Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

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Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem  Lua em Sab 4 Fev 2017 - 6:33

Monsieur Laforge


Depois da árdua missão na Ásia Central, Alain finalmente regressou ao Canadá trazendo consigo um adorável despojo de guerra: Tânia.

A jovem protegida era como uma brisa fresca depois de tantas agruras. Combinava alegria e espontaneidade adolescentes com um certo conservadorismo nos modos, reflexo de sua educação oriental. Era refinada, clássica e refrescante como uma esplêndida fragrância juvenil.

No entanto a volta  ao continente americano recordou a Alain um amor que ali repousava, em mais baixas latitudes. Maysa permanecia aderida a seu corpo como um perfume noturno, misterioso e complexo. Nem a guerra nem a beleza de Tânia poderiam tirar de sua memória os olhos com reflexos azuis e violeta de Maysa e a doce sensualidade de sua presença.

O envelope entregue por seu mordomo não ajudou em nada a afastá-la de sua mente. Lá estavam, de novo, o fino papel e o lacre de cera com o grifo dos presa de prata. Anton chamava-o à sua presença em Fonte Fria.

***

Alain estava sentado diante de Anton e Aleksandr no escritório da casa sede, com a indefectível xícara de chá nas mãos.  

Dessa vez Maysa não viera a seu encontro. As notícias haviam corrido rápido…

Depois das cortesias habituais e de muitos elogios a sua participação na tomada de Vaki, Anton entrou no assunto pelo qual o chamara.

- Bem, talvez você se lembre que eu queria falar com você por ocasião do último Ritual da Longa Vigília, não? E que me queixava de meu enteado Brian e sua paixão pelo desenho. Talvez tenha lhe parecido só um comentário engraçado, mas não foi. O garoto realmente me preocupava e preocupa.

Os meninos estão crescendo. Filbergues começou uma carreira no exército brasileiro, Britany vai se casar com um ancião, Dmitri ajuda na proteção do caern, Nádia… bem… Nádia às vezes parece um caso perdido… Resta-me Brian que encaminhar. Ele é um garoto inteligentíssimo com grande talento para informática e para o desenho. E ocorre que quer dedicar-se a arte… Mais especificamente, aos quadrinhos ou, como diz, "graphic novels". A mim não me importa o quão dignas possam ser essas atividades… ele é um Volkov. Dei-lhe meu sobrenome, é meu filho. E o parentes Volkov ajudam os garous. Meu irmão tem essa bobagem da fotografia mas, ao menos, encontrou um jeito de pô-la a serviço de uma seita. E Brian tem que fazer o mesmo. Não me interessa seus argumentos sobre "mudanças de mentalidade" e essas tolices, ele não fará nada efetivo desenhando quadrinhos. Deve usar seus talentos para ajudar diretamente aos garous.

Assim que pedi a Aleksandr que pesquisasse sobre parentes fabricantes de fetiches. Mais exatamente, sobre o mais famoso deles, Monsieur Laforge. Vou contar-lhe sua história.

Você com certeza já ouviu falar de Fabergé, não? O joalheiro da última família imperial russa. Pois bem, para auxiliá-lo, ele formou uma equipe de habilidosos artesãos. Entre eles estava um parente francês chamado Pierre Laforge. Não demorou muito para os parentes dos presas de prata próximos à corte falarem sobre ele aos garous. Assim ele foi recrutado e treinado por Lua Crescente para a fabricação de itens destinados a serem fetiches. Teve um enorme êxito!

Laforge possuía gnose e desenvolveu uma compreensão dos espíritos tal que lhe permitiram fazer objetos que os agradavam a ponto de facilitar sua entrada neles. Foi requisitado pelos theurges mais importantes de meu país e de outros e ajudou a produzir algumas das melhores e mais belas klaives de que se tem notícia.

Até que algo ocorreu.

Monsieur Laforge estava no auge de sua carreira quando um presa de prata a quem tinha fabricado uma grã-klaive morreu. Como é nosso costume, o fetiche passou ao filho do garou e, lamentavelmente, conta-se, este não a tratou como merecia. Dizem que os poderosos espíritos que ela abrigava se enfureceram e sabotaram o jovem garou até que a klaive finalmente quebrou-se, libertando-os.

Laforge, nesse momento, acabara de produzir sua melhor peça, a grã-klaive que ele considerava sua obra-prima. Ele enlouqueceu. Temia que o mesmo ocorresse com a nova espada.

A grã-klaive já estava em poder do theurge e imbuída de espíritos, mas mesmo assim Laforge conseguiu roubá-la e desaparecer com ela. Muitas demandas foram feitas pelo fetiche, tanto pelo theurge, quanto por outros presas de prata mais tarde, porém Laforge e a klaive nunca mais foram vistos.

