolou 10d10 para Yuri ataque com garras e obteve 5 1 6 2 10 6 9 4 10 2
O Jogador obteve 4 sucesso(s)
Especialização: 0.  Dificuldade: 6

A mulher  mal se defendeu. Com um único golpe, Yuri rasgou seu pescoço, fazendo o sangue jorrar copiosamente. O ahroun  nao perdeu um segundo vendo estrago. Só atacou-a porque estava no caminho, seu objetivo era o espiral que a duras penas Oleg continha.

Oleg segurava-o de mal jeito. O braço que antes dava a chave no pescoço perdera a força e agora Oleg mantinha o espiral agarrado como um grande cachorro fujao,  pelo peito e pela barriga. O espiral tinha a cabeça livre e a qualquer momento podia mordê-lo.

Yuri atacou-o com uma mordida violenta no pescoço.

Rolagem:
rolou 10d10 para Yuri mordida e obteve 3 8 6 4 7 9 1 9 8 3
O Jogador obteve 6 sucesso(s)
Explosão de 10: 0 Dificuldade: 5

Foi uma açao perfeita. A força do ataque deixou a cabeça do espiral presa ao corpo somente por esfarelados ossos da coluna e pele.

***

Enquanto este combate ocorria, Lorcan havia abatido o casal de espirais sadomasoquistas e rapidamente cruzara o salao, sem nem ao menos ser visto pelos garous concentrados na luta. Yuri e Oleg estavam se saindo bem, e a preocupaçao de Lorcan era conter a procissao.

Correu para a entrada do salao e lá encontrou Alaín, que já havia dado cabo do espiral impuro.  Nao houve tempo para felicitá-lo, o cortejo se aproximava do salao.

Lorcan aplicou dividir.

Teve enorme êxito e os espirais começaram a discutir e a brigar entre si para decidir como atacar os garous e, em poucos minutos já estavam lutando entre si. Os dois filodox assistiram uma briga que por nada desse mundo queriam apartar.

Quando muito sangue havia corrido e os ânimos começavam a esfriar os dois se puseram a abater, sem dificuldade, os espirais que ainda tinham vida.

Ao acabar voltaram correndo ao salao.

Os dançarinos já estavam vencidos, Oleg e Yuri também triunfaram.

O grupo nao teve nenhuma baixa. Restava saber como se saíram os outros. Mas agora nao era hora de pensar. Deixaram o salão e tomaram a direção que, ao fim, os levaria à saída.

Vincenzo - epílogo:
Vincenzo disfarçadamente lança o dom “Sugestao do Invisível” sobre Davor, transferindo um pensamento para a mente do filodox:

"Vincenzo e Mephi podem ser garous corruptos disfarçados para enganá-los, teste-os, Mislav irá agradecê-lo."

Em seguida, faz um esforço extra e ativa o dom “Mente Alerta”
Rolagem:

Vincenzo rolou 7 dados de 10 lados com dificuldade 5 para Ativar Dom e obteve: 3 6 6 1 9 5 2 
Vincenzo obteve 3 sucessos!

A manipulaçao teve muito êxito, mas saiu diferente do que o galliard imaginava.

Davor virou o corpo um pouco para a esquerda e passou o braço direito sobre as costas de Mephi, como se fosse dar um abraço. Mas, com um movimento rápido, prendeu o pescoço do peregrino na parte interior do seu braço direito dobrado, enquanto, com o outro braço, enlaçou o abdomem do outro, virando o corpo um pouco de lado. Entao pôs o corpo do opontente ligeiramente na diagonal e, puxando da barriga e do pescoço em sentidos contrários, destroncou o ahroun como uma galinha. Nao satisfeito, arrastou o corpo inerte do outro para longe da borda da rocha e arrancou sua cabeça como se fosse a de uma boneca.

Mislav e Anúbis se sentaram e viram a cena sem manifestar-se.

Quando terminou, Davor disse:

- Já estava cansado desse corrompido.

Entao dirigiu-se à Vincenzo ameaçador:

- Esse aí também deve estar podre…

- Nao, tranquilo. – disse Mislav. – Você nao crê que eu seria tao estúpido como para nao haver-lo testado, nao? Está limpo como água.

