ASIA CENTRAL II - A Estepe Selvagem

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ASIA CENTRAL II - A Estepe Selvagem

Mensagem  Lua em Seg 11 Jul 2016 - 20:31


Na fronteira entre Rússia e Cazaquistão, uma seita luta obstinadamente para reaver seu caern.
Mesmo depois que uma gloriosa expedição conseguiu resgatar as parentes reféns e eliminar a colméia, os Dançarinos da Espiral Negra nunca deixaram de chegar.
E agora a seita sabe porque…

Nas estepes cazaques, um grupo de valentes lobisomens terá  que tomar uma aldeia completamente dominada por Dançarinos da Espiral Negra e seus parentes, enquanto tenta impedir uma guerra fraticida entre duas tribos garous, que disputam um bem cada vez mais precioso: a água.
A paz deverá ser feita, nem que seja a força…

******************************************************************************************************************************************

Alain:
A vida de Alain havia se complicado um pouco desde que os ratkin juraram vingança contra ele. Grande parte de sua atenção se voltou à proteção de seus familiares e lhe custou algum tempo estabelecer todas as medidas de segurança que julgava necessárias.
O fato das gêmeas, capitaneadas pela ousada Ariana, estarem se tornando cada vez mais independentes era um motivo de orgulho, mas também de novas preocupações.
Foi assim que levou um bom tempo até que Alain pudesse voltar ao caern Fonte Fria para rever sua amada Maysa. Mas o dia chegou.
Encontrou-a mais linda e amorosa que nunca e, após a agitada alegria do reencontro, ele pôde, enfim, achar em seus braços o descanso que merecia.
Mas não por muito tempo.
No dia seguinte, Anton chamou-o a casa sede. Serviu-lhe um chá, sentou-se em frente a ele e, depois de uma breve conversa protocolar, entrou no assunto que pelo qual o chamara.

- Alain, eu esperava reunir-me com você para falar de outro tema, que têm a ver com a escolha profissional… ahh… digamos, “artística” de meu enteado Brian e que creio que lhe interessará, pois envolve uma klaive de nossa tribo perdida. Mas algo mais urgente se interpôs.
Semana passada falei com meu irmão de matilha, Oleg Brado dos Justos. Lembra-se dele? Da missão na Rússia? Disse-me que, finalmente, encontraram a razão pela qual os dançarinos da espiral negra pareciam brotar como cogumelos ao redor da caverna do antigo caern. Ocorre que há uma aldeia de parentes que os esconde, dá suporte e atrai novos espirais negras.
Oleg então reuniu um pequeno exército de garous, contando com a ajuda de um ancião presa de prata com muitas relações de vassalagem na região, e pretende destruir essa cidadela corrupta de uma vez.
Em troca, o ancião, ou rei Vlad, como o chamam, quer a ajuda de Oleg para pacificar duas seitas em sua área de influëncia, uma de Senhores das Sombras, outra de Garras Vermelhas, que se enfrentam pelo controle de um rio. Só pelas tribos envolvidas, você pode imaginar o tamanho da encrenca.
Acontece que, e isso fica entre nós… segundo Oleg o rei Vlad é um garou forte de armas mas não um bom diplomata. Oleg prefere contar com alguns bons philodox e então nós nos lembramos de você.
Claro que a Ásia Central não é, nem de longe, um lugar estratégico como a Amazônia, por exemplo. Mas no território de Vlad nossa tribo ainda tem influência e prestígio como nos velhos tempos e pode, com um bom trabalho, fazer a paz entre duas seitas. Um lugar onde um philodox presa de prata pode aprender bastante e ganhar renome. Achei que seria uma experiência interessante para você.


Anton sorveu um gole de chá calmamente, depois perguntou:

- Que lhe parece?


Shaira:
Shaira saia de uma loja na Vila Madalena, em companhia de Cristina. Havia entregado mais um pequeno lote de jóias de sua fabricação. Os primeiros haviam vendido como água no deserto e a dona agora queria mais.

- Uiiiii, estamos ricas. – falou Cristina, rindo e pendurando-se em Shaira, de brincadeira.

Não era muito dinheiro mas, de grão em grão, as vendas estavam garantindo a Shaira sempre ter uns trocados e permitindo-lhe ajudar sua tia com as contas da casa. Só que o dinheiro não durava muito no bolso.  

- Temos que comemorar! Somos jovens, lindas e estamos com dinheiro! – o fato dele vir do trabalho de Shaira parecia não importar a Cristina – Vamos sair!!!!

Shaira bem que precisava. Uma certa angústia começava a tomar conta dela. Para Cristina, São Paulo podia ser um parque de diversões cheios de bares e locais para ir, mas para uma garou como Shaira,  não passava de uma cidade opressiva, com a umbra emaranhada de teias e um mundo físico poluído e sórdido. Sem falar nos vampiros, cuja quantidade e poder eram um tapa na cara de qualquer peregrino silencioso.

Além disso, Shaira já estava há muito tempo no mesmo lugar. Nem que fosse dentro da prória cidade, ela precisava sair.

***

O pub Toca Verde, em Pinheiros, era a sensação entre os garous da cidade. Estava cheio mas Shaira e Cristina conseguiram uma mesa para tomar uma bebida enquanto esperavam o show daquela noite: uma banda de lobisomens que fazia uma música estranha e cacofônica, que os humanos costumavam odiar mas que, de algum modo tocava o coração dos garous e até mesmo dos parentes. Era, portanto, uma noite em que havia muita gente com sangue de lobo, inclusive na área comum.

Tudo o que queria Cristina que, provocante, analisava o "ambiente" com um olhar digno de um Dançarino da Pele. Até que algo lhe chamou a atenção.

-  Shai… - sussurrou ela – O  cara naquela mesa não tira os olhos daqui. Até que é bonitinho, dá uma olhada… Diz para mim que é garou, vai!.

Spoiler:

Não foi necessário mais do que uma espiada para que o homem se levantasse e viesse até elas. Não prestou muita atenção a Cristina mas pousou seus olhos magnéticos em Shaira, cumprimentando-a em árabe do Egito.

- Ahmed ElFatih. Sol na Estrada. – disse olhando-a profundamente nos olhos, como a analisar sua reação – Você deve ser Passos Na Areia, não?  Disseram-me que talvez a encontrasse aqui…

Klauss:
Klauss olhou para o céu azul, o mar esmeralda e a a vegetação exuberante ao longe e sentiu-se afortunado. Estava na casa de praia dos pais de Raul, em Parati. Era uma casa grande e bela, cuja arquitetura inteligente e um aparato tecnológico totalmente voltados para a integração com o meio ambiente, o aproveitamento energético e a mínima produção de lixo chegavam a dar alguma esperança de que as ideias dos Andarilhos do Asfalto pudessem estar certas.
Mas ninguém pensava nisso naquele momento. Tudo o que queriam era desfrutar uns poucos dias de descanso naquela paisagem que recompensava todo o esforço despendido por Gaia.
Estavam Klauss, Jamile e Sidharta, o namorado parente dos filhos de Gaia dela, estendidos na areia. Virna ainda não se fartara de mar.
- Vamos precisar de uma rede de pesca para tira-la da agua! - disse Jamile.
- Melhor um arpão! - replicou Raul, imitando o arremesso da arma com um falso ar sanguinario,
Klauss tinha uma ideia melhor.
Caminhava pela areia com a intenção de atrair a namorada a seus braços ou talvez juntar-se a ela no mar, quando  todos viram uma pequena embarcação aproximar-se do cais. Dela saltou Aurora, que entregou a paga aos pescadores e caminhou em direção ao grupo.
- Tremenda casa e ninguem tem carregador de celular? - disse ela, fingindo mau-humor. Estava na cara sua satisfacao em haver precisado ir pessoalmente.
Mas nao ouviu resposta. A presença da peregrina ali só podia significar problemas em Fonte Fria. E o que disse a seguir não ajudou a melhorar a suspeita;
- Venho da parte de Anton. Preciso falar com Klauss em particular.

***

- Não se assuste. - disse ela quando já estavam mais afastados, a caminho da casa. - Esta tudo bem por lá. Bem, antes de mais nada, Anton me pediu para transmitir suas desculpas por interromper seu  descanso. Klauss. Mas ocorre que as coisas estão movimentadas de novo na Russia. Os garous de Casa de Pedra descobriram que os dançarinos da espiral negra que os atacam são ajudados por uma aldeia inteira de seus pestilentos parentes e planejam arrasa-la. Uma boa batalha e mais uns feios traseiros da Wyrm para chutar. Já seria um bom motivo para um ahroun se pôr em marcha novamente, acho eu. Mas não foi por isso que Anton me fez procura-lo aqui. E também a razão de falarmos em particular. Ele está preocupado com Nadia... Ela aprontou demais, não respeita os anciões e procurou o castigo de ser mandada para a Rússia. Mas você conhece o Anton... Ele criou a menina e não quer que nada de mal passe a ela. Mas tampouco é coisa de todo mundo ficar sabendo que o ancião tem suas fraquezas… Resumindo, Klauss, não se trata de ser babá de ninguém... Mas as coisas vão ficar feias por lá e Anton quer um guerreiro do seu nível para ajudar seus companheiros de tribo e, de quebra, dar uma olhada em Nadia, ver se não vão manda-la de graça para a morte, o que provavelmente, a essa altura já devem estar tentados a fazer, se eu bem a conheço.
Alguns garous vão para a Russia em dois dias. E Anton gostaria que você estivesse entre eles. Não e uma oferta muito tentadora, eu sei... Mas uma coisa eu lhe digo por experiência própria. Anton é um bom sujeito e sabe recompensar muito bem seus amigos, no momento em que mais necessitam dele
.

Virgínia:
Virginia estava de volta ao Caern da Ultima Chance, onde seguia dedicando-se ao aprendizado da comunicação com as plantas.
Certo dia um filhote a chamou, dizendo havia um garou forasteiro querendo falar com ela. Virgínia acompanhou-o e foi deixada na companhia de um homem maduro, calvo, com um cavanhaque ruivo.

- Olá, eu me chamo Lorcan Gealach - disse ele cumprimentando-a - sou  philodox e adren dos Fianna. Soube de você através dos garous da seita Fonte Fria. Hum… vamos ver… por onde começo… Estou em missão junto à seita Casa de Pedra, de presas de pratas russos. Neste momento estamos formando um grupo de ataque a uma aldeia dominada por dançarinos da espiral negra e seus parentes, em território cazaque. Estes espirais negras tomaram o caern da seita Casa de Pedra há uns anos e continuam atacando-os, por isso vamos invadir a aldeia e exterminá-los a partir de sua raiz corrompida, de uma vez.
Bem, você deve estar se perguntando porque busco uma filha de Gaia para isso, não é mesmo?
A questão é que nosso principal aliado pediu, em troca de seu apoio, que nós o ajudássemos a resolver um conflito entre duas seitas, uma de Senhores das Sombras e outra de Garras Vermelhas, que disputam a posse de um rio em sua área de influência. Ja houve escaramuças entre entre garous e parentes das duas seitas e ninguém quer que sejam desperdiçadas mais vidas valiosas em uma luta interna quando temos tantos inimigos a combater. Sendo assim, estamos formando um grupo de philodox para tentar um acordo de paz entre as duas seitas. Conversava sobre isso com Anton Uivo do Vento e ele me falou que conhecia uma cliath theurge que era Filha de Gaia e lupina. Pareceu-nos uma boa idéia tê-la em nosso grupo de pacificadores, Virgínia. Talvez você consiga entender melhor o modo de pensar dos Garras Vermelhas que nós e possa e ajudar-nos a chegar a um acordo que os satisfaça.
Vou ser sincero com voce. As condições na Ásia Central são bastante duras e ninguém estará livre de combater contra os dançarinos da espiral negra. Mas se pudermos evitar esta guerra fratricida iminente, não estaremos apenas ajudando um aliado, mas salvando muitas vidas garous e prestando um serviço inestimável a Gaia.
Então? A missão lhe interessa? Tem alguma pergunta?


Lorcan ficou esperando a resposta de Virginia.

Hannah:
Alguns meses antes.

- Para onde eu vou? – perguntava-se Hannah em frente à lápide de sua mãe.

A tarde já caia e um vento frio fazia rolar umas folhas secas sobre as sepulturas. O cemitério ia fechar, era hora de encerrar a visita e partir.

Hannah caminhou pela necrópole vazia, escutando apenas o som de seus sapatos no pavimento úmido. Embora escurecesse rapidamente, nenhuma lua apontava no céu e isso a estava deixando ansiosa. Nos últimos tempos as noites escuras de lua nova lhe davam uma sensação esquisita.

De repente, ela começou a escutar passos atrás de si. Deu uma olhada para tras. Ali estava um homem maduro, usando um sobretudo e um chapéu elegante. Hannah se achava sozinha no cemitério e a presença do homem não lhe agradava. Menos ainda quando percebeu que os passos dele se tornavam mais rápidos.

Pensou em fugir mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, inexplicavelmente ele a alcançara e tocava-lhe o ombro. Hannah tentou correr mas ele a conteve, agarrando-a pelos braços e fazendo-a girar em direção a ele.

Então seus olhos se fixaram nos delas, enchendo-a de pavor. Eram dourados e olho direito mostrava uma cicatriz, exatamente igual ao lobo que matou sua mãe! Uma sensação surreal e aterradora dominou Hannah mas ela era forte e partiu para a luta. Só pensava na oportunidade de vingar sua mãe. Porém, antes que pudesse dar o primeiro golpe, a expressão nos olhos do homem a paralisou de medo. Um pavor anormal - ou sobrenatural - apoderou-se dela. Simplesmente não podia mover-se, como um rato que, mordido por uma serpente, aguarda passivamente seu destino.

O homem tomou-a nos braços e saiu rapidamente do cemitério. Hannah sentia o balançar de sua corrida e, quando cruzaram com algumas pessoas que os olharam assustadas, ele começou a vociferar “Krankenhaus, krankenhaus!” num alemão com sotaque desconhecido. Ninguém pareceu questionar que levava Hannah a um hospital. A seguir depositou-a, ainda paralisada, em um carro e saiu em disparada.

Dirigiu por muito tempo.

O medo humilhava Hannah e a deixava enfurecida consigo mesma mas era impossível lutar contra ele. Ao fim, a imobilidade, o cansaço e a monotonia da estrada acabaram vencendo-a e ela adormeceu. Sonhou que ainda era pequena e sua mãe a embalava nos braços sussurrando palavras amorosas. Quando despertou, no entanto, viu que a crua realidade ainda era que estava ao lado daquele ser odioso.

Olhou para fora e foi observando as placas até dar-se conta de que estava na Polônia. Depois a sinalização desapareceu e eles entraram em uma floresta. Hannah já podia mover-se normalmente mas não tinha a menor idéia de para onde correr.

Um grupo de homens recebeu-os e trocou umas poucas palavras com seu captor em uma língua muito estranha, feita de gestos e rosnados. Então uma voz retumbante soou de dentro da mata. Rosnava com mais fluência e usava mais “palavras” do que os homens.

Estava bastante escuro mas Hannah pôde distinguir com clareza quando as árvores se afastaram e seu enorme vulto surgiu. Desta vez não era um lobo: tinha três metros de altura, uns quatrocentos quilos e a aparência clássica de um lobisomem.


Spoiler:



Última edição por Lua em Ter 12 Jul 2016 - 9:46, editado 1 vez(es) (Razão : Inclusão de imagem no post da Hannah)


*Rodrigo*Alexey    *Mitzuki  


ação pensamento fala   /   narração diálogo

Esta é uma obra de ficção. A menos que você seja um lobisomem, qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
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Re: ASIA CENTRAL II - A Estepe Selvagem

Mensagem  Alexyus em Ter 12 Jul 2016 - 4:47

Alaín investira tempo e recursos para criar um forte esquema de segurança à prova de ratkin. Abel era viciado constantemente como todo membro do parlamento, mas as gêmeas eram mais difíceis. Ele teve que colocar guarda costas sem o conhecimento delas, seguindo as duas à distância onde quer que fossem. Adele era esperta e curiosa demais, e pesquisava mais coisas sobrenaturais do que Alaín gostaria, mas era a impulsiva e destemida Ariana quem tornava tudo muito mais difícil. Mesmo assim, ele achou que tinha assegurado o bem estar delas.

Como ele não era o CEO das empresas da família, sendo apenas o presidente da diretoria, isso lhe dava a liberdade para ir e vir quando quisesse. E não havia lugar que ele ansiasse mais para ir do que ao encontro de Maysa em Fonte Fria.

Ele a reencontrou mais amorosa e linda do que nunca. Ainda não tinha descoberto nenhum traço de raça pura nela, e sabia que esse era um entrave para a união deles aos olhos da tribo. Mas essa era uma preocupação eventual, ao passo que a convivência dela com Estevão era algo que incomodava Alaín cada vez que ele era lembrado disso. Maysa não tinha dado ouvidos ao aviso dele para se afastar do theurge, que não fora expulso e continuava sem se importar com a Litania. Mas Alaín não podia exercer nenhuma autoridade antes de se casar oficialmente com Maysa. Ele já preparara um plano de negócios para investir no haras de Fonte Fria, mas precisava marcar a reunião, coisa que vinha adiando há semanas.