Apesar disso, ao longo dos anos, nunca deixaram de aparecer fetiches com o estilo característico de Monsieur Laforge, em lugares tão diferentes como Bélgica, Hungria ou Portugal. E sempre nas mãos de senhores das sombras, o que nos faz pensar que Laforge se escondeu na Europa do leste e provavelmente tenha sido ajudado por essa tribo. E o curioso é que esses fetiches continuaram a aparecer mesmo quando Laforge já deveria estar com muito mais de cem anos. Isso nos faz pensar que ele deve ter tido um filho ou discípulo…


- Era um Bourbon D´Órleans! - interrompeu Aleksandr, impaciente - Em minhas pesquisas, descobri que o theurge de quem Laforge roubou a grã-klaive era um Bourbon D´Órleans, de um ramo mais distante da sua família, Alaín, uma sub-linhagem de onde veio um ahroun que era primo de…

- Eu ia chegar lá. - interrompeu Anton com severidade - Sim, a klaive foi roubada de um Bourbon D´Órleans por isso queríamos falar com você. Segundo Aleksandr, pelas linhas de sucessão, ela teria chegado até suas mãos. É sua de direito. Por isso queríamos que você nos ajudasse a encontrar essa klaive e, evidentemente Laforge. Ou melhor, seu sucessor.

Se a klaive ainda está em seu poder, você deve recuperá-la e usá-la em benefício de Gaia. E se Laforge ensinou sua técnica a um sucessor ou deixou algum manuscrito que está sendo usado por ele, isto deve servir para que Brian aprenda a ser um bom forjador de fetiches. É a maneira como Laforge se redimirá de seu crime e também um serviço à tribo que pode significar sua ascensão a adren, Alain. Sem falar de minha gratidão pessoal.

Se for de seu interesse, pode desafiar-me pelo posto na próxima assembléia. Eu lhe darei a tarefa de convencer o sucessor de Laforge a ensinar o que sabe a Brian. O trabalho não será obrigá-lo. Mas como um bom philodox, fazê-lo ver que seu empenho em formar um novo parente forjador de fetiches é a maneira mais justa de corrigir tudo o que fizeram de errado até aqui.


- E tem a revista, a joia, a moça, você esta sé esquecendo, Anton-rhya! - cortou novamente Aleksandr, antes que Alain pudesse responder.

Anton cerrou os dentes e respirou fundo, fazendo um gesto para que Aleksandr se contivesse, enquanto esperava pela resposta de Alain.

- Temos uma pista… - murmurou Aleksandr Aleksandr cabisbaixo após a repreensão do líder.


*Rodrigo*Alexey    *Mitzuki  


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Esta é uma obra de ficção. A menos que você seja um lobisomem, qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem  Alexyus em Dom 5 Fev 2017 - 12:19

Após a batalha em Vaki, Alaín ainda passou duas semanas na Ásia Central.

Ele procurou ser útil em tudo que podia, ajudando a organizar a aliança das seitas, acolher os parentes resgatados, caçar os fugitivos e estruturar as novas cidades. Ele mesmo tinha ficado um tanto abalado com os desdobramentos do ataque, não apenas pelo seu ferimento, mas portodas as mortes que presenciara, numa operação que devia ter sido mais simples, `Pas vezes se perguntando se stress pós-traumático também acometeria garous ou se estava apenas irritado por um plano tão bem elaborado ter resultado num desfecho tão imperfeito. Mas a maior parte do seu tempo era dedicada à recuperação de Tatiana. Triunfo-de-Gaia sempre retornava para se certificar de que ela e alimentava bem, estava bem cuidada, não estava ferida e estava conseguindo superar o traumado cativeiro no castelo Vaki. Mesmo com a pouca fluência no idioma, Alaín estava criando grande empatia com a garota, que não era tão mais velha do que ele e tinha o sangue puro dos parentes dos presas de prata, o que era um imã primal para ele.

Apenas três dias antes de partir em retorno ao ocidente, Alaín pediu a Tânia que viesse com ele. Ele prometeu protegê-la, mantê-la a salvo, e ajudar a vingar-se dos Dançarinos da Espiral Negra por todos os crimes contra Gaia. Ela aceitou, e ele assumiu todos os compromissos por ela perante a seita do rei Vladi. Ele a tomou como sua protegida e cuidou da papelada para que ela pudesse permanecer no Canadá, sob o status de refugiada de uma zona de guerra. Junto com ela, Alaín também adotou o velho cachorro que os peregrinos silenciosos tinham resgatado, como um mascote para Tânia, a fim de que ela não se sentisse solitária demais. Ela ainda estava penando em como ia batizar o cão de estimação.

A relação dela com Alaín ficara muito estreita bastante depressa, mas ele a tratava como uma princesa, jamais insinuando qualquer relação sexual com Tânia. Ele queria, é claro, e ela sabia que ele a desejava intensamente, mas Alaín Bourbon D´Órleans era um homem de palavra, vivendo e morrendo por sua honra. Por mais que Tatiana Lunisvet parecesse a parceira biológica e psicológica ideal para ele, já que conhecia e tinha visto o pior e o melhor dos garous e dos presas de prata, Alaín não esquecera Maysa Dibh. A relação com Maysa era bem mais complicada, tanto pela distância quanto pela posição como parente dos andarilhos do asfalto, para não falar sobre a falta de raça pura que seus filhotes com ela teriam. Mas Triunfo-de-Gaia manteria sua palavra.