- Bom. – rosnou o gigante.

- Bem. – disse Mislav para Anúbis – Acho que Juiz Sangrento encerrou nossa conversa, favoravelmente para o seu lado, meu caro. Eu, por minha parte, gostaria de ver um pouco mais de seu processo se queda. Mas concordo com vocês: já era tempo.


- E continuaremos a ser quatro, se Vincenzo se unir à nossa matilha. Você aceitaria, Vincenzo?

A luta no vale já havia terminado, os garous haviam vencido e já tinham entrado todos na caverna. Mislav começou a descer pelo vale e os outros o acomparam.

Um dos dançarinos mortos havia revertido à sua forma hominídea, mas o outro, o que lutava com Anton, era impuro e se mantinha em crinos. Mislav se aproximou dele e, olhando para dentro da caverna, disse:

- Muito bem, papai-presa-de-prata! Vou atirar-lhe um biscoito.

Em seguida contornou o cadáver, inspecionando-o cuidadosamente, como se fosse um legista apaixonado pela profissao.  Observou as orelhas enormes e pálidas, em forma de asa de morcego. O nariz achatado e disforme, os dentes que se projetavam da boca e a musculutura desenvolvida.

- Nao sao fascinantes? – perguntou a Vincenzo. – Nao, nao me entenda mal. Eu nao gosto deles e nem estou no caminho da Wyrm. Todo o contrário. Mas nao posso deixar de admirá-los como, digamos, objetos de estudo. Como um patologista, que estude uma doença horrível sobre a qual sempre há mais e mais que aprender, ou aqueles cientistas que perseguem furacoes para estudá-los. Com a diferença que os furacoes vêm de Gaia.

“É uma excentricidade, mas eu penso que é o momento de estudarmos a Wyrm para destruí-la por dentro. Ahh.. o que eu nao daria para que os paspalhos lá dentro me deixassem um espiral theurge agonizante. Um monstro que, devidamente… hum… pressionado, nos desse uma informaçaozinha nova que fosse. Sobre a Wyrm, sobre Malfeas.

Mas bem, é só um pensamento. Nao sou tolo, sei que ainda sou jovem e pouco poderoso e isso aquí – apontou o dançarino morto – é tudo que eu posso observar no momento. E depois, temos um caern para reconquistar! Mas chegará o dia em que terei conhecimento e poder suficiente para destruir o Monstro de dentro a partir de suas entranhas.”


Anúbis pensava igual. Esse era o tema de suas conversas.


JOE - EPÍLOGO:
Joe escolheu o caminho da direita. Carregou o colar na boca e foi atrás de Anton.

- Inimigos à direita, prepare-se – rosnou ao presas de prata.

- Eu cuido deles, Joe. Encontre Marina.

Anton quase nao conseguia movimentar-se no gelo. Arriscou-se e passou a glabro para usar as botas-fetiche e esperou pelos espirais.

Joe caminhava pelo gelo com muita dificuldade. Deu uns passos para afastar-se da açao e empreendeu o ritual concentrando-se o mais que pode, o que, felizmente, nao era difícil para ele.  A pedra indicou a parede esquerda da caverna.

Enquanto isso, em desvantagem física, Anton usava fúria e força de vontade para combinar dons mentais que pudessem por os espirais para brigarem entre si.

Joe deu uns passos olhando a parede de cima a baixo, o que nao era fácil dada a escuridao do lugar. Toda a luz que tinha era a da entrada do caminho, o resto eram trevas. Começou a pensar que o rito havia falhado quando, uns dez metros adiante, viu algo mover-se. Ali estavam Marina e um homem, Kiril, escondidos em um nicho, que se nao fosse pelos seus movimentos chamando a atençao, ele jamais teria notado.

Kiril saltou e ajudou Marina a descer. Ele era pele e osso, ela estava horrivelmente ferida nas pernas.