Ao lado de Maysa, Alaín conseguiu relaxar pelo menos uma noite. Mas quando ela dormia já exausta, Alaín ainda a observava com amor contemplativo. A manhã o encontrou alerta e trouxe o convite de Anton.

"O ancião me convocar assim parece algo importante, não apenas protocolar. É melhor eu me apressar...

Alaín despediu-se de Maysa e foi tomar chá com Anton. Ele confiava em Anton tanto quanto se podia confiar num ancião da tribo, mas Triunfo de Gaia aprendera a não baixar jamais a guarda. Estava sempre em perfeita prontidão.

Ouviu a história de Anton com atenção. Ele assentiu ao ouvir o nome de Oleg, lembrava-se do anti go companheiro de batalhas. A situação da Casa de Pedra continuava periclitante, mas Oleg descobrira porque os Espirais Negras estavam tão fortes lá. Pensar que uma vila inteira de parentes dedicava-se aos bastardos de Gaia era arrepiante. Não hávia outra alternativa a não ser exterminar todos. Alaín ficou contente de ouvir que Oleg conseguirá apoio dos Presas locais, ele considerava este o ponto mais fraco da Casa de Pedra. Nunca ouvirá falar sobre o tal Vlad, mas seus conhecimentos sobre a Casa da Lua Crescente se resumiam à rainha deles.

Triunfo de Gaia já esperava ser convocado a ajudar na luta por lá, mas o impasse diplomático entre os senhores das sombras e os garras vermelhas era um desafio e tanto para qualquer phillodox. Ser lembrado para esta tarefa significava uma de duas coisas: ou ele conquistará mais respeito do que imaginava ou os Presas de Prata estavam quase sem opções.

"Voltar às estepes da Ásia Central, onde nenhum recurso material está à disposição. Suas únicas ferramentas lá são seu corpo e sua mente. Será que você consegue agir perfeitamente lá, Triunfo de Gaia? Mas será bom travar mais contato com a casa da Lua Crescente....

Em voz alta, Alaín respondeu a Anton:

- Fico lisonjeado pela confiança, Anton. Eu gostaria de saber mais sobre essa klaive perdida, e também havia alguns assuntos locais que gostaria de discutir com você, mas se a supremacia dos Presas de Prata e a segurança de Gaia estão ameaçadas , não há motivo para hesitar. Posso partir quando você quiser. Se quiser convocar mais garous, eu posso esperar e até sugerir alguns nomes. Mas se for da sua vontade, irei sozinho e imediatamente


Última edição por Alexyus em Ter 12 Jul 2016 - 10:34, editado 1 vez(es)
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Re: ASIA CENTRAL II - A Estepe Selvagem

Mensagem  Cetza em Ter 12 Jul 2016 - 10:27

Shaira saia de uma loja na Vila Madalena, em companhia de Cristina. Havia entregado mais um pequeno lote de jóias de sua fabricação. Os primeiros haviam vendido como água no deserto e a dona agora queria mais.
- Uiiiii, estamos ricas. – falou Cristina, rindo e pendurando-se em Shaira, de brincadeira.
Não era muito dinheiro mas, de grão em grão, as vendas estavam garantindo a Shaira sempre ter uns trocados e permitindo-lhe ajudar sua tia com as contas da casa. Só que o dinheiro não durava muito no bolso.

Shaíra agradecia a mulher em árabe, tanto por costume quanto por mera propaganda, coisa que tinha aprendido na faculdade. A jovem segurava nas mãos da dona da loja como forma de agradecimento. -- Salaam alaikum.

Shaíra ria com as brincadeiras da irmã, a jovem conhecia bem os dois mundo tanto da riqueza quando o da miséria e por isso tentava aproveitar o máximo aqueles pequenos momentos de felicidade com a prima, mesmo sendo tocada com a necessidade de sair daquele lugar.... a estrada clamava por ela e Shaíra sentia-se triste por estar ali parada e ao mesmo tempo feliz por estar ali.

- Temos que comemorar! Somos jovens, lindas e estamos com dinheiro! – o fato dele vir do trabalho de Shaira parecia não importar a Cristina – Vamos sair!!!!

-- Nem tanto minha prima, nem temos uma loja própria...e... gostaria de deixa-las bem... antes de ir... coisa de Peregrinos... Shaíra tentava contar à prima que um dia ela iria partir, mas também não queria estragar a alegria dela. -- Mas isso não é para hoje e nem para amanhã... temos que comemorar as nossas boas vendas.

O pub Toca Verde, em Pinheiros, era a sensação entre os garous da cidade. Estava cheio mas Shaira e Cristina conseguiram uma mesa para tomar uma bebida enquanto esperavam o show daquela noite: uma banda de lobisomens que fazia uma música estranha e cacofônica, que os humanos costumavam odiar mas que, de algum modo tocava o coração dos garous e até mesmo dos parentes. Era, portanto, uma noite em que havia muita gente com sangue de lobo, inclusive na área comum.

Tudo o que queria Cristina que, provocante, analisava o "ambiente" com um olhar digno de um Dançarino da Pele. Até que algo lhe chamou a atenção.

- Shai… - sussurrou ela – O cara naquela mesa não tira os olhos daqui. Até que é bonitinho, dá uma olhada… Diz para mim que é garou, vai!.

A jovem se esforçava em esquecer um pouco a tristeza que a consumia, ficar muito tempo no mesmo lugar era quase uma prisão para ela que ansiava conhecer lugares e outras pessoas... porém por ora ela se contentava em explorar o pub da Toca Verde... com certeza aquele era um lugar inusitado para ela... Vestindo suas roupas mais 'descoladas' uma shayla (lenço) branca que lhe cobria os cabelos e uma jelabiah (túnica) bem colorida... apesar do que ela estava comemorando.

- Cris... ele é um garou e...não olha assim nãoooo..viu o que você fez...agora ele está vindo para cá... thumm 'ann alear ! (Ai que vergonha)

Não foi necessário mais do que uma espiada para que o homem se levantasse e viesse até elas. Não prestou muita atenção a Cristina mas pousou seus olhos magnéticos em Shaira, cumprimentando-a em árabe do Egito.

- Ahmed ElFatih. Sol na Estrada. – disse olhando-a profundamente nos olhos, como a analisar sua reação – Você deve ser Passos Na Areia, não? Disseram-me que talvez a encontrasse aqui.

Shaíra não sabia onde esconder o rosto, estava sem graça e tudo era culpa da Cristina. A jovem se espantava ao notar que o homem além de ser bonito também falava em árabe. Shaíra lhe respondia na mesma língua enquanto observava curiosa o estranho homem. Enquanto conversavam ela se espantava ao notar que o rapaz a procurava.

-- nem ... 'ana khatawat fi alrramal (Sim... sou Passos na Areia). É um prazer conhece-lo, essa é minha prima Cristina... Estava... me procurando?



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Re: ASIA CENTRAL II - A Estepe Selvagem

Mensagem  Klauss Krugger em Qua 13 Jul 2016 - 7:45

*Fecho os olhos e sinto o calor do sol em meu rosto e o ar salgado em minhas narinas, era como se tudo não passasse de um sonho... abro os olhos, o mar e a vegetação mostram que estou praticamente em um paraíso. Olho para o mar e vejo a única pessoa que me faria voltar a realidade naquele momento.*

- Vamos precisar de uma rede de pesca para tira-la da agua! - disse Jamile.
- Melhor um arpão! - replicou Raul, imitando o arremesso da arma com um falso ar sanguinario,

-- Deixem que resolvo... *falo enquanto me levanto e caminho pela areia em direção a ela.*

Caminhava pela areia com a intenção de atrair a namorada a seus braços ou talvez juntar-se a ela no mar, quando todos viram uma pequena embarcação aproximar-se do cais. Dela saltou Aurora, que entregou a paga aos pescadores e caminhou em direção ao grupo.
- Tremenda casa e ninguem tem carregador de celular? - disse ela, fingindo mau-humor. Estava na cara sua satisfacao em haver precisado ir pessoalmente.
Mas nao ouviu resposta. A presença da peregrina ali só podia significar problemas em Fonte Fria. E o que disse a seguir não ajudou a melhorar a suspeita;
- Venho da parte de Anton. Preciso falar com Klauss em particular.

*Aceno com a cabeça para Aurora, dou um beijo em Virna antes de sair da agua e caminho ao lado da peregrina pela areia.*

-- Não se assuste. - disse ela quando já estavam mais afastados, a caminho da casa. - Esta tudo bem por lá. Bem, antes de mais nada, Anton me pediu para transmitir suas desculpas por interromper seu descanso. Klauss. Mas ocorre que as coisas estão movimentadas de novo na Russia. Os garous de Casa de Pedra descobriram que os dançarinos da espiral negra que os atacam são ajudados por uma aldeia inteira de seus pestilentos parentes e planejam arrasa-la. Uma boa batalha e mais uns feios traseiros da Wyrm para chutar. Já seria um bom motivo para um ahroun se pôr em marcha novamente, acho eu. Mas não foi por isso que Anton me fez procura-lo aqui. E também a razão de falarmos em particular. Ele está preocupado com Nadia... Ela aprontou demais, não respeita os anciões e procurou o castigo de ser mandada para a Rússia. Mas você conhece o Anton... Ele criou a menina e não quer que nada de mal passe a ela. Mas tampouco é coisa de todo mundo ficar sabendo que o ancião tem suas fraquezas… Resumindo, Klauss, não se trata de ser babá de ninguém... Mas as coisas vão ficar feias por lá e Anton quer um guerreiro do seu nível para ajudar seus companheiros de tribo e, de quebra, dar uma olhada em Nadia, ver se não vão manda-la de graça para a morte, o que provavelmente, a essa altura já devem estar tentados a fazer, se eu bem a conheço.
Alguns garous vão para a Russia em dois dias. E Anton gostaria que você estivesse entre eles. Não e uma oferta muito tentadora, eu sei... Mas uma coisa eu lhe digo por experiência própria. Anton é um bom sujeito e sabe recompensar muito bem seus amigos, no momento em que mais necessitam dele.

-- Julian não retornou ainda? ...bem independente sei que para ele e para o bem de Fonte Fria é importante que os aliados de Anton continuem na Russia, o equilíbrio de Fonte Fria já anda bem comprometido e ter mais um Presa de Prata pode fazer a balança pesar contra as feras... eu vou... bem saem em dois dias... então ainda temos o resto do dia de hoje e partiremos pela manhã... *olho para Aurora esperando por uma resposta positiva dela, afinal acredito que ela também queira ficar um pouco mais neste pedaço de paraiso.*


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Re: ASIA CENTRAL II - A Estepe Selvagem

Mensagem  Lua em Qua 13 Jul 2016 - 23:32

Klauss:
Aurora lhe contou que Julian ainda nao havia regressado e brincou, dizendo que, ao que parecia, nem o peregrino silencioso tinha pressa em deixar a estrada, nem o presa de prata em devolver-lhe o poder. Mas quando Klauss mencionou o desequilibrio interno de Fonte Fria, Aurora desviou o olhar e nao disse nada. Klauss teve a impressao de que a preferencia dela era por Anton, o que, considerando sua tribo, era mais uma mostra do quanto a seita estava dividida.


- Bem... - disse Aurora ao ouvir a proposta de ficar o resto do dia por la - Se eu lhe conheco, meu caro, se eu lhe disser que regresso imediatamente voce se sentira no dever de ir comigo. Assim que aceito o convite de ficar e partimos pela manha. E melhor que voce descanse uma tarde mais e de atencao a sua parente. Isso tambem faz parte das obrigacoes de um garou. Fico pelo seu bem, so por isso.

Aurora piscou um olho e sorriu.

- Alem disso, Raul ficara contente em nao estar mais sozinho entre dois casais.

Alain:

- Fico lisonjeado pela confiança, Anton. Eu gostaria de saber mais sobre essa klaive perdida, e também havia alguns assuntos locais que gostaria de discutir com você, mas se a supremacia dos Presas de Prata e a segurança de Gaia estão ameaçadas , não há motivo para hesitar. Posso partir quando você quiser. Se quiser convocar mais garous, eu posso esperar e até sugerir alguns nomes. Mas se for da sua vontade, irei sozinho e imediatamente

Anton sorriu.

- Fico muito grato que participe, Triunfo de Gaia. E quando você regresse, falaremos dos assuntos locais e também sobre a klaive. Vocês partem em dois dias. Como disse, Oleg formou um pequeno exército de garous para atacar a cidade; não quer que a coisa se prolongue. Entre eles estão alguns que você conhece. Lembra-se de Ahmed ElFatih, o ahroun peregrino silencioso que se uniu a nós em Roda de Ptah, no Marrocos? Pois ele está, neste momento, em São Paulo para convidar sua irmã de tribo Shaira Passos na Areia a integrar a missão. Você também a conhece, esteve no Ritual da Longa Vigília. Outro veterano a participar é Lorcan Gealach, o philodox fianna. Esperamos que você e ele unam forças para fazer a paz entre as tribos beligerantes. Lorcan é um negociador experiente e, apesar de Oleg já contar com um philodox de nossa tribo, acreditamos que o seu talento e raça pura têm muito a contribuir, Alain.
Lorcan vive em Vancouver e o encarregamos de convidar Virgínia Aurora da Esperança, que também esteve no ritual. Ela é Filha de Gaia e lupina e esperamos que possa ajudar-lhes bastante no processo de paz.
E, por fim, chamamos Klauss Justiça de Prata, um dos jovens garous mais valorosos que conheço.
Se você tem algum nome mais que sugerir, pode dizer. Nunca haverá garous em excesso para esse tipo de missão.

Shaira:
- Ai, meu Deus, ele está falando em árabe! - sussurrou Cristina entre os dentes e fazendo um gesto gracioso de abanar-se. Shaira não sabia se ria ou se pedia a Gaia que o chão se abrisse sob seus pés.

-- nem ... 'ana khatawat fi alrramal (Sim... sou Passos na Areia). É um prazer conhece-lo, essa é minha prima Cristina... Estava... me procurando?

Ao ouvir seu nome, Cristina alvejou Ahmed com seu sorriso mais sedutor. O garou a observou e Shaira viu seu pomo de Adão subir e descer, conforme ele engolia saliva. Depois sentiu que uma nuvem de tristeza passava por seus olhos. Ahmed então limitou-se a saudar Cristina com uma amabilidade distante e prosseguiu:

- Sim, eu a estava procurando. Há uns dias conversei com Anton Uivo do Vento, ancião do caern Fonte Fria e ele me falou de você. Não lhe esconderei a verdade, Passos na Areia, eu sou um ahroun impuro do campo dos Caminhantes, o que faz de mim um mercenário. Estou a soldo de um presa de prata chamado Oleg Brado dos Justos, velho companheiro de matilha de Uivo do Vento. Oleg reuniu um bom número de garous para lutar contra os dançarinos da espiral negra que lhe tomaram o caern Casa de Pedra, na fronteira entre Rússia e Cazaquistão, e que continuam atacando sua gente.
Recentemente Oleg descobriu que existe toda uma aldeia de parentes dos dançarinos dando-lhes suporte, de onde vem sua inesgotável capacidade de luta.
Nossa missão, portanto, é arrasar essa aldeia até último miserável corrompido.
Agora você deve estar se perguntando porque eu vim procurá-la, não é mesmo?
Não sei se você sabe mas a Ásia Central é um dos lugares onde nossa tribo mais tem parentes e garous, devido aos diversos povos nômades que lá habitam. E é por isso que Oleg precisa de nós. É bem possível que entre os garous corrompidos haja peregrinos silenciosos usando o conhecimento de nossa tribo em prol da Wyrm. Devemos estar ali para combatê-los com suas próprias armas, se for preciso.
Eu sei que você não é muito experiente, Anton me contou. Mas nós precisamos de braços e, sobretudo, inteligência e você é uma ragabash. Por isso venho pedir-lhe que se una ao nosso pequeno exército. Já lutei ao lado de Oleg antes e posso lhe garantir que ele é tão honrado quanto generoso.  Além disso….


Ahmed inclinou-se em direção a Shaira, mergulhando seus ohos nos dela e sorrindo.

- … não estaria mal conhecer as intermináveis estepes asiáticas, não é mesmo?

Sem entender nada do que diziam, Cristina recostou-se na cadeira com um beicinho de ciúme.

Virgínia:
Virginia estava de volta ao Caern da Ultima Chance, onde seguia dedicando-se ao aprendizado da comunicação com as plantas.
Certo dia um filhote a chamou, dizendo havia um garou forasteiro querendo falar com ela. Virgínia acompanhou-o e foi deixada na companhia de um homem maduro, calvo, com um cavanhaque ruivo.