O que o levou da Ásia ao Canadá foi o simples fato de que toda sua base de operações estava em Montreal e Vancouver; era mais fácil alojar e instruir Tânia ali do que no Brasil, onde ele ainda tentava entrar no jogo dos grandes. Isso o fazia pensar que já era hora de solidificar seus investimentos no país, construindo uma estrutura estável para seus negócios na América do Sul. A crise econômica que o país atravessava parecia uma boa oportunidade para investir a preços baixos e ganhar fatias importantes do mercado antes que a recessão acabasse. Alaín tinha planos para isso, mas Maysa era a principal razão deles, e também peça principal em sua estratégia.

No Canadá, Alaín providenciou que Tatiana começasse a ter aulas de inglês e francês, e apresentou-a aos irmãos anciões Victoria e Luís Consuelo Real, situando-a na comunidade garou local e estabelecendo sua condição como companheira e protegida de Triunfo-de-Gaia. Também foi necessário que ela aprendesse a operar dispositivos eletrônicos como celulares e computadores, a fim de que ele pudesse manter contato com ela quando estivesse longe. Mas os dedicados funcionários de Alaín estavam encantados em colaborar com a nova "hóspede" de seu patrão.

Quando a carta de Anton chegou, Alaín já a esperava. Ele teria ido antes se tivesse sido possível, mas seus negócios e a mudança de Tânia o detiveram por mais tempo do que ele planejara. Mas quando a convocação dos presas de prata chegou, ele sabia que era inadiável. Resolveu rapidamente todas as providências para sua ausência e partiu rumo à Fonte Fria.

***

No Brasil, Maysa não o recepcionou no haras, e Alaín adivinhou que isso representava uma conversa difícil muito em breve. Mas como um phillodox disciplinado, foi ter com Anton assim que chegou, avisando sua presença e respondendo o chamado. Aleksander também estava lá, e os três tomaram um chá que agradava bastante o paladar do canadense. Ele manteve-se humilde diante das parabenizações pela batalha de Vaki, por que no íntimo não se achava tão merecedor das honras que lhe foram concedidas, mas as cortesias entre os garous eram sempre uma solenidade que ele tinha gosto em participar.

Quando Antón começou a explicar, Alaín ouviu atentamente, raciocinando enquanto escutava.

"Nem por um momento achei que Anton falou aquilo gratuitamente. Então, o jovem Brian têm se mostrado pouco útil? Mas ainda não vejo no que isso me concerne...

Ah, parentes forjadores de fetiches? Como isso seria possível? Talvez eles façam apenas o receptáculo, afinal não poderiam induzir os espíritos no ritual do fetiche.

Laforge? O nome é familiar, mas não consigo situá-lo. Ah, Fabergé, os famosos ovos russos! Com que então ele também era um parente?! Impressionante...

Ah, antepassados! Vocês não cansam de me envergonhar? Como puderam tratar mal um fetiche dessa magnitude? E jogar o forjador bem no colo dos Senhores das Sombras? Bem, Anton e Aleksander já pensaram em tudo, parece uma missão ideal pra mim e também de grande importância para a tribo. Não há dúvida de que a aceitarei.

Hum, alcançar o posto adren? Bastante conveniente, mas pelas regras do renome, a chance é merecida. esperar a próxima assembleia implica em ficar aqui por um pouco até que ela ocorra, mas isso combina bem com os meus outros planos..."


Aleksander soltou mais indícios de informação, mas Anton fê-lo se calar. Alaín compreendeu que aquele não era o momento para mais informações.

- Eu aceito, Anton-rhya. Encontrarei o forjador, recuperarei meu legado familiar e trarei o que conseguir a nós. Eu lhe agradeço a chance de uma missão tão auspiciosa e também a oportunidade para ascender de posto. Gostaria de todas as informações que tiverem disponíveis que me possam ser úteis antes de partir.

Alaín escutou atentamente qualquer informação a mais que le dessem, e após encerrado o assunto, ele entabulou outro.

- Anton-rhya, como sabe, minhas irmãs estão estudando no Brasil nesse momento, Maysa Dibh está aqui e eu já possuo diversos laços com a seita de Fonte Fria. Estou cogitando me mudar para cá em caráter definitivo, mas antes de decidir, gostaria de discutir qual seria meu lugar na seita e nos negócios do haras.

