Lua Vermelha - Na Barriga do Monstro

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Lua Vermelha - Na Barriga do Monstro

Mensagem  Lua em Ter 19 Jul 2016 - 12:28

Okami abriu a porta de sua casa ofegante, após uma boa sessão noturna de parkour.
Abriu a ducha, despiu-se e deixou a água morna e o vapor perfumado levarem embora o que ainda podia restar de tensão. Depois enxugou-se em uma toalha felpuda, vestiu um roupa bem confortável e colocou sua canção favorita para tocar.
Nos últimos tempos, muita coisa girava em sua cabeça.
Estava sozinha no mundo, sofrera um sequestro, matara um monstro; ela própria, de certo modo, era um monstro. Melhor dizendo, um ser sobrenatural.
Ser uma criatura sobrenatural, porém, não significava viver flutuando em um cemitério ou percorrer coloridos mundos de fantasia - ainda que, ouvira dizer, para certos lobisomens e em certos lugares da Umbra podia, de fato, se mais ou menos isso. Para Okami porém, a sobrenaturalidade mudara sua vida muito e bem pouco ao mesmo tempo.
Ainda ia às compras, corria pela cidade e a louça suja não desaparecia da pia se ela não lavasse ou pagasse alguém para lavar.
O mundo sobrenatural, no entanto, estava ao alcance do espelho. Ainda recordava a sensação de romper a película, como atravessar uma parede de gelatina, e entrar em uma versão penumbrosa e despovoada do mundo real - que já não era mais "o" mundo real, pois o outro, o dos espíritos, a Umbra, também era igualmente real.
Um espírito do ar lhe havia ensinado a fazer proezas com sua arma, um espírito ancestral melhorou suas habilidades de persuadir, e um espírito camaleão a ensinara a borrar suas formas e confundir-se com o entorno. E tudo isso era real.
Ela continuava sendo Okami Tsuki mas agora também era Lua Vermelha, um lobisomem. Uma fúria inquietante jazia sob sua pele e ela podia mobilizá-la para transformar-se em uma versão maior e feral de si mesma, em um lobisomem, em uma fera primitiva e finalmente em lobo. Fizeram-na experimentar essas formas e sob todas ela ainda era Okami, só que com capacidades e sentidos diferentes.
Aprendera sob coisas que antes ignorava, que a Terra era uma mãe viva, Gaia, que estava sendo assassinada e dependia dela e dos outros lobisomens para salvar-se. O amor por essa nova mãe preenchera seu coração e desejo de que ela não fosse morta como a outra enchiam-na de vontade de lutar. Ao desejo de vingança que a motivava havia se juntado um sentido de propósito: salvar Gaia.
Lua Vermelha, no entanto, ainda estava longe de saber tudo sobre o novo mundo e o povo a que pertencia. O ritual de passagem a tornara adulta para a sociedade garou mas ainda havia muito que aprender. As asas estavam formadas e ela fizera um primeiro vôo mas restava aprender a voar.
Pensava em todas essas coisas e muitas outras* quando escutou o interfone. Era Jack.

- Já de "pijama"? - disse ele ao entrar- Arrume suas coisas. Vamos para o Canadá!


* livre para interpretar as impressões e expectativas com a nova vida.


*Rodrigo*Alexey    *Mitzuki  


ação pensamento fala   /   narração diálogo

Esta é uma obra de ficção. A menos que você seja um lobisomem, qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.

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