- Olá, eu me chamo Lorcan Gealach - disse ele cumprimentando-a - sou  philodox e adren dos Fianna. Soube de você através dos garous da seita Fonte Fria. Hum… vamos ver… por onde começo… Estou em missão junto à seita Casa de Pedra, de presas de pratas russos. Neste momento estamos formando um grupo de ataque a uma aldeia dominada por dançarinos da espiral negra e seus parentes, em território cazaque. Estes espirais negras tomaram o caern da seita Casa de Pedra há uns anos e continuam atacando-os, por isso vamos invadir a aldeia e exterminá-los a partir de sua raiz corrompida, de uma vez.
Bem, você deve estar se perguntando porque busco uma filha de Gaia para isso, não é mesmo?
A questão é que nosso principal aliado pediu, em troca de seu apoio, que nós o ajudássemos a resolver um conflito entre duas seitas, uma de Senhores das Sombras e outra de Garras Vermelhas, que disputam a posse de um rio em sua área de influência. Ja houve escaramuças entre entre garous e parentes das duas seitas e ninguém quer que sejam desperdiçadas mais vidas valiosas em uma luta interna quando temos tantos inimigos a combater. Sendo assim, estamos formando um grupo de philodox para tentar um acordo de paz entre as duas seitas. Conversava sobre isso com Anton Uivo do Vento e ele me falou que conhecia uma cliath theurge que era Filha de Gaia e lupina. Pareceu-nos uma boa idéia tê-la em nosso grupo de pacificadores, Virgínia. Talvez você consiga entender melhor o modo de pensar dos Garras Vermelhas que nós e possa e ajudar-nos a chegar a um acordo que os satisfaça.
Vou ser sincero com voce. As condições na Ásia Central são bastante duras e ninguém estará livre de combater contra os dançarinos da espiral negra. Mas se pudermos evitar esta guerra fratricida iminente, não estaremos apenas ajudando um aliado, mas salvando muitas vidas garous e prestando um serviço inestimável a Gaia.
Então? A missão lhe interessa? Tem alguma pergunta?


Lorcan ficou esperando a resposta de Virginia.

Hannah:
Hannah gritou o mais alto que pôde e então desatou a correr sem rumo certo. Não foi muito longe porém. Rapidamente os homens a alcançaram e trouxeram de volta à presença daquele monstro imenso. Alguns dos homens riam sem piedade e todos, sem exceção, observavam atentamente as reações da menina.

Hannah havia gritado e fugira mas podia olhar o monstro de frente e isso parecia agradá-los. Quando ela tranquilizou-se um pouco, mesmo contida pela presença física daqueles homens fortes e ágeis e do monstro, estes se entreolharam e balançaram a cabeça em aprovação. De algum modo estavam satisfeitos com sua reação e Hannah não entendia porque. Tudo o que estava acontecendo era muito estranho: aquele homem igual ao lobo assassino, o sequestro, a facilidade com que ele enganara as pessoas no cemitério, o modo como paralisou-a com um olhar, o monstruoso lobisomem, as inexplicáveis expectativas daqueles seres sendo atendidas por ela.

E esse era só o começo…

Hannah olhou para seu captor e viu que tinha uma espada nas mãos. Ele a perseguira com essa arma em punhos, mas Hannah não tinha a menor idéia de onde ela havia saído. E de igual forma ela desapareceu mais tarde, como tragada pelo corpo do homem.

Spoiler:

Iam usar um espada daquelas em uma simples garota? O que esperavam que acontecesse? Que temia aquela gente?

Hannah não concluiu seus pensamentos pois sentiu nova movimentação entre os homens. Agora pareciam se despedir de seu sequestrador. Dentre todos os sons, um se repetiu várias vezes e certamente era seu nome: Sboron.

O monstro também se foi e ficou apenas um homem alto e magro que ficou vigiando Hannah enquanto Sboron foi até o carro. Voltou com a mochila dela, que pôs nos ombros.  Em seguida, aproximou-se de Hannah e recitou algumas palavras ininteligíveis, franzindo o cenho ao dar-se conta de algo que ela não tinha idéia. Então tomou-a fortemente pelo braço.

O homem magro emitiu uma espécie de prece e, de novo, algo extraordinário ocorreu. Uma forma oval de cor azul e brilho cintilante começou a flutuar diante deles. Sboron recitou ele próprio algumas palavras e aumentou a pressão em seu braço. Então a forma ovalada expandiu-se e transformou-se em uma espécie de fenda translúcida na realidade circundante, que se abria para um túnel. Sboron forçou-a em direção ao brilhante portal e eles entraram no túnel. E de algum modo podiam caminhar dentro dele.

Hannah notou com espanto que quase toda sua roupa desaparecera. Estava apenas com as peças íntimas e o bracelete. Felizmente Sboron se via impassível, como se soubesse que aquilo iria ocorrer e não se interessasse nem um pouco pelas belas formas da jovem. Apenas mostrou curiosidade pelo bracelete de cobre. Observou-o um momento, estreitando os olhos e dizendo somente "hum…". Hannah, no entanto, sentia seu braço formigar sob a jóia. Para variar, um sentimento muito estranho tomava conta dela. Sentia como se aquele objeto tivesse "vida" e desejasse acompanhá-la para onde fosse.

Seguiam andando pelo túnel, cujas paredes tinham um brilho lunar. A sensação era de que ascendiam. Depois por algum tempo caminharam normalmente e então a sensação passou a ser de descida. A temperatura começou a baixar e Sboron tirou seu sobretudo e ofereceu-o a Hannah. Finalmente o portal se abriu outra vez e eles saíram para um lugar totalmente diferente.

A paisagem era uma longa planície que se estendia até umas colinas na linha do horizonte. Estava escuro mas uma tênue claridade indicava que em breve amanheceria. Era impossível! A noite mal começava quando estavam na Polônia e aquela curta caminhada no túnel não poderia ter levado a uma mudança de várias horas no fuso horário. Ou será que podia?

A recepção no lugar foi igual à da Polônia: um grupo de homens e, dessa vez, algumas mulheres os esperavam taciturnos. Felizmente não havia nenhum monstro de três metros entre eles mas sim alguns lobos. Após uma curta conversa em língua estranha e novos olhares avaliando Hannah, uma camioneta parou próxima a eles. Sboron indicou que embarcasse e Hannah não teve outra alternativa que obedecer. Agora sim que não tinha idéia de para onde fugir! Nem de onde estava. Talvez na Ásia, a julgar pelos olhos puxados de alguns dos homens. Mas seria isso possível?

Após umas duas horas de viagem, chegaram a uma propriedade rural.

Sboron e Hannah desceram do veículo. O dia já havia amanhecido e, para onde ela olhasse, havia o azul límpido de um céu não poluído e o amarelo da planície sem fim. Era bonito, apesar de tudo.

Uma mulher obesa usando uma saia comprida e um peculiar lenço na cabeça recebeu-os. A familiaridade com que se trataram fez Hannah pensar que talvez fosse a esposa de Sboron. Ele deu algumas explicações e, sobretudo, ordens à mulher em sua língua estranha e, então, desapareceu no interior da casa. A mulher, por sua vez, pôs as mãos na cintura e ficou encarando Hannah.

Spoiler:

Seu nome era Ogashka, mais tarde Hannah saberia. E ela não estava nem um pouco satisfeita com sua presença ali.


Última edição por Lua em Sex 15 Jul 2016 - 12:09, editado 3 vez(es) (Razão : Inclusão de posts para Alain, Shaira e Virgínia; Inclusão do post de Hannah, Corrigindo localização de Roda de Ptah.)


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Esta é uma obra de ficção. A menos que você seja um lobisomem, qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
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Re: ASIA CENTRAL II - A Estepe Selvagem

Mensagem  Klauss Krugger em Qui 14 Jul 2016 - 8:22

Aurora lhe contou que Julian ainda nao havia regressado e brincou, dizendo que, ao que parecia, nem o peregrino silencioso tinha pressa em deixar a estrada, nem o presa de prata em devolver-lhe o poder. Mas quando Klauss mencionou o desequilibrio interno de Fonte Fria, Aurora desviou o olhar e nao disse nada. Klauss teve a impressao de que a preferencia dela era por Anton, o que, considerando sua tribo, era mais uma mostra do quanto a seita estava dividida.


(Agora ja sei de que lado da balança pesa sua lealdade... Julian precisa se fortalecer novamente se até mesmo sua tribo da preferência aos presas de prata, por mais que a lealdade de Anton esteja com Julian, um lider enfraquecido sempre da lugar a um novo lider mais forte, espero que ele tenha sucesso em sua empreitada com os bastet.)

- Bem... - disse Aurora ao ouvir a proposta de ficar o resto do dia por la - Se eu lhe conheco, meu caro, se eu lhe disser que regresso imediatamente voce se sentira no dever de ir comigo. Assim que aceito o convite de ficar e partimos pela manha. E melhor que voce descanse uma tarde mais e de atencao a sua parente. Isso tambem faz parte das obrigacoes de um garou. Fico pelo seu bem, so por isso.

Aurora piscou um olho e sorriu.

- Alem disso, Raul ficara contente em nao estar mais sozinho entre dois casais.

*Pisco de volta*
-- Caso você me falasse que o grupo partiria imediatamente eu pegaria minha mochila e partiriamos imediatamente, mas como você não demonstrou tanta urgência...

*Voltamos junto aos demais e me junto a Virna no mar.*

-- Partiremos pela manhã... fui chamado para uma missão, vou para Russia, além da missão em si uma vila de Espirais Negras pelo que Aurora falou, Anton está preocupado com Nádia e como ele não pode deixar Fonte Fria pela ausencia de Julian-rya pediu que eu acompanhasse o grupo... se que você entende e se fosse permitido iria comigo... *fico em silencio por alguns segundos* como partimos pela manhã ainda temos um bom tempo juntos... você comentou de lugar para mergulho aqui e ainda não me mostrou...




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Re: ASIA CENTRAL II - A Estepe Selvagem

Mensagem  Alexyus em Sex 15 Jul 2016 - 11:10

Alaín assentiu com a cabeça a cada nome que ele dizia. Eram todos familiares a ele. Se um rei devia conhecer seus súditos, Triunfo de Gaia estava fazendo um bom trabalho em aumentar seu círculo de alianças.

- Eu me lembro de todos. São garous capazes e confiáveis. Lorcan pode ser uma boa escolha para chefiar a comitiva, e Klauss é um grande ahroun, um bom recurso potencial de dissuasão . Shaira é nova, mas os caminhos que um Peregrino Silencioso conhece são tantos quanto as estrelas dos céus. Ela pode se provar um bom guia. Virgínia é minha irmã de matilha, uma theurge pacífica e em comunhão com a natureza selvagem, com certeza teremos.os muito uso para ela, especialmente junto aos garras vermelhas. Posso tentar convocar outros de minha matilha, mas é quase certo que não chegarão aqui antes de partirmos. Venho tentando reuni-los há algum tempo, e essa pode ser uma boa ocasião para isso. Algo mais, Antón rhya?

Nos dois dias seguintes, Alaín faria seus preparativos para a viagem, dividindo seu tempo entre enviar .mensagens aos filhos do Falcão Peregrino, avisar Adele e Ariana de seu paradeiro, confirmar as providências para o caso de não retornar, e mimar Maysa. Ele sempre estava pronto para o caso de não sobreviver às missões garous, sempre deixava tudo perfeitamente organizado, mas Maysa ainda não sabia do que ele tinha planejado para ela. Iria tratar disso também.
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Re: ASIA CENTRAL II - A Estepe Selvagem

Mensagem  Yumih em Sab 16 Jul 2016 - 7:17

Em uma ação desesperada, sai correndo, pulei pedras e o que quer que fosse pelo caminho... Minha ótima visão noturna me ajudar a não cair, porem, não durou quase nada até que alguém me buscasse. Gritei mais ainda ao sentir o toque no ombro, pensando que aquele monstro havia me buscado! Porem, não sei se por sorte ou por azar, eram aqueles homens.
 
Quando percebi que eles me arrastaram para de volta, tive um pequeno chilique, gritava e esperneava! Me debatia e tentava chutar o que fosse... Diria que parecia um gato antes de ser jogado na água! Novamente me colocaram na presença daquele bicho, escutava as risadas me zombando, aquilo era humilhante! Mas o pavor me dominava... Afinal, o que iria acontecer? Iriam me matar e dar de sacrifício para ele? Ou pior? O tempo foi passando e minha energia foi acabando e eu me acalmando, logico, se até agora não fizeram nada, era inútil me debater.
 
Minha respiração estava agitada e não sabia se encarava o monstro ou os homens que me prendiam, mas estranhamente, notava uma aprovação naqueles desconhecidos. Se pudesse descrever aquele dia, diria que parecia mais um pesadelo sem pé nem cabeça, afinal, quem iria sequestrar uma órfão que não tinha nem onde cair morta e pior, porque sentia raiva do sequestrador e da onde tiraram aquele monstro? Deviam chamar o governo para estuda-la!
 
Já raciocinando, percebi uma espada, que surgiu do nada e desapareceu também do nada, se eu estava sonha que acordasse logo! Tentava me acostumar com aquela linguagem estranha, captar os sons mais familiares, percebi que existiam alguns que se repetiam e com a reação dos outros podia ligar como ser um nome! Quando me deixaram a sós com um homem, pensei em fugir... Mas em um breve movimento os olhos do homem já se fixaram em mim, acredito que não seria uma boa ideia fugir novamente. Fiquei feliz ao ver minha mochila, claro que foi uma ilusão que eles a entregasse a mim... Sboron se aproximou de mim e como se eu entendesse falou comigo ou para mim, fiz uma cara de deboche, como se ele realmente pensasse que eu iria entender do nada! Isso pareceu irrita-lo, pois ele voltou a me puxar pelo braço.
 
Quando vi uma espécie de portal, deduzi que estava sonhando, ainda mais quando percebi que estava seminua, acabei travando, querendo me cobrir... Mas o homem acabou me puxando com força, não sei se via como um ponto positivo ou ficava irritada com a falta de interesse! Única coisa que ele se interessou foi minha pulseira, também sentia algo diferente vindo dela como meu sentimento por ela, fosse correspondido e acabei escondendo o braço atrás do corpo, podiam me sequestrar e me deixar naquele estado, mas aquela joia só me matando para tirar!
 
Depois de um tempo sendo arrastada, já não lutava contra, apenas me distraia com as paredes, seu brilho era lindo e hipnotizante! Apenas quando começou a esfriar que voltei a resmungar e tentar me soltar, foi ai que o homem me ofereceu o sobretudo, não questionei! Coloquei fechando-o todo! Era maior que eu, mas quente e isso que importava. Quando saímos do túnel, o local era diferente tanto o horário, o amanhecer... Como assim?! Olhei para o homem e depois para o céu da manhã, eu devia ter batido a cabeça! Era impossível.
 
A recepção foi estranha como a anterior, mas desta vez algumas mulheres porem ainda não me agradava, os lobos andando envolta isso me irritava de certa forma... Minha mãe morreu pelos caninos de um lobo... Como simpatizar com tal criatura? Foi novamente obrigada a entrar em um carro, uma caminhonete desta vez... Brigar ou reclamar era perda de tempo e energia, afinal, iriam me buscar e me obrigar mesmo. Acabei dormindo no carro, estava exausta fisicamente e psicologicamente, talvez quando acordasse estaria em um quarto de hotel e tudo aquilo não passasse de um sonho maluco? Não... Acordei e aquele homem ainda estava do meu lado e eu vestindo o sobretudo dele.
 
Quando paramos, gostei do local, era lindo e o ar era puro... Por alguma razão já me acostumava com aquela bagunça e já me preparava para a próxima bizarrice. Por surpresa, não foi nada de mais, apenas uma senhora... Agora ela seria minha nova sequestradora? Vi Sboron se distanciar sem me arrastar, agora era ela quem iria me vigiar? Respirei fundo colocando as mãos nos bolsos enquanto ela colocava as mãos na cintura e me olhava , parecia não gostar da nova “hospede” na casa, como se eu me importasse! Se não me queria ali, me colocasse porta a fora que eu me daria por satisfeita!
 

O que? ― Resmunguei, já estava ficando farta de ser arrastada como uma boneca para lá e para cá ― Se não gostou vá reclamar com quem me sequestrou... ― Minha voz era irritada além de uma pitada de deboche. 



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Re: ASIA CENTRAL II - A Estepe Selvagem

Mensagem  Natalie em Sab 16 Jul 2016 - 11:11

Virginia estava de volta ao Caern da Ultima Chance, onde seguia dedicando-se ao aprendizado da comunicação com as plantas.
Certo dia um filhote a chamou, dizendo havia um garou forasteiro querendo falar com ela. Virgínia acompanhou-o e foi deixada na companhia de um homem maduro, calvo, com um cavanhaque ruivo.