Era o homem de negócios agora que Alaín assumia, e ele expôs seus planos:

- Eu posso fazer um aporte vultoso no haras, e também ajudá-lo a encaixar mais posições no mercado internacional de criação de animais. Também pretendo abrir algumas empresas no país que me permitam permanecer aqui mesmo sendo estrangeiro. Essas manobras visam tirar dos andarilhos do asfalto, ou melhor, de Estevão, o controle financeiro do haras. Pretendo afastar também Maysa dele o máximo possível. Sei que Julián e os outros talvez não apóiem a manobra, e isso me leva a questão de como um presa de prata como eu seria aceito na seita pelos membros das outras tribos. Se eu for útil para reforçar a dominância dos presas de prata e para o progresso do caern, ficarei feliz em vir, mas se eu for atrapalhar, então posso refazer meus planos e permanecer aenas como um aliado distante. O que pensa de tudo isso, Anton?  
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem  Lua em Seg 13 Fev 2017 - 11:24

Quando a mente de Alain tranquilizou-se, ele entendeu que nem Fabergé era parente, nem os Bourbon D`Orleans tiveram algo a ver com a quebra do fetiche que desatou a paranóia de Laforge. Aleksandr já estava indo adiante na conversa, porém, sendo contido por Anton. Alain, então, respondeu à demanda:


- Eu aceito, Anton-rhya. Encontrarei o forjador, recuperarei meu legado familiar e trarei o que conseguir a nós. Eu lhe agradeço a chance de uma missão tão auspiciosa e também a oportunidade para ascender de posto. Gostaria de todas as informações que tiverem disponíveis que me possam ser úteis antes de partir.


Anton assentiu com um gesto de cabeça e prosseguiu:

- Bem, como eu lhe dizia, fetiches com o estilo de Laforge nunca deixaram de aparecer e nós investigávamos seu rastro. Ocorre que há algumas semanas, Aleksandr estava vendo uma revista de celebridades… e nós seremos educados e não perguntaremos o que um garou faz lendo revistas de celebridades…

-  Informação, Anton-rhya! – atalhou Aleksandr, hiperativo - Um bom investigador não desdenha nenhuma fonte! Nenhuma.

Anton ergueu uma sobrancelha, duvidoso.

- Ah, está bem. Eu leio tudo sobre Mônaco, sou fã dos Grimaldi, não resisto a uma dinastia, mesmo humana. – Aleksandr deu de ombros  – Mas, voltando ao assunto. Uma revista estrangeira chamou minha atenção. A capa era uma plebéia, Ameline Oberholzer, herdeira de um banqueiro monegasco. Só que ela aparecia usando uma jóia com o típico estilo de Monsieur Laforge. Fui investigar entre nosso povo e, voilá! , a jóia não só parecia, era idêntica a uma que Laforge fez para ser um Brinco da Verdade. Inclusive pelo uso da opala negra, uma pedra muito ao gosto dele. O fetiche ainda está com a seita da dona. E consegui uma imagem da jóia de Ameline..

Aleksandr molhou a garganta com um gole de chá, enquanto estendia alguns recortes e fotos para Alain.

Spoiler:

- Investiguei os Oberholzer. – disse, pousando a xícara -  Claro que as linhagens das outras tribos são mal documentadas, quando o são, com essa praga da mestiçagem…

Anton olhou para o lado.

- … mas ainda assim posso dizer que essa família não tem ligação com os garous. Então, o que faz uma herdeira humana, que em sua vida jamais deve ter usado cópia de nada, exibindo uma réplica de um antigo fetiche garou em um evento? Acho que você pode começar por aí. - disse Alekxandr - O avô da senhorita Oberholzer acaba de fazer uma doação ao Jardin Exotique de Mônaco e se reunirá com outros benfeitores no restaurante Le Louis XV - Alain Ducasse do famoso Hotel de Paris, em Mônaco, para comemorar. E Ameline costuma acompanhá-lo nesses eventos.

- Uma boa moça. – observou Anton.

- Mais que isso! - empolgou-se Aleksandr - Uma garota entediada… e com uma taça na mão! Ameline Oberholzer é famosa por vida boêmia e debilidade ao álcool e isso lhe facilitará as coisas, Alian. Não que eu subestime seus dotes de convencimento, claro…você é um homem bem bonito. Quero dizer, para os que gostam de homem…

As unhas de Anton crisparam-se ao redor da xícara.

- … ou melhor, para as mulheres! - emendou Aleksandr - Mulheres. Mulheres parentes, quero dizer. Parentes que sejam mulheres. Ou melhor, mulher parente. MULHER ParentEEE… Uma só, no singular!

- Enfim, esta é sua pista. – cortou Anton, impacientando-se – Amanhã a noite será nossa assembléia e na noite seguinte o jantar dos Oberholzer e você poderá começar a missão, Triunfo de Gaia. Aleksandr, você está dispensado. Spasiba.


Alaín escutou atentamente qualquer informação a mais que le dessem, e após encerrado o assunto, ele entabulou outro.

- Anton-rhya, como sabe, minhas irmãs estão estudando no Brasil nesse momento, Maysa Dibh está aqui e eu já possuo diversos laços com a seita de Fonte Fria. Estou cogitando me mudar para cá em caráter definitivo, mas antes de decidir, gostaria de discutir qual seria meu lugar na seita e nos negócios do haras.