Anton conseguiu seu intento e juntou-se a eles. Acendeu ao seu redor uma chama prateada e assim iluminou o caminho. Percorream uns 300 metros em uma longa e difícil caminhada, mas finalmente chegaram ao fim do lago congelado. Entao correram rumo à saída da caverna, ao ar frio e puro e à liberdade.


Off: novamente movi o post para o Ramone a fim de organizar as postagens.
Aqui termina a açao e fica aberto para vocês acrescentarem algo e interpretarem. Se nao houver tempo, nao há problema. O próximo post finaliza a história.


*Rodrigo*Alexey    *Mitzuki  


ação pensamento fala   /   narração diálogo

Esta é uma obra de ficção. A menos que você seja um lobisomem, qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
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Re: Ásia Central

Mensagem  Midnight em Seg 27 Abr 2015 - 1:46

Os braços anormalmente grandes aproximavam-se e aquilo mexeu comigo. Nada de hostilidade, era apenas um convite à perdição. Lembrei do último lobo da matilha corrompida que havia achado, ele pareceu reconhecer algo em mim também. Pareceu? Eu posso não sair bradando esse tipo de coisa ao léu, mas não posso mentir pra mim mesmo, eu sabia muito bem o que eles procuravam, sabia muito bem da ponta de fio solto que havia sido deixada em mim, e imaginei o quanto eles pensavam estar perto de poder puxá-la. Enquanto minha cabeça se perdia com pensamentos turvos, minhas garras trespassavam algo macio, sem a menor resistência. Foi uma morte digna do resto de criatura que aquela mulher um dia fora. Uma Impura, a julgar pelos braços, não apostava que fosse a minha garota, devia ter nascido na merda, e não mergulhado voluntariamente nela. O próximo ataque teria um sabor mais denso.

Foi tudo muito rápido, e isso contribuiu para que eu não houvesse entendido direito a cena. Enquanto me dava conta da troca de Dons entre Oleg e a Espiral morena seu corpo já caia e eu tomava impulso para diminuir o peso sob os braços do Galliard -verdade seja dita, também para agradecê-lo por ter tanto sangue frio- e eu não pretendia ser menos preciso do que acabara sendo. A forma Crinos do chefe do bando apenas deixou seu pescoço mais convidativo, e eu sabia muito bem do estrago que o Dom com o qual eu estava munido era capaz de fazer. Qualquer Dançarino da Espiral Negra que testemunhar minha mandíbula se abrindo naquelas condições pode se prepara para sentir na pele a devastação de duas fileiras de Klaives muito bem afiadas. Não rosnei, não reclamei pelo gosto podre do sangue, apenas apreciei a sinfonia produzida pelo devastar de ossos, carne e tudo mais que estivesse no caminho de minhas presas.

Um tiro, uma morte. É um princípio dos atiradores de elite, acho que eu poderia ganhar uma medalha por aqueles poucos segundos. Sabendo que isso não aconteceria, tratei de pegar meu próprio troféu: segurei o queixo do bastardo, desligando sua cabeça lentamente do restante do corpo sem trabalho algum enquanto dizia a Oleg tentando expressar um sorriso:
-O segredo...- Arranquei a cabeça e encarei os olhos derrotados por um instante e terminei: -É ir com tudo.- Um chute e o corpo inerte do maldito estava rolando. Não sei exatamente o por quê, mas a cabeça daquele miserável me pareceu algo apropriado para ter em mãos. Talvez alguém ficasse feliz em ver aquilo. Pensei em Grimfang, olhei para as gotas gordas de sangue que caiam no chão vindas de minha boca e presas e senti minha palavra ser concretizada. Eu estava escrevendo minha história - com sangue maldito.



A retirada começa. Eu não estava de acordo com aquilo. Na verdade, eu estava desapontado, esperava uma batalha épica, e tudo o que tive foi uma sessão de tiro ao alvo. Me perguntei se as coisas haviam sido mais emocionantes na outra frente de combate, eu havia cortado as tais "Cabeças da Hidra", mas não havia nada de glorioso na "luta" que eu tinha travado. Eu devia agradecer por termos pego os inimigos em um momento de fragilidade, estar feliz pela certeza de dever cumprido, comemorar a ausência de baixas... Eu faria tudo isso, depois que a raiva causada pela inutilidade daqueles bastardos passasse. No momento, eu estava frustrado por ter sido fácil demais, e puto por estar indo embora -me esquivando não sei de que diabos. Talvez precisassem de um pouco de músculos no outro fronte, e isso me conformou. Segui adiante, com a cabeça do líder do Poço em mãos, a Fúria no coração e a sede de sangue na alma.