- Olá, eu me chamo Lorcan Gealach - disse ele cumprimentando-a - sou philodox e adren dos Fianna. Soube de você através dos garous da seita Fonte Fria. Hum… vamos ver… por onde começo… Estou em missão junto à seita Casa de Pedra, de presas de pratas russos. Neste momento estamos formando um grupo de ataque a uma aldeia dominada por dançarinos da espiral negra e seus parentes, em território cazaque. Estes espirais negras tomaram o caern da seita Casa de Pedra há uns anos e continuam atacando-os, por isso vamos invadir a aldeia e exterminá-los a partir de sua raiz corrompida, de uma vez.
Bem, você deve estar se perguntando porque busco uma filha de Gaia para isso, não é mesmo?
A questão é que nosso principal aliado pediu, em troca de seu apoio, que nós o ajudássemos a resolver um conflito entre duas seitas, uma de Senhores das Sombras e outra de Garras Vermelhas, que disputam a posse de um rio em sua área de influência. Ja houve escaramuças entre entre garous e parentes das duas seitas e ninguém quer que sejam desperdiçadas mais vidas valiosas em uma luta interna quando temos tantos inimigos a combater. Sendo assim, estamos formando um grupo de philodox para tentar um acordo de paz entre as duas seitas. Conversava sobre isso com Anton Uivo do Vento e ele me falou que conhecia uma cliath theurge que era Filha de Gaia e lupina. Pareceu-nos uma boa idéia tê-la em nosso grupo de pacificadores, Virgínia. Talvez você consiga entender melhor o modo de pensar dos Garras Vermelhas que nós e possa e ajudar-nos a chegar a um acordo que os satisfaça.
Vou ser sincero com voce. As condições na Ásia Central são bastante duras e ninguém estará livre de combater contra os dançarinos da espiral negra. Mas se pudermos evitar esta guerra fratricida iminente, não estaremos apenas ajudando um aliado, mas salvando muitas vidas garous e prestando um serviço inestimável a Gaia.
Então? A missão lhe interessa? Tem alguma pergunta?

Lorcan ficou esperando a resposta de Virginia.

Virgínia ainda se lembrava da Fonte Fria e do seu totem com recados para os anciãos.

A história dele era bem preocupante. Ia ter bastante coisa pra fazer por lá.

Ela respondeu:

- Se precisa da minha ajuda para uma missão justa, você a terá.Quando iremos?


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Re: ASIA CENTRAL II - A Estepe Selvagem

Mensagem  Cetza em Sab 16 Jul 2016 - 18:13

- Sim, eu a estava procurando. Há uns dias conversei com Anton Uivo do Vento, ancião do caern Fonte Fria e ele me falou de você. Não lhe esconderei a verdade, Passos na Areia, eu sou um ahroun impuro do campo dos Caminhantes, o que faz de mim um mercenário. Estou a soldo de um presa de prata chamado Oleg Brado dos Justos, velho companheiro de matilha de Uivo do Vento. Oleg reuniu um bom número de garous para lutar contra os dançarinos da espiral negra que lhe tomaram o caern Casa de Pedra, na fronteira entre Rússia e Cazaquistão, e que continuam atacando sua gente.
Recentemente Oleg descobriu que existe toda uma aldeia de parentes dos dançarinos dando-lhes suporte, de onde vem sua inesgotável capacidade de luta.
Nossa missão, portanto, é arrasar essa aldeia até último miserável corrompido.
Agora você deve estar se perguntando porque eu vim procurá-la, não é mesmo?
Não sei se você sabe mas a Ásia Central é um dos lugares onde nossa tribo mais tem parentes e garous, devido aos diversos povos nômades que lá habitam. E é por isso que Oleg precisa de nós. É bem possível que entre os garous corrompidos haja peregrinos silenciosos usando o conhecimento de nossa tribo em prol da Wyrm. Devemos estar ali para combatê-los com suas próprias armas, se for preciso.
Eu sei que você não é muito experiente, Anton me contou. Mas nós precisamos de braços e, sobretudo, inteligência e você é uma ragabash. Por isso venho pedir-lhe que se una ao nosso pequeno exército. Já lutei ao lado de Oleg antes e posso lhe garantir que ele é tão honrado quanto generoso. Além disso….

" O que minha prima tem nessa cabeça... mas que vergonha. Então ele é um impuro.. isso é bem diferente... jamais tinha visto um...parece que as coisas estão ficando interessantes..."

Shaira se interessava pela conversa do impuro, era uma oportunidade de poder viajar e por os pés novamente em movimento além de conhecer um lugar diferente e ainda ela teria a oportunidade de proteger os seus parentes... os poucos parentes que os peregrinos possuíam. Shaíra devolvia o sorriso para Ahmed enquanto tentava arranjar um lugar para colocar as mãos que mais pareciam mais perdidas do que nunca.

--.... Claro... será uma honra ajudar os nossos parentes...e ...poder voltar a peregrinar... Ahmed... eu irei com você.

Shaíra voltava-se para a prima enciumada e lhe contava com relativo pesar em sua voz as novidades...ela ia partir.

-- Minha prima... tenho um trabalho numa terra bem longe daqui...irei para o Cazaquistão... com Ahmed, diga a tia que... agradeço por tudo que ela e você fizeram por mim... mas o meu espírito clama para que eu volte a peregrinar... espero que entenda minha amada prima... Eu amo vocês...

Shaíra pegava nas mãos de Cristina e as beijava, seus olhos estavam marejados porém em seus lábios havia um belo sorriso.. Finalmente seu espírito poderia voltar a sorrir e ser livre como antes.

-- Estou pronta Ahmed... Shaíra apertava a mão do garou com força, como se pudesse conseguir reunir alguma força..naquele momento tão difícil e importante.





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Re: ASIA CENTRAL II - A Estepe Selvagem

Mensagem  Lua em Seg 18 Jul 2016 - 2:15

Alain, Klauss, Shaira e Virgínia:
Alain tomou todas as providências que julgava necessárias e como era bastante eficiente e organizado ficou com um bom tempo livre para mimar Maysa. Ainda que vez por outra seu perfeccionismo o fizesse burilar algum detalhe de suas deliberações, pôde aproveitar a estadia naquele caern paradisíaco com sua doce e bela namorada como um verdadeiro rei.

Quando chegou o momento de partir sentia-se de ânimo recarregado para o que viesse.

Enquanto isso, em Paraty, Virna arrastava Klauss para a Praia do Pouso da Cajaíba, um pedaço do paraíso onde passaram o resto do dia aproveitando o sol e deslumbrando-se com a fauna submarina.

No dia seguinte partiram em um comboio formado pelas motos de Klauss e Raúl e o velho motorhome de Sidharta, um veículo absurdo que só podia caber na cabeça de um parente filho de Gaia meio hippie e uma peregrina silenciosa com sangue cigano e que, segundo Raúl, não deveria circular sem um bom theurge andarilhos do asfalto acompanhando-o.

A viagem levou muito mais tempo do que o normal e foi cheia contratempos, falhas mecânicas, piadas, palavrões e xiliques terminados em risadas, que ao fim, em vez de incomodar Klauss, fizeram com que ele se sentisse um garoto comum, vivendo uma das roubadas memoráveis de sua juventude.

Também voltou de alma nova para enfrentar a realidade de sua vida: era um guerreiro sobrenatural, preparando-se matar ou morrer em defesa de Gaia.

Alain e Klauss se reencontraram em Fonte Fria, pouco antes da abertura da ponte de lua que os levaria a Coração Oco, na Amazônia, o primeiro caern em sua rota rumo à Asia Central.

Virgínia teve dois dias para tomar providências e despedir-se antes que ela e Lorcan partissem rumo ao Caern Olho do Oeste, em São Francisco, ponto de início de sua viagem.

Ahmed e Shaira chegaram a Serpente do Brejo para tomar a primeira ponte de lua em seu caminho até a fronteira russo-cazaque.

O clima na seita parecia tenso e Shaira sentiu que os garous não tiravam os olhos de cima deles. Notou também que alguns olhavam Ahmed de cima a baixo, com uma mistura de desprezo e curiosidade mórbida por saber onde estava seu defeito. Ele nem se importava.

Caminharam pela ponte de lua em silêncio, cada um imerso em seus próprios pensamentos. Shaira recordava as despedidas. Houve tempo para que ela fosse à casa, organizasse suas coisas e dissesse adeus à sua tia e a Cristina. Foi uma despedida emocionante, em que a ragabash notou toda a estima que as duas tinham por ela. E surpreendeu-se ao ver sua prima, sempre irresponsável e interesseira, desfazer-se em lágrimas sinceras, dizendo-lhe que Shaira era a irmã que ela sempre quisera ter.

Uma lágrima veio aos olhos da peregrina silenciosa ao lembrar-se disso. Ahmed notou.

- Shaira. – disse ele – Vi que você se despediu de sua prima como se nunca mais fosse reencontrá-la mas não precisa ser assim. Somos peregrinos e você é bem jovem, ainda vai andar pelo mundo bastante tempo antes de mitigar um pouco a sede de ver coisas novas. Porém, com o tempo, mesmo nós vamos deixando essa loucura toda e acabamos por estabelecer rotas de caerns onde temos amigos e para os quais sempre regressamos. É mais produtivo. E, é claro, sempre poderemos ir a lugares diferentes entre uma visita e outra.

Assim, a menos que você esteja pretendendo morrer na Ásia Central - e neste caso, saiba que eu farei de tudo para impedir que isso ocorra - você sempre poderá regressar a São Paulo e reencontrar suas parentes.

Eu mesmo tenho um caern brasileiro em minha rota, em Florianópolis e sou amigo de Anton, de Fonte Fria.

Em nossa vida de peregrinos, dizemos adeus à maioria das pessoas que conhecemos mas para algumas você pode falar “até algum dia” e para um pequeno grupo, muito especial, dizer “até breve”.


****

Em diferentes momentos, todos chegaram ao caern Roda de Ptha, no Marrocos. Foram recebidos com amabilidade pelos garous locais e, como Lorcan disse que ainda faltava gente, hospedaram-se no Hotel du Jasmim, de propriedade de um garou ligado da seita e sua esposa parente. Após instalarem-se, foram a um café contíguo, dos mesmos donos, o Siduri´s Café.

Finalmente estavam todos juntos: Alain, Klauss, Virgínia, Lorcan, Shaira e Ahmed. Já podiam cumprimentar-se, comentar a missão que os aguardava ou simplesmente pôr a conversa em dia..
.

(livre para interações)

Hannah:

― O que? ― Resmunguei, já estava ficando farta de ser arrastada como uma boneca para lá e para cá ― Se não gostou vá reclamar com quem me sequestrou... ― Minha voz era irritada além de uma pitada de deboche.

Hannah mal terminou de falar e a mulherona já havia saltado sobre ela, com a intenção de socá-la.

rolagem:
Ogashka rolou 3 dados de 10 lados com dificuldade 6 para Dar um Soco e obteve: 1 8 9 
Ogashka obteve 1 sucesso!

Hannah rolou 8 dados de 10 lados com dificuldade 6 para Esquivar e obteve: 8 3 4 2 6 1 5 6 
Hannah obteve 2 sucessos!

Ogashka aplicou bem o golpe mas Hannah foi mais rápida em esquivar-se e a mulher acabou socando o ar. Então Hannah teve um segundo para pensar enquanto Ogashka recuperava o equilíbrio do corpanzil. O que faria ela?


Off.:
Tomei por você a decisão de esquivar-se (que é a clássica) para pôr a sequência do primeiro ataque toda de uma vez e ficar mais claro. A partir daqui é você quem decide o que fazer! Smile.


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Re: ASIA CENTRAL II - A Estepe Selvagem

Mensagem  Cetza em Seg 18 Jul 2016 - 8:49

- Shaira. – disse ele – Vi que você se despediu de sua prima como se nunca mais fosse reencontrá-la mas não precisa ser assim. Somos peregrinos e você é bem jovem, ainda vai andar pelo mundo bastante tempo antes de mitigar um pouco a sede de ver coisas novas. Porém, com o tempo, mesmo nós vamos deixando essa loucura toda e acabamos por estabelecer rotas de caerns onde temos amigos e para os quais sempre regressamos. É mais produtivo. E, é claro, sempre poderemos ir a lugares diferentes entre uma visita e outra.

Assim, a menos que você esteja pretendendo morrer na Ásia Central - e neste caso, saiba que eu farei de tudo para impedir que isso ocorra - você sempre poderá regressar a São Paulo e reencontrar suas parentes.

Eu mesmo tenho um caern brasileiro em minha rota, em Florianópolis e sou amigo de Anton, de Fonte Fria.

Em nossa vida de peregrinos, dizemos adeus à maioria das pessoas que conhecemos mas para algumas você pode falar “até algum dia” e para um pequeno grupo, muito especial, dizer “até breve”.

Shaira sorria levemente para Ahmed, via não somente sabedoria em suas palavras como também carinho e alento reconfortante que tornava cada passo rumo ao desconhecido como uma pequena aventura agradável. A jovem notava o clima hostil em Serpente do Brejo e buscava em Ahmed um pouco de conforto amigável, ela se aninhava ao seu lado e segurava em sua mão com força lançando-lhe um olhar entristecido.

-- Minha primeira viajem... foi como refugiada de guerra seguida de uma travessia solitária pelo deserto... e logo em seguida me fora oferecida o conforto de um lar... Para mim...é muito difícil...

As palavras de Ahmed eram reconfortantes para a jovem que logo a deixavam um pouco sem graça porém bastante contente, ela se apegava ao braço do impuro sorrindo, já que uma promessa de daquele tipo não se ouvia todo os dias.

-- .... É verdade...devia ter dito um 'até breve' para eles... e... muito obrigada... Ahmed... eu também faria o mesmo por você...

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Em diferentes momentos, todos chegaram ao caern Roda de Ptha, no Marrocos. Foram recebidos com amabilidade pelos garous locais e, como Lorcan disse que ainda faltava gente, hospedaram-se no Hotel du Jasmim, de propriedade de um garou ligado da seita e sua esposa parente. Após instalarem-se, foram a um café contíguo, dos mesmos donos, o Siduri´s Café.

Finalmente estavam todos juntos: Alain, Klauss, Virgínia, Lorcan, Shaira e Ahmed. Já podiam cumprimentar-se, comentar a missão que os aguardava ou simplesmente pôr a conversa em dia...

No Marrocos, a jovem se sentia quase em casa já que aquele país faia fronteira com a Argélia e a Tunísia ficava logo depois uma travessia pelo deserto. A jovem fazia questão de usar suas roupas tradicionais ao descer para tomar café com os demais campainheiros de e de coração, ela fazia questão de ficar ao lado de Ahmed pois se sentia mal ele se tratado daquele jeito por ser impuro. Ao encontrar os antigos amigos, Shaíra abria os braços para abraçar Virgínia e lhe dando acalorado 'oi'.

-- Ahlan sadiqati!!! Como tem passado... senti a falta de vocês... Shaíra voltava-se para os homens do grupo e sempre sorrindo os cumprimentava. -- Ahlan Sadiqi, para todos... Essa terra é a terra dos meus antepassados, sintam-se em casa e.. se precisarem de algo... adorarei ser a guia de vocês amigos. Shaíra voltava-se para Virginia e pegava em sua mão. -- Tenho... uns 'look' bem legais para você... se quiser umas roupas ou umas dicas de como se vestir sem chamar tanta atenção.. pode contar comigo.


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Re: ASIA CENTRAL II - A Estepe Selvagem

Mensagem  Yumih em Ter 19 Jul 2016 - 16:35

Acredito que tenha sido por instinto, pois mal vi quando fui atacada! Se já estava irritada, aquilo só serviu para liberar minha raiva! Senti meu sangue ferver e parti para cima... Nunca fui de ter muita paciência, mas ultimamente acabo por ter menos paciência ainda...
 

Flexionei os joelhos e corri para passar por ela, não queria fugir, mas sim chegar por trás... Não me venha falar que atacar por trás seja trapaça! Fui sequestrada e ainda agredida do nada, ainda quer que eu jogue limpo? Girei o corpo chutando atrás do joelho dela, para faze-la cair de joelhos e perder o equilíbrio, seria mais fácil para acertar na cabeça e tentar faze-la desmaiar.



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Re: ASIA CENTRAL II - A Estepe Selvagem

Mensagem  Klauss Krugger em Qua 20 Jul 2016 - 10:04

Enquanto isso, em Paraty, Virna arrastava Klauss para a Praia do Pouso da Cajaíba, um pedaço do paraíso onde passaram o resto do dia aproveitando o sol e deslumbrando-se com a fauna submarina.

No dia seguinte partiram em um comboio formado pelas motos de Klauss e Raúl e o velho motorhome de Sidharta, um veículo absurdo que só podia caber na cabeça de um parente filho de Gaia meio hippie e uma peregrina silenciosa com sangue cigano e que, segundo Raúl, não deveria circular sem um bom theurge andarilhos do asfalto acompanhando-o.

A viagem levou muito mais tempo do que o normal e foi cheia contratempos, falhas mecânicas, piadas, palavrões e xiliques terminados em risadas, que ao fim, em vez de incomodar Klauss, fizeram com que ele se sentisse um garoto comum, vivendo uma das roubadas memoráveis de sua juventude.