Era o homem de negócios agora que Alaín assumia, e ele expôs seus planos:

- Eu posso fazer um aporte vultoso no haras, e também ajudá-lo a encaixar mais posições no mercado internacional de criação de animais. Também pretendo abrir algumas empresas no país que me permitam permanecer aqui mesmo sendo estrangeiro. Essas manobras visam tirar dos andarilhos do asfalto, ou melhor, de Estevão, o controle financeiro do haras. Pretendo afastar também Maysa dele o máximo possível. Sei que Julián e os outros talvez não apóiem a manobra, e isso me leva a questão de como um presa de prata como eu seria aceito na seita pelos membros das outras tribos. Se eu for útil para reforçar a dominância dos presas de prata e para o progresso do caern, ficarei feliz em vir, mas se eu for atrapalhar, então posso refazer meus planos e permanecer aenas como um aliado distante. O que pensa de tudo isso, Anton?  
Anton reclinou-se na cadeira, ponderando por alguns segundos. Então disse:

- Antes de mais nada, nem preciso dizer que sua presença será muito bem-vinda. Você tem participado com honra de todas as missões relacionadas ao caern e nossos aliados e é um presa de prata valioso, principalmente nesta região, onde há tão poucos. Eu ficaria muito feliz com sua vinda.

explicações sobre o haras e a seita:
Agora, com relação às suas intenções de negócios, algumas coisas têm que ser esclarecidas. A mais importante é que o haras e o caern são independentes, ainda que se ajudem entre si. "Nossos" cavalos menos sensíveis à Maldição e com pelagem cinza tendendo ao prateado costumam ser comprados e, algumas vezes, até presenteados a presas de prata e isso é diplomacia para o caern. Por outro lado, segundo aprendi ouvindo Laura e Felipe, um haras depende, fundamentalmente, de boas pastagens e fontes de água. A proximidade com o caern garante a fertilidade dos pastos sem a necessidade de insumos, o que barateia a produção, e a dos cavalos, o que dispensa técnicas de reprodução artificiais. E a água daqui é excelente e abundante.

No mais, o Haras de Prata e o Caern Fonte Fria são duas coisas separadas. O haras veio antes do caern. Laura ainda era um filhote perdido quando montou-o. E ele pertence à ela. Os cuidados estão todos a cargo dela e de Felipe, que é como seu filho. Nem eu nem Julián inteferimos no haras mais do que o relacionado às questões estratégicas e Estêvão não tem relação alguma com as finanças do haras. Da seita sim, mas não do haras. Por outro lado - e isso é conselho para você como investidor garou - nenhum negócio que envolva a natureza, seja animais, plantas ou minerais, resiste às forças da Weaver se for feito em grande escala. Suspeite de bons negócios nessas áreas. Sempre escuto Laura dizer que o haras tem o volume de produção ideal para o bem estar dos animais. Mais que isso, é produção em escala, lucro e comodidade para os humanos e um clavo a mais no caixão de Gaia.

Então, procure áreas não tão dependentes da natureza para seus investimentos no país, se quer ganhar dinheiro sendo um bom garou. E em produção sustentável de bens, se quer ajudar a Gaia. Talvez você possa conversar com Felipe, pois ele quer expandir a produção de alimentos livres da Weaver para além da subsistência da seita. Esse tipo de negócio é com ele, eu e Julián nos ocupamos só da Seita.

Aí entramos na questão de sua vinda como garou. E é disso que precisamos, de sua contribuição como garou.

Esta é uma seita multi-tribal e pequena. Recebemos bem a todos os que queiram ajudar. Klauss, por exemplo, conseguiu o respeito até mesmo das fúrias negras daqui, E seu valor, Alain, já está mais do que reconhecido. Posso garantir que seria bem recebido. E que eu apreciaria muito ter mais presas de prata na seita. Concordo com Julián que temos que nos relacionar bem com os metamorfos, queiramos ou não. Mas eu sempre vou preferir um garou mais no caern, sobretudo se for presa de prata, do que um metamorfo. E, nas condições em que estamos, temos que aceitar alguns deles - Silas e Rubens - dentro das divisas (!) porque é isso ou ficar vulnerável à Wyrm. Essa é nossa situação atual. Receberíamos alguém como você com mil braços abertos.

Agora… o que eu não posso é lhe garantir um posto em troca de sua ajuda. Esta é uma seita formada, os postos estão preenchidos e substituir alguém por você seria uma indignidade com meus lobisomens. Você teria que conquistar seu lugar aqui como qualquer outro. Claro que posso orientá-lo e ajudá-lo no que for preciso, mas sua ascensão terá que ser dentro da tradição garou, senão teremos problemas políticos aqui. Mas estou certo que conquistar postos por seus méritos é exatamente isso o que você espera, não é mesmo?

Com relação a Estêvão… Ahhh… Estêvão. Ele é uma dor de cabeça e uma ajuda de igual tamanho. Não só é fundamental para a economia da seita e tudo o que se refere ao mundo dos humanos e às redes de informação quanto é querido por nós. Tenho que confessar, no fundo, gostamos dele. É um bom garou… com uma tendência às piores escolhas românticas, que terminou… do jeito que terminou, com um métis nos braços. E isso até o próximo problema, lamentavelmente. Seria bom diminuir sua influência? Sim. Seria melhor ainda se a balança inclinasse em favor dos presas de prata? Claro. Mas não é algo tão fácil de ser feito.