-OFF
Spoiler:
Se entendi bem, esse será meu último post na crônica. Sei que o tempo é curto então, para todos os efeitos, Yuri será contra a retirada até o ponto onde lhe for possível -e talvez até mesmo um pouco além disso- sendo a favor da limpeza e posterior purificação do Caern.
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Re: Ásia Central

Mensagem  Veu Cinza em Ter 28 Abr 2015 - 20:41

Joe ira junto com Anton e os outros se juntyar com os emais e ira proteger Vicenzo caso seja necessario , ele nao deixara que tentem algo contra a vida de seu irmao de matilha e antes de partir explicara que tem de cumprir um acordo como Leslhy e assim o fgara retornando quando acabar o prazo dialogado com o elemental da floresta
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Re: Ásia Central

Mensagem  Alexyus em Ter 28 Abr 2015 - 21:11

O Espiral morreu às mãos de Alaín mais rápido do que merecia. A Fúria queimava como um fogo de vingança no peito do phillodox, mas depois dos gritos e da escuridão, Alaín percebeu que não havia mais inimigos no centro daquela colmeia.

Mas Lorcan veio ao encontro dele, e Alaín lembrou-se de que os espirais que realizaram o rito de sacrifício ainda estavam vivos. Ele correu junto com o mais velho ao encontro dos inimigos, mas a astúcia e as manhas de garous experientes sempre supreendiam o jovem phillodox.

A discusão e o embate entre os espirais foi cômico, e Alaín não Põde conter um sorriso enquanto observava os servos da Wyrm virando-se uns contra os outros.Não foi necessário esperar muito, pois logo restavam tão pocuso de pé e em estado tão lamentável que Alaín e Lorcan tiveram de se apressar para dar o golpe final antes que eles morressem com a próxima brisa.

Reunindo-se aos outros, Alaín preparou-se para procurar o outro grupo e deixar aquele lugar profano.

"Muitos rituais de purificação ainda serão necessários para restaurar esse caern, mas isso é coisa para theurges, e dos bons! Por ora, nós exterminamos os espirais negras que profanaram o caern e fizemos as pazes com os espíritos. Já é um grande passo inicial!"
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Re: Ásia Central

Mensagem  Lua em Ter 28 Abr 2015 - 23:10

FINAL



Ninguém sabe o que realmente aconteceu, nao sobraram mais testemunhas.

Se Vincenzo integrou-se à matilha de Mislav; se recusou-se a fazê-lo e o atacaram; se apenas se defendeu dos presas de prata; ou se,  no último momento, voltou-se contra Mislav e lutou ao lado dos presas, é desconhecido. A versao oficial é aquela que Vincenzo, como bom galliard, contar.

O que os garous viram ao sair da caverna foi um amontoado de corpos. Uma matilha completa de presas de prata estava morta, ao seu lado, jazia o corpo sem vida de Viktor. Os presas de prata concluíram que em seu caminho de volta ao caern ele se encontrou com uma matilha de guardiães e chamou-a para ajudar os garous, em vez de primeiro regressar a Lua Crescente. Era uma decisao sensata, o que o caern faria era justamente isso, destacar a matilha mais próxima.

Do outro lado as baixas também tinham sido completas. Entremeados aos cadáveres dos presas de prata estavam os do gigante Davor, o de Anúbis e o de Mislav. Mais tarde encontraram nas rochas acima do vale o corpo degolado de Mephi.

Vincenzo foi achado no meio daquela carnificina, inconsciente e muito ferido.