Também voltou de alma nova para enfrentar a realidade de sua vida: era um guerreiro sobrenatural, preparando-se matar ou morrer em defesa de Gaia.

Alain e Klauss se reencontraram em Fonte Fria, pouco antes da abertura da ponte de lua que os levaria a Coração Oco, na Amazônia, o primeiro caern em sua rota rumo à Asia Central.

*A volta até Fonte Fria foi tão divertida quanto a estada naquele paraíso, agora as responsabilidades voltavam a ativa. Fico as ultimas horas com Virna enquanto preparo minhas roupas dedicadas e limpo Presa de Fenris, já que a viagem seria através de Pontes da Lua, não adiantaria arrumar bagagem alguma, encontro com Alain pouco antes de entrar na ponte da lua, cumprimento-o e iniciamos as corridas atráves dela. Após algumas pontes chegamos ao caern Roda de Pyta, sendo recep´cionados pelo locais e por Lorcan que ainda disse que faltavam mais garou ao grupo e nos hospedaram num hotel de um dos garou da seita ao nos reunirmos no café também pertecente ao garou podemos nos reunir novamente.*

Shaira escreveu:-- Ahlan sadiqati!!! Como tem passado... senti a falta de vocês... Shaíra voltava-se para os homens do grupo e sempre sorrindo os cumprimentava. -- Ahlan Sadiqi, para todos... Essa terra é a terra dos meus antepassados, sintam-se em casa e.. se precisarem de algo... adorarei ser a guia de vocês amigos. Shaíra voltava-se para Virginia e pegava em sua mão. -- Tenho... uns 'look' bem legais para você... se quiser umas roupas ou umas dicas de como se vestir sem chamar tanta atenção.. pode contar comigo.

-- Obrigado pela recepção Shaira... *Klauss a cumprimentava enquanto se sentava e provava o café*... e será muito bom ter um guia que conhece a região... *volta-me para Alain* então Triunfo de Gaia... já combateu nessa região antes... oq eu podemos esperar dessa missão?


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Re: ASIA CENTRAL II - A Estepe Selvagem

Mensagem  Alexyus em Qua 20 Jul 2016 - 18:41

ANTES

Alaín passara dias cuidando de cada detalhe dos negócios humanos e garous ao seu alcance. Emitira ordens para os advogados da família, preparara seu testamento, dispusera cláusulas para cada ação administrativa no patrimônio da família em caso de ausência prolongada de sua parte. Também enviara mensagens aos irmãos de matilha, estivessem onde estivessem. Informou a Casa Coração Irrompível e também a Casa da Lua Crescente sobre sua ida à Ásia Central.

Mas o principal assunto dele era sempre Maysa. Alaín andava sempre perto dela, mesmo quando não estava com ela. Interessava-se por cada detalhe da rotina dela, perguntava como tinha sido cada dia, hora e momento de Maysa, ouvi atentamente cada opinião, pensamento e impressão dela. Aconselhava-a cautelosamente, de modo a não cometer nenhum erro. Não apenas porque planejava aportar recursos no haras, mas também porque a amava verdadeiramente. Nunca se cansava de olhar para ela e isso só aumentava suas preocupações de como iria legitimar um casamento com Maysa perante as casas dos Presas de Prata. Ele se certificava de avisá-la sempre que podia contra Estevão e sua ética deturpada. Também procurava entender a crise política que acometera a seita recentemente. Mas a maior parte do tempo era dedicada a fazer-lhe as vontades, cobri-las de elogios e apertá-la em seus braços.

Os dias passaram rápidos e fugidios, roubando-lhe os momentos que ele pensara ainda ter com ela. Embora tivesse revigorado seu ânimo e soubesse mais do que nunca pelo que precisava lutar e triunfar (voltar para Maysa), olhar para seu rosto, procurando gravar cada traço das feições dela antes de partir para uma demanda de que talvez não retornasse era uma das coisas mais difíceis da vida ele. Teve que concentrar-se para impedir qualquer lágrima de ameaçar brotar. Ele já tinha dito tudo que precisava dizer, ela sabia tudo que precisava saber, e não havia instruções nem ordens atrás das quais Alaín pudesse esconder suas palavras de afeto. Abraçou-a olhando em seus olhos e falou:

- Eu parto agora na esperança de voltar, mas a cada minuto pensarei em você, e seu rosto estará à minha frente até meu último momento de vida. Eu a amo, Maysa Dibh, e se voltar a vê-la, nunca mais a deixarei longe de mim. Adeus.

Alaín beijou-a uma última vez e largou-a, virando-se rapidamente para se juntar aos outros.

Junto com Triunfo-de-Gaia e os garous de Fonte Fria, chegou o velho inimamigo dele, Klauss Krugger. Não houve tempo para mais do que um cumprimento antes de abrirem a Ponte da Lua e iniciarem a viagem até Coração Oco, sua primeira conexão à caminho da Casa de Pedra.

AGORA

No Marrocos, no caern da Roda de Ptah, finalmente a comitiva reuniu todos os seus membros pela primeira vez. Triunfo-de-Gaia encontrava tudo como ainda se lembrava, mas agora na companhia de muitas pessoas diferentes e com um objetivo muito mais claro. Klauss, Virgínia, Lorcan, Shaira e Ahmed. Alaín olhou a todos enquanto esperavam por aquele horrível café marroquino que eram obrigados a beber naquela região. Estava imerso nas próprias reminiscências quando falaram com ele.

-- Obrigado pela recepção Shaira... *Klauss a cumprimentava enquanto se sentava e provava o café*... e será muito bom ter um guia que conhece a região... *volta-me para Alain* então Triunfo de Gaia... já combateu nessa região antes... oq eu podemos esperar dessa missão?

Alaín endireitou-se na cadeira e assumiu a preleção:

- Eu e Lorcan já estivemos juntos aqui e na Ásia também. Havia outros garous conosco, e muitos se perderam para sempre. O terreno é quase macio, mas o clima é inclemente. Se houver neve, teremos que redobrar a atenção, pois a paisagem prega peças em nossa imaginação e nos distrai dos verdadeiros perigos. Há espíritos da natureza poderosos naquelas paragens, mas a maioria não confia nos garous após a queda do caern, e mesmo nossa retomada pode não tê-los pacificado de todo. A presença de Dançarinos da Espiral Negra e de parentes deles significa que eles podem estar em qualquer parte do caminho. Se a luta for parecida com a anterior que nós travamos, haverá longas jornadas, combates em campos abertos e locais fechados, tocaias e emboscadas. Relembrando os problemas que tivemos da outra vez, meus conselhos são: ao lutar, batam pesado e sem dó; confiem e apóiem seus aliados, mantenham a unidade intacta; não fujam nem se separem, pois sozinhos somos presas e não predadores. Se chegarmos ao momento da diplomacia, eu me juntarei aos presas de prata na arbitragem dos conflitos, e peço que me apóiem. Mas estamos numa zona de conflito, portanto Klauss deve ser nosso líder  de guerra, então sigam-no o melhor que puderem.
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Re: ASIA CENTRAL II - A Estepe Selvagem

Mensagem  Klauss Krugger em Qua 20 Jul 2016 - 20:05

- Eu e Lorcan já estivemos juntos aqui e na Ásia também. Havia outros garous conosco, e muitos se perderam para sempre. O terreno é quase macio, mas o clima é inclemente. Se houver neve, teremos que redobrar a atenção, pois a paisagem prega peças em nossa imaginação e nos distrai dos verdadeiros perigos. Há espíritos da natureza poderosos naquelas paragens, mas a maioria não confia nos garous após a queda do caern, e mesmo nossa retomada pode não tê-los pacificado de todo. A presença de Dançarinos da Espiral Negra e de parentes deles significa que eles podem estar em qualquer parte do caminho. Se a luta for parecida com a anterior que nós travamos, haverá longas jornadas, combates em campos abertos e locais fechados, tocaias e emboscadas. Relembrando os problemas que tivemos da outra vez, meus conselhos são: ao lutar, batam pesado e sem dó; confiem e apóiem seus aliados, mantenham a unidade intacta; não fujam nem se separem, pois sozinhos somos presas e não predadores. Se chegarmos ao momento da diplomacia, eu me juntarei aos presas de prata na arbitragem dos conflitos, e peço que me apóiem. Mas estamos numa zona de conflito, portanto Klauss deve ser nosso líder de guerra, então sigam-no o melhor que puderem.

*Era um voto inesperado vindo de Alain e como tal devia ser retribuido a altura.*

-- Caso nós fiquemos na mesma unidade, o que acho bem improvável, pois até onde foi informado além do conflito com os espirais, há um conflito intertribal, caso sejamos deslocados para o conflito inter-tribal a liderança sem sombra de duvida deve ser de Alain, pois ja se provou como um ótimo diplomata, embora houvessem discordancias em alguns pontos seus métodos mostraram-se eficazes para resolver os momentos de crise. E como Alain disse sempre confiem uns nos outros independente da situação, acredito que em alguns momentos teremos apenas a nós mesmo.


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Re: ASIA CENTRAL II - A Estepe Selvagem

Mensagem  Lua em Qui 21 Jul 2016 - 12:26

Alain, Klauss, Shaira e Virgínia:
Os garous convocados para a missão finalmente se reuniam no Siduri’s Café.

Shaira chegou acompanhada de Ahmed e iniciou as saudações, abraçando Virgínia, cumprimentando a todos e oferecendo trajes tradicionais para a theurge, a fim de não chamar demasiada atenção na cidade.

Também ofereceu guiar os demais garous pelo local. Klauss agradeceu-lhe e iniciou uma conversação com seu amigo e rival Triunfo de Gaia.


já combateu nessa região antes... oq eu podemos esperar dessa missão?


Alain despertou de suas reminiscências e respondeu:


- Eu e Lorcan já estivemos juntos aqui e na Ásia também. Havia outros garous conosco, e muitos se perderam para sempre. O terreno é quase macio, mas o clima é inclemente. Se houver neve, teremos que redobrar a atenção, pois a paisagem prega peças em nossa imaginação e nos distrai dos verdadeiros perigos. Há espíritos da natureza poderosos naquelas paragens, mas a maioria não confia nos garous após a queda do caern, e mesmo nossa retomada pode não tê-los pacificado de todo. A presença de Dançarinos da Espiral Negra e de parentes deles significa que eles podem estar em qualquer parte do caminho. Se a luta for parecida com a anterior que nós travamos, haverá longas jornadas, combates em campos abertos e locais fechados, tocaias e emboscadas. Relembrando os problemas que tivemos da outra vez, meus conselhos são: ao lutar, batam pesado e sem dó; confiem e apóiem seus aliados, mantenham a unidade intacta; não fujam nem se separem, pois sozinhos somos presas e não predadores. Se chegarmos ao momento da diplomacia, eu me juntarei aos presas de prata na arbitragem dos conflitos, e peço que me apóiem. Mas estamos numa zona de conflito, portanto Klauss deve ser nosso líder  de guerra, então sigam-no o melhor que puderem.


O voto de confiança surpreendeu a Klauss, que disse:


-- Caso nós fiquemos na mesma unidade, o que acho bem improvável, pois até onde foi informado além do conflito com os espirais, há um conflito intertribal, caso sejamos deslocados para o conflito inter-tribal a liderança sem sombra de duvida deve ser de Alain, pois ja se provou como um ótimo diplomata, embora houvessem discordancias em alguns pontos seus métodos mostraram-se eficazes para resolver os momentos de crise. E como Alain disse sempre confiem uns nos outros independente da situação, acredito que em alguns momentos teremos apenas a nós mesmo.


Lorcan, que estivera assentindo com a cabeça durante a fala de Alain, inteveio:

- Pelo que Oleg me falou da missão, você ficarão na mesma unidade, sob o comando de Oleg. Iremos combater toda uma aldeia, ou cidadela, como queiram, de parentes de espirais negras e muitos dos próprios. Uma coisa que foi decididada é que o ataque será rápido e intenso. Não queremos que cheguem reforços. A aldeia deve ser varrida a ponto de não valer a pena para os espirais negras cazaques tentarem tomá-la de volta. Por isso um grande contingente de garous foi formado, sob a liderança do rei Vlad, um ancião presa de prata muito proeminente na região.
Haverá outras unidades. Duas delas vem das seitas inimistadas. Uma de senhores das sombras, sob o comando do líder Mordvin e outra, de garras vermelhas, sob a liderança de seu ancião alpha, Volovan.
Acima de tudo, somos garous e todos na região sofrem com um inimigo maior, os dançarinos da espiral negra. Esse é o objetivo primordiall e nosso primeiro desafio.
Em seguida, virá tentar a paz. A idéia do rei Vlad é aproveitar os sentimentos de confiança e camaradagem motivados pela luta em conjunto para facilitar um acordo entre os líderes. Neste momento o “corpo diplomático” se unirá para convencê-los.
Todos participaram do combate, dentro de suas habilidades. Um exército não se compõe só de guerreiros, necessitamos de espiões e batedores, gente para resgatar e atender aos feridos, etc.
É uma oportunidade interessante. A menos que vá à Guerra da Amazônia, poucas vezes um garou tem a chance de lutar dessa maneira.


Todos prestavam atenção às palavras de Lorcan quando sentiram que Ahmed se virava em direção à entrade do Café e exclamava:

-  Goooorda indecente!

- Bastardo deforme! – gritou uma mulher grande e roliça que vinha em direção a eles.

Ahmed e a mulher se abraçaram carinhosamente.

- Não pensei que veria sua cara feia de novo! – disse Ahmed.

- Nem eu esse seu traseiro bonito. – riu-se a gorducha, beliscando-o.

Depois da insólita conversa, vieram as apresentações. Ela era Leyda, uma fúria negra ragabash que participara do resgate das parentes de Casa de Pedra. Ela e Ahmed haviam se tornado grandes amigos nos meses seguintes à missão e tinham um modo peculiar de tratar-se entre eles. Frases que resultariam em morte se ditas por qualquer outro garou, para os dois amigos eram expressão de carinho.

Leyda:

- Hey, eu me lembro de você. – disse ela para Alain – Nós juntos salvamos Anton Uivo do Vento de morrer afogado sob o gelo quando lutou contra aquele espírito aquático, não foi?

Depois Leyda entregou uma caixa finamente adornada a Lorcan, que sorriu satisfeito ao abri-la. O fianna explicou:

- Aqui temos o fetiche para o cheminage que estamos devendo por nossa recepção no caern. Tenho que regressar à Mesquita de Anfa para entregá-lo ao Vigia e depois vou me encontrar o arquivista, um cargo que só existe na seita Roda de Ptha. Posso levar um de vocês comigo, se alguém quiser me acompanhar e conhecer melhor o lugar.

Quando chegou o cardápio, nova expressão de alegria de Ahmed. O menu foi entregue pelos próprios donos, Max e Siduri Capra, que eram conhecidos do peregrino silencioso.

menu:
Shawarma (fatias finas de frango ou carne de vaca assados em um espeto vertical e servidas no pão sírio com legumes e outros acompanhamentos)

Mjadra (lentilhas e arroz e decorado com fatias fritas de cebola)

Kebab shish (pequenas brochetes de carne e vegetais, assadas na grelha ou na chapa)

Baba ghanoush (salada feita de purê de berinjela assada ou grelhada, pasta de gergelim e suco de limão)

Hamburguer e fritas

Filé com batatas


Ambos foram gentis e conversaram um pouco com os garous à mesa. Ao saber que eles estiveram no Brasil, Max falou:

- Sempre chegam garous de lá. A maioria contando vantagens sobre sua participação na Amazônia mas muitos me falam da culinária do país e me perguntam se não sei preparar algum prato de que têm “saudade”, é essa a palavras, não? Será que algum de vocês não conhece uma receita local, por mais simples que seja, que possa ensinar a Siduri? Ficaríamos muito gratos!

Ao final da refeição, Ahmed falou em voz baixa para Leyda:

- A noite é uma criança!… E aí? Vamos para lá… como da outra vez?

Lorcan deu-lhes um olhar capaz de furar uma parede. Ahmed irritou-se e respondeu:

- Que está pensando, fianna malicioso? Eu a convido a um ponto de encontro de garous de minha tribo em Casablanca. Só se pode entrar se for peregrino silencioso ou estiver acompanhado de um. Eu levei Leyda uma vez e nos divertimos com as histórias, informações e fofocas de minha gente, só isso.  Jamais cometeria o mesmo crime de que minha existência resulta, se é isso que tem em mente!

Ahmed fechou a cara, ofendido.

- Obrigada pelo convite, Ahmed. – disse Leyda afagando-lhe o braço – Eu adoraria visitar aquele “antro” novamente mas prometi ajudar em um ritual na mesquita. Um theurge está realizando um ritual de abertura de caern particularmente difícil pois a questão que vai perguntar a Ptha é muito complexa. Pediu aos garous que tenham algum conhecimento de rituais o ajudem. Eu vou dar minha colaboração. Aliás, se alguém quiser vir comigo, está convidado.