Quanto a Mayasa, não creio que ele esteja interessado nela, mas, evidentemente, não posso garantir que um dia não ocorra algo. Tudo é possível em temos de Estêvão… E mais, ela é uma parente, da tribo dele. Eu não poderia fazer nada a respeito. Aliás, seria maravilhoso se ele sentasse cabeça. Então, se você pretende continuar com Maysa  - que, aliás, devo dizer, está se saindo muito bem como nossa auxiliar - as possíveis divergências que possa ter com Estêvão serão consideradas problemas pessoais, não da seita, entende? Terão que resolvê-las entre vocês dois. E, se forem honrados, não deixando prejudicar o caern.

De minha parte, Alain, por mais que preze Maysa e a considere uma parente exemplar, digna dos melhores garous, eu lhe aconselharia a pensar bem antes de casar-se fora da tribo, sobretudo se tem uma alternativa… Eu o fiz. Tenho a melhor família do mundo e nunca me arrependi. Mas isso terá um peso grande em sua vida, acredite-me.


Bem, já falei de mais! Amanhã de noite teremos a assembléia. Espero que Nádia ao menos possa ser uma boa galliard e narrar bem seus feitos na Ásia. Até lá, fique à vontade e desfrute do caern antes de sua nova missão.


Com um sorriso, Anton saiu do escritório, deixando Alain livre para fazer o que quiser.


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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem  Alexyus em Sab 18 Fev 2017 - 14:28

Alaín surpreendeu-se com as fontes de pesquisa de Alexander, mas naquele caso, acabaram sendo úteis, portanto o phillodox não se preocupou em criticar as idiossincrasias do genealogista.

Apanhou os recortes das revistas que Alexander mostrava, examinando a moça e o brinco que ela carregava.

"Parece mesmo algo singular, mas talvez não seja um fetiche. Mas é a única pista, então é um bom lugar pra começar..."

A afirmação de Alexander que a família Oberhalzer não tinha ligações com os garous soou destoante para Alaín.

"Podem não ser uma linhagem tradicional de Parentes, mas os garous já agiram por todo o mundo, e podem ter cruzado o caminho deles em algum momento. Por outro lado, se eles não são vigiados de perto pelos garous, seriam patronos ainda melhores para Leforge..."

O avô da senhorita Oberholzer acaba de fazer uma doação ao Jardin Exotique de Mônaco e se reunirá com outros benfeitores no restaurante Le Louis XV - Alain Ducasse do famoso Hotel de Paris, em Mônaco, para comemorar. E Ameline costuma acompanhá-lo nesses eventos.

A deixa saltou ao olhos de Alaín. Como membro da aristocracia canadense, ele poderia facilmente conseguir um lugar na recepção de caridade do Jardim Exotique e assim se aprofundar em suas investigações da família. Ele não precisava que lhe dissessem como proceder nesse caso.

Mas Alexander achou que ele precisava.

- Uma boa moça. – observou Anton.

- Mais que isso! - empolgou-se Aleksandr - Uma garota entediada… e com uma taça na mão! Ameline Oberholzer é famosa por vida boêmia e debilidade ao álcool e isso lhe facilitará as coisas, Alian. Não que eu subestime seus dotes de convencimento, claro…você é um homem bem bonito. Quero dizer, para os que gostam de homem…

As unhas de Anton crisparam-se ao redor da xícara.

- … ou melhor, para as mulheres! - emendou Aleksandr - Mulheres. Mulheres parentes, quero dizer. Parentes que sejam mulheres. Ou melhor, mulher parente. MULHER ParentEEE… Uma só, no singular!

- Enfim, esta é sua pista. – cortou Anton, impacientando-se – Amanhã a noite será nossa assembléia e na noite seguinte o jantar dos Oberholzer e você poderá começar a missão, Triunfo de Gaia. Aleksandr, você está dispensado. Spasiba.

A cada frase de Alexander, Alaín ficava mais constrangido, ciente de que seu nome devia estar correndo entre todas as más línguas.

"Quanta injustiça! Comigo, com Maysa, com Tânia, que eles sequer conhecem! Vou resolver isso sem demora!"

Ele suspirou aliviado quando Anton dispensou Alexander.

Com o ancião, ele podia falar sem rodeios, analisando suas possibilidades táticas dentro da seita e no cenário brasileiro.

Agora, com relação às suas intenções de negócios, algumas coisas têm que ser esclarecidas. A mais importante é que o haras e o caern são independentes, ainda que se ajudem entre si. "Nossos" cavalos menos sensíveis à Maldição e com pelagem cinza tendendo ao prateado costumam ser comprados e, algumas vezes, até presenteados a presas de prata e isso é diplomacia para o caern. Por outro lado, segundo aprendi ouvindo Laura e Felipe, um haras depende, fundamentalmente, de boas pastagens e fontes de água. A proximidade com o caern garante a fertilidade dos pastos sem a necessidade de insumos, o que barateia a produção, e a dos cavalos, o que dispensa técnicas de reprodução artificiais. E a água daqui é excelente e abundante.