***

Os garous regressaram com os parentes resgatados à Lua Crescente. Os ancioes e o menestréu chamaram-nos imediatamente para uma audiência, aproveitando a lua minguante. Na próxima assembléia o relato de sua vitória seria contado e passaria a pertencer aos galliards. Entao aquela história atribulada e crua, com seus êxitos e decepçoes, líderes questionados e cliaths repreendidos, falhas vergonhosas e puros golpes de sorte, começaria a ser polida pela saliva dos bardos até transformar-se em uma bonita lenda.

Ahmed nao descuidou de seus deveres. Regressou sozinho para poder deter-se na aldeia dos parentes e sepultar o corpo de Christian Hernandez. E também levar notícias e algum alívio aos mortos sem descanso.

Alaín foi novamente convidado por Andrei Bolkowski para permanecer um tempo no Caern. A história ainda nem havia corrido e ele já ganhava prestígio em Lua Crescente, em boa parte graças aos elogios de Oleg. Quando ficaram alguns minutos a sós, o galliard lhe disse: “Eu seria um mau líder se nao soubesse reconhecer talentos.” E acrescentou, piscando um olho: “Eu sabia que você era bom de briga”.

Anton nao pôde esperar a assembléia. Partiu o mais rápido que pode para cuidar de problemas em seu próprio caern. Antes deixou acertado com Andrei Bolkowski que Yuri aprenderia o ritual de dedicaçao do talisma *.

Joe permaneceu em Lua Crescente para cumprir sua promessa ao Leshy. Reencontrou e foi calorosamente acolhido por Grimfang, que ficou muito orgulhoso da atuação do jovem theurge e se prontificou a ajudá-lo e orientá-lo no tratamento com espíritos locais e a ensinar o que Joe desejasse sobre seu augúrio.

Leyda ficou em Lua Crescente para garantir que as reféns nao fossem culpabilizadas pela violência sofrida, como muitas vezes ocorre às mulheres.

O enlouquecido Leshy começou o processo de purificaçao de seu bosque e, graças a Joe, também o do caern.

Em seu regresso a Lua Crescente, ao cruzar a montanha, Ahmed encontrou o cadáver congelado de Lisa, nao muito distante do platô onde foram mortos os lobos-fomori. Seu corpo estava coberto de chagas, pústulas e fungos. Ahmed incinerou o corpo, poupando a jovenzinha que queria a recompensa para ter um inverno mais cômodo de ficar enterrada no frio solo russo.

Lorcan decidiu que queria mais missoes antes de “se aposentar” em um caern. Ficou até a assembléia, mas era evidente que estava ansioso por voltar ao Canadá.

Marina regressou com Anton ao caern dele, onde estava protegido seu filho. Ela e as outras reféns tinham um longo caminho pela frente até recuperarem-se dos traumas e abusos sofridos, se é que algum dia se recuperariam.

Oleg viu Marina partir ao encontro de Boris com a satisfação de todo pai que se sacrifica para fazer o melhor para os filhos. No dia seguinte começou o regresso à caverna, acompanhado de Grimfang e outros theurges. Havia muito o que fazer até recuperarem o caern.

Em meio à efervescência pelo regresso vitorioso dos garous, Vincenzo honrou sua tribo e passou praticamente despercebido, sem perguntas embaraçosas. Foi tratado em Lua Crescente tao bem quanto os demais integrantes da missao.

Apesar do clima de júbilo e glória, para Anton e Oleg a vitória teve um gosto amargo. Afanasiy morreu na luta contra os últimos guardas, no momento de sair com as reféns. “Mil Vidas” agora iria se reunir aos seis ancestrais que lhe ajudaram e atormentaram em vida, e que foram a razao de seu nome. Seus restos foram sepultados na Tumba dos Heróis Sagrados, ao lado de Odinoka, o ahroun lupino de sua matilha que falecera alguns anos antes. Ali ficou seu chapéu de cawboy, ao lado da impressao da pata do amigo.

Na mesma noite, sob a lua corcunda e minguante, Anton e Oleg rumaram até a Tumba, com um violao nos braços, para render-lhe a última homenagem. Cantaram uma cançao de Koridor muito significativa para eles, que se havia tornado como um tema de sua matilha.  E que também, de certa forma, se aplicava àquela missao e àquele momento.