- Fiquei sem companhia, então… - lamentou-se Ahmed. - Se você não fosse um idiota que pega no meu pé desde a outra missão, Lorcan, eu poderia levá-lo comigo. Mas isso é um privilégio para um garou de minha tribo e ainda mais para algúem de outra. Poucos o desfrutam e eu não lhe darei o gosto. Agora, se algum dos presentes quiser me acompanhar e conhecer um dos bares garous mais fascinantes do mundo, terei o maior prazer em levá-lo!

O philodox fianna fez cara de paisagem mas era obvio que estava desapontado por não conhecer o bar.

- Como queira. – disse com altivez.


(Escolham com que garou querem ir: Max, Lorcan, Leyda ou Ahmed. Só um por garou e quem quiser fazer outra coisa está livre. O convite da Leyda requer ter ao menos 1 ponto no conhecimento rituais.)

Hannah:
Enquanto Ogashka recuperava o equilíbrio, Hannah tentou correr e, com um giro de corpo, posicionar-se atrás dela antes que pudesse reagir.

Rolagem:
(destreza + esportes, dif. 7)
Hannah rolou 5 dados de 10 lados com dificuldade 7 para Manobra Especial e obteve: 6 5 2 1 3
Hannah obteve -1 crítico!

Hannah era muito habilidosa e ágil mas algo saiu errado! Quando tentou girar o corpo, acabou derrubando um móvel e se não fosse por seu excepcional equilíbrio, teria caído ela também no chão. Ogashka lançou-se sobre Hannah, tentando engalfinhar-se e aplicar-lhe uma chave.

Rolagem:
(força + briga, dif. 6)
Ogashka rolou 5 dados de 10 lados com dificuldade 6 para Manobra Especial e obteve: 6 1 1 3 8
Que pena, Ogashka não obteve sucesso!

As habilidades de luta de Ogashka não eram de se desprezar mas mesmo assim ela não conseguiu dar a chave em Hannah, que safou-se empurrando-a. O barulho que tinham feito ao derrubar o móvel havia despertado quatro garotos que, de pijamas, começaram a gritar em sua língua natal, como uma espécie de torcida para Ogashka. A única palavra que Hannah entendeu foi: mamá!

A obesa senhora animou-se e já estava a ponto de atacar novamente quando Sboron apareceu e interrompeu a briga. Falou com dureza para Ogashka mas essa começou a apontar Hannah e os filhos, queixando-se e gesticulando sem parar. Dava a impressão de Hannah, a garota sequestrada, é que era a ameaça!

Sboron acabou aborrecendo-se e encarando a esposa com aqueles olhos amarelos e assustadores. As crianças se esconderam. Então ele deu uma ordem e Ogashka aceitou, submissa, colocando toda sua raiva e frustração em um olhar dirigido a Hannah.

Em seguida a mulher levou-a a um quartinho pequeno e gelado e entregou-lhe uma camisola puída, dois vestidos velhos e descorados e um par de sapatos, igualmente gastos.

A casa ficou em silêncio e Hannah não teve outra saída que deitar-se na cama dura e dormir, sem jantar.

****

Na manhã seguinte, seu estômago despertou-a. E não deixou mais de dar seus recados.

Hannah conheceu a fome.

Não era que a comida fosse insuficiente mas era inadequada para ela. Por mais que comesse sopas e cozidos de vegetais, não se sentia satisfeita, necessitava de carne para sustentar-se.

No almoço havia carne e era bem gostosa: pedaços de cordeiro assado e um guisado que ela não conhecia mas quando foi servir-se novamente, Ogashka olhou-a como se um pedaço a mais no prato de Hannah significasse matar de fome seus quatro rebentos rechonchudos. Depois colocou tudo o que sobrava da carne nos pratos dos filhos, que já estavam cheios.

Não havia como informá-los de que ela era um ser essencialmente carnívoro e, ainda que pudesse fazê-lo, duvidava de que Ogashka a compreendesse.

Passou o dia com o estômago roncando.

De noite, quando levava seu pratos para lavar após o jantar, viu que Ogashka ainda não havia dado os restos do cabrito que cozinhara para os cachorros - grandes mastins que só temiam a Sboron. Era a comida deles mas a boca de Hannah salivou. Havia ainda muita carne recobrindo os ossos e o cheiro da carne crua em vez de afastá-la, seduziu-a.

Mas era a comida dos cachorros. Era humilhante e, mesmo assim, se Ogashka descobrisse ficaria furiosa. A fome, porém, era tão grande que a fazia considerar essa hipótese e sugeria uma ainda mais atrevida: roubar a dispensa.

Atrás de uma porta na cozinha ficava um paraíso de embutidos, linguiças e carne seca. Era bem mais difícil que a carne crua sobre a pia, pois teria que voltar a sala de jantar onde estava a família e furtivamente, pegar a chave que ficava em uma gaveta mas estaria roubando a comida de Ogashka em vez da dos cachorros e o botim era mais suculento e variado. Q~ue faria?

Eram duas alternativas atraentes. E finalmente havia uma terceira: ir dormir com honestidade… e fome.


Última edição por Lua em Sex 22 Jul 2016 - 7:44, editado 1 vez(es) (Razão : Correção no post de Hannah)


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Re: ASIA CENTRAL II - A Estepe Selvagem

Mensagem  Alexyus em Qui 21 Jul 2016 - 18:58

O voto de confiança surpreendeu a Klauss, que disse:

-- Caso nós fiquemos na mesma unidade, o que acho bem improvável, pois até onde foi informado além do conflito com os espirais, há um conflito intertribal, caso sejamos deslocados para o conflito inter-tribal a liderança sem sombra de duvida deve ser de Alain, pois ja se provou como um ótimo diplomata, embora houvessem discordancias em alguns pontos seus métodos mostraram-se eficazes para resolver os momentos de crise. E como Alain disse sempre confiem uns nos outros independente da situação, acredito que em alguns momentos teremos apenas a nós mesmo.

Alaín já ia responder quando Lorcan se adiantou. Ele permaneceu calado, arquivando mentalmente cada nova informação que o fianna trazia que ele ainda não conhecia.

"Bem como eu imaginava... Uma confluência de forças inspiradora, mas que precisa ser manejada corretamente para não acabar em conflitos fratricidas nascidos internamente. Os Espirais serão nossos menores problemas, que Gaia tenha piedade de nós!"

A reação de Ahmed no meio de um assunto tão importante fez Alaín achar que ele tinha subitamente sucumbido à alguma Harano histérica, mas alguém respondeu à provocação dele. Alaín se lembrava vagamente de Leyda, mas não imaginava que ela tivesse travado essa relação com Ahmed tão... excêntrica.

- Hey, eu me lembro de você. – disse ela para Alain – Nós juntos salvamos Anton Uivo do Vento de morrer afogado sob o gelo quando lutou contra aquele espírito aquático, não foi?

- Exato. Eu era um cliath então. Que bom reencontrá-la, Leyda.

Quando chegou o cardápio, nova expressão de alegria de Ahmed. O menu foi entregue pelos próprios donos, Max e Siduri Capra, que eram conhecidos do peregrino silencioso.

Ambos foram gentis e conversaram um pouco com os garous à mesa. Ao saber que eles estiveram no Brasil, Max falou:

- Sempre chegam garous de lá. A maioria contando vantagens sobre sua participação na Amazônia mas muitos me falam da culinária do país e me perguntam se não sei preparar algum prato de que têm “saudade”, é essa a palavras, não? Será que algum de vocês não conhece uma receita local, por mais simples que seja, que possa ensinar a Siduri? Ficaríamos muito gratos!

Alaín cumprimentou os anfitriões e agradeceu a acolhida. Acabou por escolher o kebab. À pergunta deles, ele respondeu:

- O país é enorme, meus caros, e há várias culinárias típicas de cada parte dele. Eles tem influências indígenas, africanas e de vários imigrantes europeus e asiáticos. Há uma família de Fonte Fria que prepara comida libanesa, mesmo vivendo há gerações no Brasil. Não sei nada de cozinha, mas se tivermos suceso, trarei-a aqui para cozinhar com vocês. Ela ficaria deliciada.

A desconfiança de Lorcan sobre as andanças de Ahmed e Leyda ecoou em Alaín, e ele viu-e ativando a Verdade de Gaia quando ele respondeu. Mas por mais que fosse o bar garou algo exótico, Alaín preferia os compromissos oficiais. Mas o tal ritual era coisa para garous mais espiritualizados que ele. Ele virou-se para Lorcan e disse:

- Ficaria feliz de acompanhá-lo, meu amigo.
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Re: ASIA CENTRAL II - A Estepe Selvagem

Mensagem  Cetza em Qui 21 Jul 2016 - 21:42

- Pelo que Oleg me falou da missão, você ficarão na mesma unidade, sob o comando de Oleg. Iremos combater toda uma aldeia, ou cidadela, como queiram, de parentes de espirais negras e muitos dos próprios. Uma coisa que foi decididada é que o ataque será rápido e intenso. Não queremos que cheguem reforços. A aldeia deve ser varrida a ponto de não valer a pena para os espirais negras cazaques tentarem tomá-la de volta. Por isso um grande contingente de garous foi formado, sob a liderança do rei Vlad, um ancião presa de prata muito proeminente na região.
Haverá outras unidades. Duas delas vem das seitas inimistadas. Uma de senhores das sombras, sob o comando do líder Mordvin e outra, de garras vermelhas, sob a liderança de seu ancião alpha, Volovan.
Acima de tudo, somos garous e todos na região sofrem com um inimigo maior, os dançarinos da espiral negra. Esse é o objetivo primordiall e nosso primeiro desafio.
Em seguida, virá tentar a paz. A idéia do rei Vlad é aproveitar os sentimentos de confiança e camaradagem motivados pela luta em conjunto para facilitar um acordo entre os líderes. Neste momento o “corpo diplomático” se unirá para convencê-los.
Todos participaram do combate, dentro de suas habilidades. Um exército não se compõe só de guerreiros, necessitamos de espiões e batedores, gente para resgatar e atender aos feridos, etc.
É uma oportunidade interessante. A menos que vá à Guerra da Amazônia, poucas vezes um garou tem a chance de lutar dessa maneira.

Shaíra era esperta demais para idolatrar um conflito aberto como aquele... era sua primeira guerra como guerreira da Gaia e ainda por cima, provavelmente a mais fraca e inexperiente do grupo, porém ela tinha uma promessa com suas parentas de São Paulo e com Ahmed.. ela não iria morrer tão facilmente e voltaria a ver suas parentas novamente, custe o que custar.. " Uma guerra... será meu primeiro conflito... de verdade... espero estar a altura..."

Ahmed e a mulher se abraçaram carinhosamente.

- Não pensei que veria sua cara feia de novo! – disse Ahmed.

- Nem eu esse seu traseiro bonito. – riu-se a gorducha, beliscando-o.

Depois da insólita conversa, vieram as apresentações. Ela era Leyda, uma fúria negra ragabash que participara do resgate das parentes de Casa de Pedra. Ela e Ahmed haviam se tornado grandes amigos nos meses seguintes à missão e tinham um modo peculiar de tratar-se entre eles. Frases que resultariam em morte se ditas por qualquer outro garou, para os dois amigos eram expressão de carinho.
- Hey, eu me lembro de você. – disse ela para Alain – Nós juntos salvamos Anton Uivo do Vento de morrer afogado sob o gelo quando lutou contra aquele espírito aquático, não foi?

Shaíra ficava levemente espantada com o jeito com que Ahmed falava, mesmo ela sendo uma ragabash, tais coisas pareciam ainda uma muralha para ela, passada do susto, ela sorria para o grupo que conversava e se conheciam de longa data...diferente dela que mais parecia uma estranha diantes deles. Quando Max e Siduri trouxeram o cardápio, Shaíra pode afastar aqueles pensamentos da cabeça por um estante, ao olhar o cardápio ela suspirava de alegria pois sentia muita saudades dos pratos tradicionais que a muito não degustava, já que estava cansada das comidas acidentais.

-- Adoraria um Baba ghanoush, alguém me acompanha?

- Fiquei sem companhia, então… - lamentou-se Ahmed. - Se você não fosse um idiota que pega no meu pé desde a outra missão, Lorcan, eu poderia levá-lo comigo. Mas isso é um privilégio para um garou de minha tribo e ainda mais para algúem de outra. Poucos o desfrutam e eu não lhe darei o gosto. Agora, se algum dos presentes quiser me acompanhar e conhecer um dos bares garous mais fascinantes do mundo, terei o maior prazer em levá-lo!

-- Eu adoraria ir Ahmed, gostaria muito de conhecer esse 'antro' destinado aos peregrinos... acho que preciso voltar às minhas origens...


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Re: ASIA CENTRAL II - A Estepe Selvagem

Mensagem  Yumih em Sex 22 Jul 2016 - 18:31

Acabei adormecendo sem nem pensar. Mas acordei com o estomago nas costas e aquela roupa? Que ódio! Queria minhas roupas de volta! Minha mochila! Cheguei a rosnar de tanta raiva ao levantar da cama.
 
Na hora do almoço tive que comer legumes, não que fosse ruim, mas não era nem de perto o suficiente! Precisava de carne e aqueles porquinhos que ela chamava de algo similar a filhos comiam mais que o estomago. Passei o dia todo com o estomago incomodando e o corpo fraco, porem como falar?
 
Na janta a mesma coisa, aquilo começava a me irritar, logo teria meu troco... Vi a comida dos cachorros encima da mesa, mesmo a carne crua me seduzia... Senti a saliva subir-me a boca, mas ainda sim, onde estava minha dignidade? Mas onde ficava meu estomago!
 
Respirei fundo e lembrei-me da dispensa, seria ótimo entrar lá, mas a urgência não me permitia algo tão elaborado assim... Bom, os cachorros não dariam falta de um pedaço daquela carne... Hannah! Onde está com a cabeça! Vou arrombar aquela porta nem que seja morta depois...
 
Caminhei até a porta, porem nunca agi tanto por instinto assim... Logo me mandariam limpar a casa e roubar aquela chave não seria difícil para alguém que era mão leve como eu... Iria roubar a chave!
 

Voltei para a sala, se eu me mante-se calada em um canto, perto do móvel não chamaria tanta a atenção. Nesta hora roubaria a chave, voltaria para a cozinha para lavar a louça e roubaria algo para comer a noite ou quando fosse tomar banho, isto é, se me deixassem tomar banho! 



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Re: ASIA CENTRAL II - A Estepe Selvagem

Mensagem  Natalie em Sex 22 Jul 2016 - 22:01

Virgínia estava atordoada com todos os acontecimentos da viagem. Ela sempre se perdia em atalhos mas as pontes da lua eram caminhos muito mais seguros. A geografia não era seu melhor conhecimento, mas Aurora da Esperança ficou cismando porque eles estavam indo para a Asia via Marrocos que fica na Africa.

Quando começaram a conversar, a Shaira ofereceu roupas para Virgínia, e ela deu uma encolhida tímida de ombros. Não era seu costume reparar nas roupas dos humanos, ela sempre preferia os tecidos mais simples que pudesse conseguir. O estilo de cada roupa realmente era um mistério pra ela.

Quando Alaín indicou Klauss como líder guerreiro, Virgínia não ficou muito confiante. Lembrava do fiasco que tinha sido o caern USP e esperava que fosse melhor dessa vez. Mas Alain era o alfa da matilha dela, então se ele tinha decidido assim, Virginia ia seguir suas ordens.

Aurora da Esperança mal sabia ler em inglês e aquelas palavras em árabe pra ela eram como tentar papear com a Wyrm. Mas como tinha que pedir alguma coisa, pediu a mesma coisa que Shaira tinha pedido, fosse lá o que fosse.

Finalmente os garous comećaram a falar em fazer alguma coisa útil para Gaia. Quando ouviu que ia ter um ritual na aeita, Virginia se interessou e disse que ia com a fúria negra.


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Re: ASIA CENTRAL II - A Estepe Selvagem

Mensagem  Klauss Krugger em Qua 27 Jul 2016 - 13:26

Pelo que Oleg me falou da missão, você ficarão na mesma unidade, sob o comando de Oleg. Iremos combater toda uma aldeia, ou cidadela, como queiram, de parentes de espirais negras e muitos dos próprios. Uma coisa que foi decididada é que o ataque será rápido e intenso. Não queremos que cheguem reforços. A aldeia deve ser varrida a ponto de não valer a pena para os espirais negras cazaques tentarem tomá-la de volta. Por isso um grande contingente de garous foi formado, sob a liderança do rei Vlad, um ancião presa de prata muito proeminente na região.
Haverá outras unidades. Duas delas vem das seitas inimistadas. Uma de senhores das sombras, sob o comando do líder Mordvin e outra, de garras vermelhas, sob a liderança de seu ancião alpha, Volovan.
Acima de tudo, somos garous e todos na região sofrem com um inimigo maior, os dançarinos da espiral negra. Esse é o objetivo primordiall e nosso primeiro desafio.
Em seguida, virá tentar a paz. A idéia do rei Vlad é aproveitar os sentimentos de confiança e camaradagem motivados pela luta em conjunto para facilitar um acordo entre os líderes. Neste momento o “corpo diplomático” se unirá para convencê-los.
Todos participaram do combate, dentro de suas habilidades. Um exército não se compõe só de guerreiros, necessitamos de espiões e batedores, gente para resgatar e atender aos feridos, etc.
É uma oportunidade interessante. A menos que vá à Guerra da Amazônia, poucas vezes um garou tem a chance de lutar dessa maneira.