No mais, o Haras de Prata e o Caern Fonte Fria são duas coisas separadas. O haras veio antes do caern. Laura ainda era um filhote perdido quando montou-o. E ele pertence à ela. Os cuidados estão todos a cargo dela e de Felipe, que é como seu filho. Nem eu nem Julián inteferimos no haras mais do que o relacionado às questões estratégicas e Estêvão não tem relação alguma com as finanças do haras. Da seita sim, mas não do haras. Por outro lado - e isso é conselho para você como investidor garou - nenhum negócio que envolva a natureza, seja animais, plantas ou minerais, resiste às forças da Weaver se for feito em grande escala. Suspeite de bons negócios nessas áreas. Sempre escuto Laura dizer que o haras tem o volume de produção ideal para o bem estar dos animais. Mais que isso, é produção em escala, lucro e comodidade para os humanos e um clavo a mais no caixão de Gaia.

- Não era o que eu tinha me mente, absolutamente! A ideia não é de forma nenhuma aumentar a produção, mas sim valorizar o produto que temos. Embora o lucro seja uma forma de controle da Weaver, qualquer quantia sob nosso controle não está sendo usada por nossos inimigos, então vale a pena tentar popularizar esses métodos benéficos à Gaia para superar os criadores que maltratam os animais. De qualquer forma, meu interesse é agregar valor para colocar os cavalos num mercado exclusivo, gerando um diferencial para o haras que aumentaria o faturamento.

Então, procure áreas não tão dependentes da natureza para seus investimentos no país, se quer ganhar dinheiro sendo um bom garou. E em produção sustentável de bens, se quer ajudar a Gaia. Talvez você possa conversar com Felipe, pois ele quer expandir a produção de alimentos livres da Weaver para além da subsistência da seita. Esse tipo de negócio é com ele, eu e Julián nos ocupamos só da Seita.

- Não me preocupo em ganhar dinheiro simplesmente, pois já tenho o bastante, mas sim em gerar dividendos que se convertam em vantagens para a Nação Garou e para Gaia. Essa ideia do Felipe parece interessante, fazendas orgânicas estão muito em voga atualmente e pode se provar uma faceta interessante de negócios. Falarei com ele.

Aí entramos na questão de sua vinda como garou. E é disso que precisamos, de sua contribuição como garou.

Esta é uma seita multi-tribal e pequena. Recebemos bem a todos os que queiram ajudar. Klauss, por exemplo, conseguiu o respeito até mesmo das fúrias negras daqui, E seu valor, Alain, já está mais do que reconhecido. Posso garantir que seria bem recebido. E que eu apreciaria muito ter mais presas de prata na seita. Concordo com Julián que temos que nos relacionar bem com os metamorfos, queiramos ou não. Mas eu sempre vou preferir um garou mais no caern, sobretudo se for presa de prata, do que um metamorfo. E, nas condições em que estamos, temos que aceitar alguns deles - Silas e Rubens - dentro das divisas (!) porque é isso ou ficar vulnerável à Wyrm. Essa é nossa situação atual. Receberíamos alguém como você com mil braços abertos.

Alaín não deixou de detectar a ênfase no verdadeiro interesse de Anton. A situação em Fonte Fria não era caótica como na Ásia Central, mas Triunfo-de-Gaia sabia que tanto ali como lá ele seria um soldado, um recurso, sacrificável se necessário. Não era o medo da morte que o preocupava, mas sim o de uma morte tola, como vira tantas na batalha de Vaki.

Agora… o que eu não posso é lhe garantir um posto em troca de sua ajuda. Esta é uma seita formada, os postos estão preenchidos e substituir alguém por você seria uma indignidade com meus lobisomens. Você teria que conquistar seu lugar aqui como qualquer outro. Claro que posso orientá-lo e ajudá-lo no que for preciso, mas sua ascensão terá que ser dentro da tradição garou, senão teremos problemas políticos aqui. Mas estou certo que conquistar postos por seus méritos é exatamente isso o que você espera, não é mesmo?

Alaín sorriu ante o reconhecimento do ancião sobre a personalidade dele:

- De modo nenhum, Antón-rhya! Não desejaria nenhum privilégio imerecido, isso perturbaria demais a estrutura política da Nação Garou e da seita local. Considero-me bastante capaz de conquistar qualquer posição no devido tempo e paciente o suficiente para aguardar o melhor momento. Na verdade, o fato de não ter posto oficial na seita no início seria útil para me dar liberdade de ação enquanto me estabeleço no país. Não deve se preocupar quanto a isso, eu lhe asseguro.