Falava de uma estrada interminável, de mil caminhos, um rio congelado e o vento frio queimando as narinas. De pontes queimadas, de ter coragem e ir além dos limites. Sem nenhuma garantia.

- Nichego ne obeshchay - lish' lyubov' do groba. - cantou Oleg junto com o companheiro vivo e diante dos companheiros mortos que um dia formaram sua matilha, e resumindo o sentimento que faz de garous unidos sob o mesmo totem mais do que amigos, irmãos que se ajudam sem restrições e em qualquer condição.

“Nichego ne obeshchay - lish' lyubov' do groba”:

Nenhuma promessa, somente amor até a sepultura.




***

Oleg nao só entendeu como alegrou-se com a recusa de Yuri em deixar o caern. Nao podia pedir o mesmo dos outros, todos tinham outros deveres e obrigaçoes, mas estava imensamente grato que Yuri ficasse para a limpeza e purificaçao.

Também surpreendeu-se quando Kiril também nao quis deixar a caverna. O galliard nao sabia da relaçao visceral que o geólogo desenvolvera com aquele lugar.

Nao perdeu tempo com perguntas. Com um profundo agradecimento nos olhos, disse em voz baixa:

- Tenho que sepultar Afanasiy, mas volto em dois dias, com Grimfang, Joe e outros theurges. Até lá, por favor, cuidem-na. E… muito obrigado.

Se os russos fossem dados a manifestaçoes físicas de afeto teria lhes dado um abraço. Anton, já meio latinizado, sim o havia feito ao despedir-se, acrescentando a Yuri: "Eu nao me esqueci: ainda espero muitas façanhas suas para minhas cançoes”.

Yuri e Kiril incineraram cadáveres, limparam o mais que puderam o lugar e ficaram de guarda.

Em certo momento, Kiril mostrou-lhe uma passagem que só ele conhecia, ligando o corredor principal àquele caminho novo que encontraram ao entrar na caverna. Era mais uma das loucuras dos dançarinos: o caminho era descendente e formava uma espiral. Yuri e Kiril exploraram-no, usando uma lanterna. No final havia pedaçoes de rocha no chao e paredes irregulares e arranhadas. Os espirais ainda nao o haviam terminado quando a caverna foi invadida.

Kiril deixou a lanterna com Yuri e tomou o martelo de espeleólogo que lhe havia pedido emprestado. “Nao é um martelo de geólogo, mas creio que serve para tirar uma dúvida". Deu pequenos golpes nas rochas da parede, e depois nas do fundo cego do túnel. Repetiu. Entao disse a Yuri: “Ouça”. Yuri nao percebeu nada, mas os ouvidos treinados de Kiril, sim. “É o mesmo tipo de rocha, mas soam diferente. Essa parede – disse apontando o fundo do túnel – é menos espessa. O túnel nao termina aqui, Yuri… alguém está cavando também do outro lado.”



FIM




* Por uma questão de narrativa nao pus o aprendizado do ritual, mas ele ocorreu e foi mais o menos igual ao do Aláin,  que está no meu post ao fim da página 2.


*Rodrigo*Alexey    *Mitzuki  


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Esta é uma obra de ficção. A menos que você seja um lobisomem, qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
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Re: Ásia Central

Mensagem  Midnight em Qui 30 Abr 2015 - 22:45

Estava acabado. O Caern havia sido limpo por completo, mas era chegada a hora de recolher os mortos. Me assustei com a quantidade após presenciar a cena do lado de fora da caverna. Não sabia exatamente o que havia acontecido, mas a compreensão veio aos poucos, e os corpos de todos aqueles Presas de Prata fizeram uma lágrima rolar pelo meu rosto. Me senti egoísta pelos pensamentos que figuravam em minha cabeça enquanto saia da caverna, olhei para Anton em desaprovação: -Nós podíamos ter evitado tudo isso.- Dei as costas, me afastando para não agir, sabia das consequências por tomar determinadas decisões difíceis quando se é um líder, mas nada disso traria aqueles Garou de volta a vida. Nossa vitória havia sido incompleta, Afanisy também havia encontrado suas últimas glórias naquela noite, e eu me ressenti por ele também, mas ele teria suas homenagens, teria quem zelar por isso. Cuidei para que os demais Garous mortos naquela batalha tivessem tal honra também, tendo o perdão assumido um novo significado para mim enquanto pegava no colo o corpo inerte de Viktor.