-- Pelo que o senhor diz então... não podem haver sobreviventes...

- Hey, eu me lembro de você. – disse ela para Alain – Nós juntos salvamos Anton Uivo do Vento de morrer afogado sob o gelo quando lutou contra aquele espírito aquático, não foi?

- Exato. Eu era um cliath então. Que bom reencontrá-la, Leyda.

(Necessidade de afirmar Alain... continua o mesmo...)

* Apos observar o menu.*

-- Vou de Shawarma, se até Os Vingadores comeram na 2ªcena extra do filme, deve ser bom...

- Sempre chegam garous de lá. A maioria contando vantagens sobre sua participação na Amazônia mas muitos me falam da culinária do país e me perguntam se não sei preparar algum prato de que têm “saudade”, é essa a palavras, não? Será que algum de vocês não conhece uma receita local, por mais simples que seja, que possa ensinar a Siduri? Ficaríamos muito gratos!

Alain escreveu:- O país é enorme, meus caros, e há várias culinárias típicas de cada parte dele. Eles tem influências indígenas, africanas e de vários imigrantes europeus e asiáticos. Há uma família de Fonte Fria que prepara comida libanesa, mesmo vivendo há gerações no Brasil. Não sei nada de cozinha, mas se tivermos suceso, trarei-a aqui para cozinhar com vocês. Ela ficaria deliciada.

-- Eu vou para a cozinha com prazer, ao contrario de Alain e os demais que permaneceram em São Paulo eu viajei todo o sul do país... é um prato simples que aprendi a fazer com os descendentes dos escravos, parentes dos bastet, mas acredito que seja simples e saboroso o suficiente para ajuda-los com os viajantes vindos do Brasil.

*Pego um papel e escrevo uma pequena lista.*

Lista Ingredientes:
Feijão Preto
Farinha de milho
Bacon
Linguiça calabresa
Cebola
Salsinha
Cebolinha verde

-- E após lhes mostrar o preparo quero dar uma volta pela cidade... sempre é bom conhecer o território.

*Volto-me para Lorcan.*

-- Se for possível gostaria imensamente de ajudar com o plano de ataque, talvez possa ajudar na estratégia maximizando o ataque, evitando baixas.


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Re: ASIA CENTRAL II - A Estepe Selvagem

Mensagem  Lua em Qua 27 Jul 2016 - 23:26

Alain:
Max sorriu cortesmente à promessa de Alain enviar alguém para cozinhar com eles mas era evidente sua decepção. No entanto, quando Klauss se propôs a mostrar-lhe uma receita, a situação foi resolvida.

Lorcan ficou bastante satisfeito quando Alain disse que o acompanharia. Quando estavam a caminho da mesquita, comentou-lhe:

- Desculpe-me, mas vi que você também estava se concentrando quando Ahmed fez seu “discurso”. Ele não mentia, você deve ter percebido, mas isso não quer dizer que não devamos ficar de olho nele. Você sabe porque ele se ocultava com Leyda durante a outra missão? Porque ela lhe cortava os membros excedentes com sua labris assim que começavam a regenerar. Ahmed é um impuro que oculta sua deficiência e, não importa o que diga para justificar-se, isso é evadir-se do destino que Gaia planejou para ele. Esse teatrinho de que é um bom sujeito sofrendo preconceito pode comover as mulheres, que, ademais, costumam ficar bem derretidas por ele, mas a mim não me engana.

Chegaram à mesquita. Seguramente ocorrera uma conversa prévia, porque o próprio Vigia esperava-os para receber o chiminage prometido. Fizeram as apresentações. O Vigia era um africano maduro, de barba comprida e calvo chamado  Bes-por-Numim.

Lorcan entregou-lhe a caixa e o homem deu um assobio ao abri-la.

- Que maravilha… - sussurrou, erguendo os olhos para Lorcan – Posso perguntar como conseguiu-o?

- Tenho meus contatos… - respondeu Lorcan sem mencionar Leyda.

- Entendo. – disse o Vigia – É um fetiche valiosíssimo… Supera muito o que pediríamos pelo acesso ao caern. Seria desonesto de minha parte aceitá-lo…

- É que necessito pedir-lhes algo mais. – disse Lorcan - Tenho um problema… uma questão… não de todo pessoal, pois tem a ver com as atribuições de meu augúrio mas… não oficial. Extrapola os conhecimentos dos philodox. Necessito uma visão, Bes-por-Numim-rhya.

- Entendo. E seu amigo? – perguntou Bes-por-Numim olhando maliciosamente para Alain.

Lorcan pareceu surpreendido mas, com grande presença de espírito, acrescentou rapidamente.

- Sim. Ele também tem uma questão.

Alain era inteligente, sentiu que o sangue de mercador dos fianna não permitira que Lorcan deixasse passar a oportunidade de conseguir algo mais. Estava blefando mas, sem querer, acertara o alvo: Alain tinha mesmo um dilema. E talvez uma visão pudesse ajudá-lo… como também poderia confundi-lo ainda mais. Nunca se sabe.

O Vigia mirava-o inquisidoramente. Era um ragabash, sem dúvidas.

- Posso autorizar o acesso à Fonte das Visões para ambos, é claro. Basta que o jovenzinho confirme para mim. Triunfo de Gaia, você deseja ter uma visão também? Ao final ela deverá ser registrada por nosso arquivista, devo informar-lhe.


Shaira:
Ahmed deu um belo sorriso ao saber que Shaira o acompanharia.

Saíram um pouco depois de Alain e Lorcan e tão pronto Ahmed esteve longe da amiga Leyda, voltou a ser o cavalheiresco homem árabe de antes. Disse a Shaira que procurasse memorizar o caminho e seguiram pelo mesmo quarteirão do Siduri's Bar por alguns metros. Antes que chegassem ao final do bloco, Shaira sentiu que Ahmed tomava sua mão e rapidamente guiava-a à entrada de um beco estreito, como muitos em Casablanca, mas que estava praticamente oculto aos olhos dos transeuntes comuns. Em seguida ele sussurrou:

- Vamos pela umbra.

Atravessaram  a película e andaram por uma versão sombria do mesmo beco.

Pouco depois chegaram a um lugar onde a projeção umbral do beco se tornava paulatinamente mais densa, até chegar a uma grossa porta de madeira e latão em forma de arco árabe. Ahmed voltou-se para Shaira,  lançou-lhe um olhar penetrante e falou com um sorriso:

- Vou ensinar-lhe a senha. Memorize-a bem, assim como o caminho. É a passagem para um dos maiores centros de informações úteis e fofocas da nação garou e você poderá acessá-la sempre que estiver em Casablanca!

Em seguida aproximou seus lábios do ouvido de Shaira e murmurou uma frase secreta.

- Agora bata na porta e diga a senha, para eu saber que aprendeu.

Ao fazê-lo, Shaira ouviu um rangido que parecia ter mil anos e a porta se abriu. Ela não conseguiu ver por quem. Em seguida, entraram em uma taverna que parecia saída dos contos das Mil e Uma Noites. Shaira mal percebeu que estava deslizando de regresso ao mundo material.  Apenas sentiu que a magia se desfez.

O bar agora era um lugar real, com uma decoração funcional e cosmopolita misturada a elementos arquitetônicos árabes, mas não menos interessante que sua contraparte umbral.

Estava cheio e Ahmed adotou instintivamente uma atitude protetora que fez Shaira intuir que sua promessa de não deixá-la morrer na guerra não eram palavras vãs mas vinham de um sentimento profundo. Era quase como ter ganhado um irmão mais velho.

Conforme cruzavam o bar em direção a uma mesa, Shaira viu uma boa parte da variedade de biotipos dos peregrinos silenciosos, Havia desde loiros ciganos do leste europeu até africanos escuríssimos e longilíneos, cujos olhos misteriosos emergiam das sombras de seus capuzes igualmente negros. Também sorridentes rapazes de aspecto mongol e ocidentais com roupas de trekking que não se distinguiriam dos turistas comuns de Casablanca. Finalmente, um impuro sem pêlos e adornado por jóias que mais parecia uma estátua viva de Anúbis.

Ahmed cumprimentou muitos deles, parecia um velho frequentador do lugar.

Sentaram-se, Ahmed pediu uma bebida sem álcool e perguntou o que Shaira queria tomar. Enquanto esperavam,  a conversa animada preenchia o bar. Até que alguns músicos subiram ao pequeno palco e começaram  a tocar uma canção que, aos poucos, fez a taverna silenciar.


https://www.youtube.com/watch?v=RsjiSfAmEeo

Quantas estradas um homem deve percorre r/ Pra poder ser chamado de homem?
Quantos oceanos uma pomba branca deve navegar / Pra poder dormir na areia?
(…)
Sim e por quantos anos algumas pessoas devem existir / Antes de poderem ser livres?
(…)
Sim e quantas vezes um homem deve olhar pra cima / Antes de conseguir ver o céu?
(…)
Sim e quantos ouvidos um homem deve ter / Pra poder conseguir ouvir as pessoas chorarem?
Sim e quantas mortes serão necessárias até ele saber / Que pessoas demais morreram?

A resposta, meu amigo, está soprando no vento. / A resposta está soprando no vento

Shaira sentiu o quanto aqueles versos tocavam o coração dos peregrinos silenciosos. Muitos deles tinham parentes no Oriente Médio e outras zonas de conflitos e todos, sem exceção, guerreavam sem ter uma terra própria a que regressar. Pensava na guerra… até sentir que Ahmed tocava sua mão, consolando-a.

Os aplausos irromperam, fortes e emocionados. E quando acabaram, Ahmed falou-lhe:

- Bem, vamos nos enturmar? Tenho vários conhecidos aqui, que grupo você quer conhecer: o dos ciganos, dos africanos, asiáticos, ocidentais ou meu companheiro de infortúnio sem pêlos?

Hannah:
Quando Hannah voltou para a sala, sentiu-se com sorte: ao menos Sboron já não estava lá. Os garotos mais velhos sentaram-se em um sofá, com livros e somente Ogashka e uma das meninas menores estavam a mesa. A mãe também tinha um livro e um caderno abertos e parecia ensinar-lhe uma lição. Até que era comovente:mamãe ogra ensinando sua ogrinha mais nova.

Hannah ouviu que a outra menina estava escovando os dentes. Era um bom momento. Ficou perto do móvel e, quando todos estavam distraídos, tentou o furto.

Rolagem:
Hannah rolou 5 (destreza + furtividade) dados de 10 lados com dificuldade 6 para Manobra Especial e obteve: 5 8 8 4 8 
Hannah obteve 3 sucessos!

Perfeito! Hannah conseguiu roubar a chave sem que ninguém visse.

Então voltou para a cozinha e lavou a louça, sabendo que seu estômago seria saciado.

***

Se Hannah pensava em tomar um bom banho, enganou-se. Não havia nada além de uma tina vazia no chão do que seria o banheiro e um balde com água para lavar as mãos. Uma espécie de banheiro químico ficava fora, um pouco afastado da casa. Fazia bastante frio à noite, assim que ela teria que se virar como pudesse para fazer seu asseio antes de se deitar.

Mais tarde foi à cozinha e, finalmente, teva acesso à dispensa. Ao menos a barriga não roncaria aquela noite.

***

No outro dia a despertaram muito cedo. Foi um momento bem ruim, dar-se conta de que não estivera sonhando e ainda estava naquela estranha realidade.

Viu que as meninas traziam água para banhar-se. Quando terminaram, o banheiro ficou todo molhado e o balde vazio ao lado da tina. Se quisesse tomar um banho, teria que buscar água, indicou-lhe “amavelmente” Ogashka. O poço não ficava longe, porém.

A aparência e o modo de vida daquele gente poderia fazer Hannah pensar que viajara no tempo e não apensa no espaço. Um calendário que ela viu na cozinha, porém, indicava que o ano era o mesmo. Os nomes dos meses e outras anotações estavam em cirílico, o alfabeto usado pelos russos. Ou ela estava na própria Rússia ou em algum país que também usasse o alfabeto. E isso em poucas horas de “caminhada” no túnel…

As coisas estranhas só se somavam.

Quando saiu da casa, deparou-se com a arrepiante imagem do lobo que assassinara sua mãe. Estava deitado tranquilo, como um grande cachorro negro. Seus olhos amarelos imediatamente fixaram-se em Hannah e estariam sobre ela todas as vezes que passasse por ele ao longo daquela manhã.

Ele a observava de um modo bem estranho. Era como se… esperasse… alguma coisa de Hannah.

A família não parecia afetar-se. Passava pelo lobo tranquilamente, em seus afazeres diários. Apenas os cachorros e demais animais se mantiveram bem longe do lobo, que, ao final da manhã, desapareceu em um caminho que perdia-se na estepe em direção às montanhas.

O garoto mais velho saíra bem cedo com as cabras e ovelhas. De Sboron, nem sinal.

Ogashka passou o dia atarefada demais para preocupar-se com Hannah. Fazia suas tarefas correndo e, em vários momentos, Hannah escutou um barulho de metal sendo raspado na pedra de moer que ficava fora da casa, atrás da cozinha. Mas não conseguiu ver o que a mulher fazia. As meninas e o menino mais novo alternavam suas brincadeiras com ficar olhando para Hannah e falando entre si - com risinhos e cochichos, no caso das meninas.

Em um dos cômodos, Hannah encontrou sua mochila quase vazia. A faca de caça, o canivete, o celular e o i-pod haviam desaparecido.

Quando a tarde começou a cair, Hannah descobriu porque. O garoto mais velho voltou com o rebanho, que guardou em um estábulo não muito longe da casa. Seria uma cena bucólica e até mesmo invejável, afinal, ele passava o dia inteiro longe daquela família, em total liberdade nos campos. Era um trabalho interessante… sobretudo para alguém que pretendesse fugir. E o garoto vinha com aspecto amistoso, até pareceria simpático, se não fosse pelo fato de estar usando seu i-pod!

Não precisou ser muito esperta para descobrir onde estava o celular: no quarto das meninas, aberto na pasta de fotos.

Que faria Hannah agora?


Virgínia:
Leyda e Virgínia saíram depois dos peregrinos silenciosos. Iam em direção oposta à deles,  pois elas voltariam à Mesquita de Anfa.

Leyda tinha notado que Virgínia se atrapalhara até com o cardápio, assim que poupou a lupina de tagarelices. Caminhou a seu lado em um silêncio reconfortante e amistoso.

Alguém deveria haver visto as duas se aproximarem dos muros da mesquita, pois imediatamente uma porta se abriu. Elas entraram e um rapazinho bérbere informou-lhes que o theurge forasteiro já estava reunindo os garous para o ritual e pediu que o acompanhassem.

O theurge tinha uma cara esquisita e andrógina que lembrava a de um antigo eunuco mas seu cheiro e linguagem corporal, bem como qualquer dom que Virgínia usasse, indicavam que era confiável.

Repetiu a explicação dada por Leyda: tinha uma pregunta particularmente complexa para Ptha, o Abridor de Caminhos,  e sabia que o Incarna colocaria todo seu empenho no desafio, recorrendo a ajuda de outros espíritos do caern, se necessário. Assim que ele também se prepararia para enfrentá-lo com força extra.

- Necessito que nos unamos para o ritual de abertura do caern. Se alguns de vocês não possuem o ritual, eu o ensinarei de maneira intensiva, mais rápido do que poderiam aprender com qualquer ancião atarefado. Não pedirei nada em troca, a não ser que me ajudem no ritual de abertura do caern. Se falharmos vocês poderão sair feridos mas se conseguirmos, poderão orgulhar-se de ter ajudado a responder uma questão transcendental dos garous… tão logo eu resolva o enigma com que Ptha seguramente me responderá!

Os garous presentes riram. Ao todo eram cinco, contando Leyda, Virgínia e o theurge. A fúria negra olhou para Virgínia e disse:

- Eu vou aprender o ritual e participar; já enfrentei perigos piores. E você, Virgínia? Que fará?


Off:
1- No caso de você aceitar, a personagem fará duas rolagens. Uma de inteligencia + rituais (dificuldade 10 - inteligência) para aprender o ritual. Outra, junto com os demais garous (cujo poder total ela não conhece) para realizar o ritual de abertura do caern.
Em caso do ritual falhar, Virgínia poderá se ferir com a energia espiritual antagônica vinda dos espíritos, sendo que uma falha crítica implicará em ferimentos agravados. Em caso do ritual ser exitoso, ela ganhará 3 pontos de sabedoria. Mesmo se o ritual falhar, o ritual de abertura de caern que ela aprendeu entra na ficha.

2- Roda de Ptha é um elo de ligação entre as principais pontes de lua do mundo e tem várias outras particularidades que o tornam um ponto de encontro ideal para garous que vêm de lugares distantes e vão para um caern igualmente longínquo. Por isso que é o maior caern dos Peregrinos Silenciosos. Para mais detalhes, ver Caerns Places of Power, página 96 e seguintes.  

Klauss:

-- Pelo que o senhor diz então... não podem haver sobreviventes...

- Pelo que me contou Oleg, ali não há inocentes. Ao menos não em quantidade suficiente para que preservemos a aldeia. Mas eu lhe recomendaria conversar com Oleg para saber se há algum plano para salvar alguma eventual vítima inocente dos espirais e seus parentes degenerados.


-- Eu vou para a cozinha com prazer, ao contrario de Alain e os demais que permaneceram em São Paulo eu viajei todo o sul do país... é um prato simples que aprendi a fazer com os descendentes dos escravos, parentes dos bastet, mas acredito que seja simples e saboroso o suficiente para ajuda-los com os viajantes vindos do Brasil.

*Pego um papel e escrevo uma pequena lista.*


Max e Siduri sorriram satisfeitos. Em seguida ela tomou a lista das mãos de Klauss, deu uma olhada e disse:

- Vou mandar alguém atrás dos ingredientes.

- Temos um ragabash que até nos traz pizza de Nova York.* - explicou Max, rindo.


-- E após lhes mostrar o preparo quero dar uma volta pela cidade... sempre é bom conhecer o território.


- Exato! – disse ele, desaparecendo com a esposa em direção à cozinha.


*Volto-me para Lorcan.*

-- Se for possível gostaria imensamente de ajudar com o plano de ataque, talvez possa ajudar na estratégia maximizando o ataque, evitando baixas.


Lorcan balançou a cabeça afirmativamente.

- Outra coisa a discutir com Oleg. Não se preocupe, ele é acessível. Se você conseguiu conviver com Anton, vai achá-lo fácil. – riu o fianna.

Quando todos seus companheiros saíram, Klauss viu que Max regressava para falar com ele.

- Ainda não temos todos os ingredientes mas você pode nos contar como se faz a receita.

Levou Klauss a uma cozinha organizada, com aromas deliciosos de todo tipo de especiarias. Siduri ouviu atentamente suas explicações, tomando nota na bela caligrafia árabe. Embora não cozinhasse, Max não saiu do lado dos dois, escutando a receita e fazendo algumas perguntas sobre o prato e os costumes do Brasil.

Quando Klauss terminou, Max disse-lhe.

- Bem… só cozinharemos amanhã… que tal dar agora o passeio?

Não perguntou se Klauss preferia ir sozinho ou acompanhado, simplesmente guiou-o para fora.

Era uma noite bonita e Max uma pessoa simpática. Conversaram de algumas amenidades, enquanto percorriam as ruazinhas estreitas e escuras daquela parte de Casablanca.

- Sabe, Klauss. – disse quando estavam sozinhos – É claro que gostamos de aprender novos pratos mas essa não era a razão principal de meu pedido… Como eu disse a vocês, sempre vem garous do Brasil por aqui, em geral estrangeiros veteranos da Guerra da Amazônia, mais interessados em embebedar-se e contar vantagens do em conversar seriamente. Desse modo nunca consegui confirmar uma história que ouvi uma vez. Foi por isso que tive a idéia da receita. Se alguém aprendeu a cozinhar um prato local e ainda sabe como fazê-lo é porque conheceu bem o país. Fico feliz que você tenha mordido a isca.

Max sorriu.

- Você já ouviu falar em Ahadi? Se não, eu lhe explico brevemente: é uma aliança entre metamorfos na África: Ajaba, Bagheera, corax Makunguru, Bubasti, Kucha Ekundu e Peregrinos Silenciosos.

Tudo começou com um homem-leão chamado Dente Negro. Ele reuniu um bando de simbas e fez boas coisas enfrentando vampiros, a Pentex e outras porcarias na África. Depois eles perderam a cabeça e começaram a atacar os demais povos-gatos e povos-hienas, povos-crocodilos e etc., tentando forçá-los a declarar lealdade a Dente Negro.

E quando subiram ao norte da África atacaram os Peregrinos Silenciosos também.

Então um grupo de metamorfos se reuniu sob a liderança de uma jovem mulher-hiena chamada Kisasi para derrotar Dente Negro e livrar a África de sua tirania. Esse grupo é o Ahadi e existe até hoje. Dente Negro e seu bando estão mortos, obviamente, e os simbas agora também integram o Ahadi, ainda que sob eterna desconfiança do povo-hiena, principalmente.

Bem… ocorre que um belo dia passou por aqui um garou vindo do Brasil e me contou que as feras estão querendo fazer o mesmo por lá. Não me surpreendi, em algum momento os metamorfos americanos acabariam tendo a idéia de se unirem também por si mesmos.

No entanto, havia um dado preocupante no meio disso. O informante me disse que havia simbas entre os gatos brasileiros. Que raios, com exceção de uns pobres animais enjaulados, não há leões no Brasil, não é mesmo? Então o que fariam simbas por lá? Que existam no Ahadi africano está bem… mas na América do Sul?

Finalmente eu perguntei ao garou porque com tantos dos nossos na Amazônia, ninguém nunca havia contado a respeito. Ele me disse que isso tudo não ocorre na Amazônia e sim nas matas próximas ao litoral, no sudeste do país. E acrescentou que não eram homens, mas belas mulheres-leão. "O segredo mais bem guardado dos metamorfos brasileiros" ou alguma porcaria do gênero, disse ele. Fiquei frio imaginando como obtiveram essa informação dos bastet mas, para ser sincero, o cara era um desses carniceiros idiotas e, pelo bem de meu estômago, preferi não perguntar.

Agora diga-me, meu amigo. Você sabe algo sobre essa história? Pode me dar alguma informação a respeito.


* Acredite ou não, isso é oficial.


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Re: ASIA CENTRAL II - A Estepe Selvagem

Mensagem  Cetza em Sex 29 Jul 2016 - 13:38

Ahmed deu um belo sorriso ao saber que Shaira o acompanharia.

Saíram um pouco depois de Alain e Lorcan e tão pronto Ahmed esteve longe da amiga Leyda, voltou a ser o cavalheiresco homem árabe de antes. Disse a Shaira que procurasse memorizar o caminho e seguiram pelo mesmo quarteirão do Siduri's Bar por alguns metros. Antes que chegassem ao final do bloco, Shaira sentiu que Ahmed tomava sua mão e rapidamente guiava-a à entrada de um beco estreito, como muitos em Casablanca, mas que estava praticamente oculto aos olhos dos transeuntes comuns. Em seguida ele sussurrou:

- Vamos pela umbra.

Shaíra correspondia ao sorriso dado por Ahmed mostrando um sorriso doce, porém um pouco tímido típico das ‘boas moças’ islâmicas. Ela ficava feliz por tê-lo como companhia, pois era mais um laço com ‘os seus’ que ela retomava após ficar tanto tempo no Brasil e ainda iria conhecer um local secreto destinado somente aos Peregrinos Silenciosos, era uma forma dela reatar à suas origens. Enquanto caminhavam juntos, a ragabash seguia as instruções de Ahmed e se esforçava em lembrar do caminho, mesmo que de vez ou outra sua atenção se perdia diante de seu guia.

Pouco depois chegaram a um lugar onde a projeção umbral do beco se tornava paulatinamente mais densa, até chegar a uma grossa porta de madeira e latão em forma de arco árabe. Ahmed voltou-se para Shaira, lançou lhe um olhar penetrante e falou com um sorriso:

- Vou ensinar-lhe a senha. Memorize-a bem, assim como o caminho. É a passagem para um dos maiores centros de informações úteis e fofocas da nação garou e você poderá acessá-la sempre que estiver em Casablanca!
Em seguida aproximou seus lábios do ouvido de Shaira e murmurou uma frase secreta.

- Agora bata na porta e diga a senha, para eu saber que aprendeu.

Shaíra olhava admirada a estranha beleza do lugar, quando Ahmed lhe olhava diretamente em seus olhos, a jovem quase ficava sem ar pensando nas coisas que Lorcan havia dito enquanto ficava parada aturdida e pensando num monte de bobagens dignas de Cristina. Recuperada do susto, porém bastante ofegante, Shaíra tentava repor seus pensamentos em ordem. Dava alguns passos até a porta sentindo-se por um momento como uma filhote aprendendo o básico. A jovem seguia as instruções de Ahmed e após bater falava de forma um pouco hesitante

-- مسار رمال هو طريقنا (O caminho das areias é nossa estrada).

O bar agora era um lugar real, com uma decoração funcional e cosmopolita misturada a elementos arquitetônicos árabes, mas não menos interessante que sua contraparte umbral.

Estava cheio e Ahmed adotou instintivamente uma atitude protetora que fez Shaira intuir que sua promessa de não deixá-la morrer na guerra não eram palavras vãs mas vinham de um sentimento profundo. Era quase como ter ganhado um irmão mais velho.

Shaíra ficava maravilhada com o lugar, digno dos contos que ouvia quando criança dos Berbere do deserto. A jovem olhava para cada cantinho do lugar, cada visitante... cada cheiro que lhe entrava pelas narinas tirando o máximo de prazer daquele 'ar novo'. O jeito que Ahmed a guiava, como se fosse um irmão mais velho do qual ela nunca tivera, era sensação gostosa e reconfortante, Shaíra se sentia protegida enquanto tivesse Ahmed do seu lado para lhe proteger de qualquer mal, era um a sensação estranha porém deliciosa de pura confiança.

Ahmed cumprimentou muitos deles, parecia um velho frequentador do lugar.

Sentaram-se, Ahmed pediu uma bebida sem álcool e perguntou o que Shaira queria tomar. Enquanto esperavam, a conversa animada preenchia o bar. Até que alguns músicos subiram ao pequeno palco e começaram a tocar uma canção que, aos poucos, fez a taverna silenciar.

Shaíra, assim como Ahmed, cumprimentava os conhecidos dele. Queria se sentir também ‘ do grupo’ ao invés da eterna turista como as vezes se sentia em São Paulo. A jovem sentava ao lado de Ahmed e diferente dele, a jovem pedia uma cerveja Marroquina que ironicamente dava nome ao lugar.

-- Um Casablanca, por favor. Normalmente não bebo... mas você conheceu a minha prima... e bem... essa foi umas das coisas que ela me ensinou.

A canção acertava a jovem em cheio, em seus pensamentos a imagens de seus pais mortes em sua frente quando criança à levava às lágrimas. A jovem tentava desfaçar enxugando com o seu lenço, porém a respiração acelerada e o semblante distante e triste a denunciava.

Shaira sentiu o quanto aqueles versos tocavam o coração dos peregrinos silenciosos. Muitos deles tinham parentes no Oriente Médio e outras zonas de conflitos e todos, sem exceção, guerreavam sem ter uma terra própria a que regressar. Pensava na guerra… até sentir que Ahmed tocava sua mão, consolando-a.

Os aplausos irromperam, fortes e emocionados. E quando acabaram, Ahmed falou-lhe:

- Bem, vamos nos enturmar? Tenho vários conhecidos aqui, que grupo você quer conhecer: o dos ciganos, dos africanos, asiáticos, ocidentais ou meu companheiro de infortúnio sem pêlos?

-- Ob...obrigada Ahmed.. acho que é por isso que andamos... para nos lembrarmos das nossas perdas...que foram muitas...
A jovem tentava se recompor, ainda estava tocada pela letra da música, ela esboçava um sorriso ao sentir a mão de Ahmed lhe confortando
-- Dentre todos aqui, o anubis me chamou mais atenção... e... não diga que sua vida é um infortúnio... nem todos os garou se importam com isso...a vida é uma dádiva... não se esqueça disso Ahmed...


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Re: ASIA CENTRAL II - A Estepe Selvagem

Mensagem  Klauss Krugger em Sex 29 Jul 2016 - 18:12

*Após todos sairem vou a cozinha com Max e Siduri, observo a cozinha e sua organização durante alguns segundos então começo as explicações.*

-- Aprendi a fazer esse prato com os descendentes dos escravos num quilombo, o prato recebe nomes diferntes de acordo com as regiões do país, no sudeste é chamado de tutu de feijão, no sul virado de feijão e ainda outras variações... bem, normalmente eles usam o feijão já velho, mas recém cozido também fica bom, então picam o bacon, e a calabreza, e as fritam em sua própria gordura, está sera aproveitada no prato a cebola é colocada junto a eles quando já estiverem dourados, apenas tempo suficiente para a cebola murchar... após o tempero do feijão acrescentar o óleo do bacon e da calabresa e deixar com o caldo engrosse, neste ponto acrescentasse a farinha de milho até o ponto da farinha ficar escura, evitando colocar demais, picasse a cebolinha e salsinha e misturam no prato depois de pronto, então é servir... extremamente fácil e saboroso.

- Sabe, Klauss. – disse quando estavam sozinhos – É claro que gostamos de aprender novos pratos mas essa não era a razão principal de meu pedido… Como eu disse a vocês, sempre vem garous do Brasil por aqui, em geral estrangeiros veteranos da Guerra da Amazônia, mais interessados em embebedar-se e contar vantagens do em conversar seriamente. Desse modo nunca consegui confirmar uma história que ouvi uma vez. Foi por isso que tive a idéia da receita. Se alguém aprendeu a cozinhar um prato local e ainda sabe como fazê-lo é porque conheceu bem o país. Fico feliz que você tenha mordido a isca.

-- O país é extremamente grande como Alain falou, conheci apenas 4 estados, há muito o que conhecer e nem sequer fui até a Amazônia ainda...

- Você já ouviu falar em Ahadi? Se não, eu lhe explico brevemente: é uma aliança entre metamorfos na África: Ajaba, Bagheera, corax Makunguru, Bubasti, Kucha Ekundu e Peregrinos Silenciosos.

Tudo começou com um homem-leão chamado Dente Negro. Ele reuniu um bando de simbas e fez boas coisas enfrentando vampiros, a Pentex e outras porcarias na África. Depois eles perderam a cabeça e começaram a atacar os demais povos-gatos e povos-hienas, povos-crocodilos e etc., tentando forçá-los a declarar lealdade a Dente Negro.

E quando subiram ao norte da África atacaram os Peregrinos Silenciosos também.

Então um grupo de metamorfos se reuniu sob a liderança de uma jovem mulher-hiena chamada Kisasi para derrotar Dente Negro e livrar a África de sua tirania. Esse grupo é o Ahadi e existe até hoje. Dente Negro e seu bando estão mortos, obviamente, e os simbas agora também integram o Ahadi, ainda que sob eterna desconfiança do povo-hiena, principalmente.

Bem… ocorre que um belo dia passou por aqui um garou vindo do Brasil e me contou que as feras estão querendo fazer o mesmo por lá. Não me surpreendi, em algum momento os metamorfos americanos acabariam tendo a idéia de se unirem também por si mesmos.

No entanto, havia um dado preocupante no meio disso. O informante me disse que havia simbas entre os gatos brasileiros. Que raios, com exceção de uns pobres animais enjaulados, não há leões no Brasil, não é mesmo? Então o que fariam simbas por lá? Que existam no Ahadi africano está bem… mas na América do Sul?

Finalmente eu perguntei ao garou porque com tantos dos nossos na Amazônia, ninguém nunca havia contado a respeito. Ele me disse que isso tudo não ocorre na Amazônia e sim nas matas próximas ao litoral, no sudeste do país. E acrescentou que não eram homens, mas belas mulheres-leão. "O segredo mais bem guardado dos metamorfos brasileiros" ou alguma porcaria do gênero, disse ele. Fiquei frio imaginando como obtiveram essa informação dos bastet mas, para ser sincero, o cara era um desses carniceiros idiotas e, pelo bem de meu estômago, preferi não perguntar.

Agora diga-me, meu amigo. Você sabe algo sobre essa história? Pode me dar alguma informação a respeito.

*olho para Max por alguns instantes.*

-- Já ouvi falar do "segredo mais bem guardado dos metamorfos brasileiros", mas não imaginei que seriam simbas... *Olho para Max tentando captar sus expressão*... é possivel que sejam simbas sim... possuo uma amiga corax, como lhe direi... ela é um corvo africano, o quilombo que comentei com você na cozinha é um local onde moram apenas descendentes dos escravos africanos que foram levados ao Brasil, naquela época era fácil para os bastet deixarem-se ser presos e levados, e quando chegassem ao destino também fugiriam com facilidade... *penso por mais alguns segundos*... tudo agora faz mais sentido... existe colaboração entre garou e metamorfos em diversos Caern, Fonte Fria com os gatos, ultima Batalha com os tubarões, agora resta descobrir qual dos braços do Ahadi está no Brasil, se está bela mulher-leão segue os preceitos de Dente Negro, Julian terá muitos problemas e o pior... não tenho como alerta-lo daqui.


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