Theurges seriam mais apropriados para farem aquilo -eu sinceramente nem fazia ideia do que exatamente eu estava fazendo- mas tentei vasculhar minha memória e deixar que meu coração guiasse a forma mais verdadeira para se fazer as honras fúnebres. Enterrei os corpos após cavar covas de profundidade razoável na forma Hispo. As sepulturas seguiram um padrão circular em torno da árvore mais próxima da entrada do Caern que havia encontrado. O único nome que tinha era o de Viktor, mas preferi pôr algo mais simbólico como homenagem para todos: entalhei com minhas próprias garras o glifo dos Presas de Prata na árvore, fundo o suficiente para que, independentemente de quantos invernos pudessem haver, o símbolo permanecesse imponente. E a cada ano ele iria subir, representando a elevação daqueles nobres guerreiros. Abaixei a cabeça e, mesmo suado e sujo, proferi de maneira respeitosa em bom tom:
-Que o gelo se enraíze em seus corpos e sua essência retorne à Mãe. Que os espíritos lhes guiem e sirvam de arauto, cantando a canção de uma vitória forjada à sangue nobre. Sangue esse nobre não por seus berços, e sim por seus atos. Seus corpos aqui ficam. Seus nomes o vento há de tragar. Mas seus feitos serão eternos, e Gaia há de recebê-los com a gratidão de uma mãe orgulhosa que vê seus filhos retornarem de uma tarefa cumprida.- Um uivo, e estava acabado.



Me despedi de Oleg e Anton com certo pesar, mas nada disse. Suas palavras encontraram em meu olhar a aceitação dos fatos, mas não conformação com eles. Acenei a cabeça positivamente para ambos, de maneira respeitosa , e foi isso. O momento teria sido mais caloroso se houvesse algum tempo para tudo aquilo ser digerido, mas as vezes precisamos nos esconder atrás de certas máscaras para não nos afundarmos em sofrimento. Eles partiram, eu fiquei, e foi melhor assim. Não sabia se voltaria a ver eles de novo, mas certamente me lembraria da batalha que havíamos travado juntos. Me perguntei se meu nome figuraria em suas canções, se eu seria merecedor disso. E por fim a dúvida acerca do por quê de eu estar lutando. Por Gaia, ou por glória? A noite seria longa, e eu teria muito sobre o que pensar antes da cabeça estar novamente no lugar. A única certeza que eu sabia era que sairia mais maduro e forte daquele lugar. Os efeitos colaterais eram irrelevantes.



O trabalho era árduo, e inglório. No final das contas isso acabou por me ajudar a limpar a mente, forçar os músculos pode ser estranhamente terapêutico. O clima na caverna ainda me era estranho, o cheiro ainda era ruim e as lembranças frescas de seus antigos habitantes me causavam repúdio. Isso fazia com que eu estivesse sempre alerta, e encarei com interesse a incursão liderada por Kiril. O caminho bizarro -mas muito sugestivo- fez meus pelos se eriçarem, estava pronto para encarar alguma aberração no final da espiral, e ainda estava com os nervos à flor da pele quando o homem termina sua inspeção. Olho para o caminho inacabado e digo com determinação na voz:
-Que continuem cavando. Eu estarei por perto quando esses vermes decidirem sair da toca.- color=darkred]Aumentei o tom da voz, gritando o mais alto que podia:[/color] -Vou dar o mesmo fim à vocês que dei aos chefes do seu rebanho miserável aqui! Estão me ouvindo?- Assumi instintivamente minha forma Crinos, urrei em provocação ao que quer que estivesse do outro lado tomado pela fúria. Gaia era testemunha, eu não estava brincando.
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