Com relação a Estêvão… Ahhh… Estêvão. Ele é uma dor de cabeça e uma ajuda de igual tamanho. Não só é fundamental para a economia da seita e tudo o que se refere ao mundo dos humanos e às redes de informação quanto é querido por nós. Tenho que confessar, no fundo, gostamos dele. É um bom garou… com uma tendência às piores escolhas românticas, que terminou… do jeito que terminou, com um métis nos braços. E isso até o próximo problema, lamentavelmente. Seria bom diminuir sua influência? Sim. Seria melhor ainda se a balança inclinasse em favor dos presas de prata? Claro. Mas não é algo tão fácil de ser feito.

Alaín não disse nada, mas questionava fortemente o conceito de "bom garou" que todos tinham sobre Estevão.

"Pode ser um garou habilidoso, inteligente e capaz, mas nenhum garou que despreze a Litania pode ser considerado bom..."

- Nem fácil, nem rápido, eu reconheço. Mas deve ser feito, para fortalecer o senso moral da seita e afastar novos perigos do caern. Tive reservas sobre estevão desde o início, e ainda não tenho motivos para confiar nele. Mas prefiro não ter dores de cabeça e fazer tudo sem ajuda do que a situação presente...

Quanto a Mayasa, não creio que ele esteja interessado nela, mas, evidentemente, não posso garantir que um dia não ocorra algo. Tudo é possível em temos de Estêvão… E mais, ela é uma parente, da tribo dele. Eu não poderia fazer nada a respeito. Aliás, seria maravilhoso se ele sentasse cabeça. Então, se você pretende continuar com Maysa - que, aliás, devo dizer, está se saindo muito bem como nossa auxiliar - as possíveis divergências que possa ter com Estêvão serão consideradas problemas pessoais, não da seita, entende? Terão que resolvê-las entre vocês dois. E, se forem honrados, não deixando prejudicar o caern.

O Bourbon D´Órleans teve que se concentrar desse vez para continuar falando de modo frio e racional com o ancião:

- Se eu tomar Maysa, ela será MINHA parente, e os filhos dela serão parentes dos presas de prata através da minha linhagem! Não peço que faça nada a respeito, Anton-rhya, sou plenamente capaz de defender o que é meu por meus próprios meios. Se chegar ao ponto de ter que confrontar Estevão, eu o farei sem prejudicar a seita, honradamente, como sempre fiz, mas não posso garantir nada sobre a honradez de Estevão. Como disse, não confio nele!

De minha parte, Alain, por mais que preze Maysa e a considere uma parente exemplar, digna dos melhores garous, eu lhe aconselharia a pensar bem antes de casar-se fora da tribo, sobretudo se tem uma alternativa… Eu o fiz. Tenho a melhor família do mundo e nunca me arrependi. Mas isso terá um peso grande em sua vida, acredite-me.

Alaín meneou a cabeça. lamentando o conselho de Anton:

- Eu dei minha palavra de honra. Tenho que viver à altura dela e cumpri-la de qualquer modo. Não há alternativa a isso. Mas resolverei esse impasse ainda hoje!

Bem, já falei de mais! Amanhã de noite teremos a assembléia. Espero que Nádia ao menos possa ser uma boa galliard e narrar bem seus feitos na Ásia. Até lá, fique à vontade e desfrute do caern antes de sua nova missão.

Com um sorriso, Anton saiu do escritório, deixando Alain livre para fazer o que quiser.

Alaín despediu-se de Anton com um aceno respeitoso, mas em silêncio contemplativo, recapitulando toda a conversa. Sua mente analítica pesava cada frase e palavra ditas. Mas passaram-e apenas alguns momentos antes que ele se ele se levantasse e seguisse o caminho de Anton. Era hora de agir.

Ele rumou para o escritório do haras, onde poderia encontrar tanto Maysa quanto Felipe, duas das pessoas com quem tencionava ter conversas muito sérias. Laura era a terceira meta dele, mas ficaria para mais tarde. Sua preferência era falar primeiro com Maysa e depois com Felipe, mas se fosse o contrário, aproveitaria para sondar o Parente sobre as ações e disposições de sua prometida.

Abriu a porta do escritório e ficou parado no umbral, como um herói retornado da guerra (o que era exatamente o que ele era).

Seu coração batia acelerado na expectativa da reação de Maysa, mas seu rosto permanecia impassível e sua mente seguia trabalhando furiosamente as possibilidades.
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem  Lua em Sex 24 Fev 2017 - 6:48

Abriu a porta do escritório e ficou parado no umbral, como um herói retornado da guerra (o que era exatamente o que ele era).


Spoiler:


A reação de Maysa foi mais fria que o vento da estepe.

- Olá. - disse ela - Anton já avisou Felipe que você quer falar com ele. Ele o espera.

- Entra, Alaain! - chamou Felipe através da porta aberta, de um jeito informal e simpático.

Ao olhar pela porta que separava a pequena recepção do escritório em si, Alain pôde notar como tudo estava mais ordenado e bonito. Os objetos, a distribuição e os aromas, tudo era mais elegante desde que Maysa assumira a organização do escritório.

- Felicite-o pelo nascimento do filho. - aconselhou ela, sussurrando - Mas não ponha ênfase em que é outro menino, as fúrias estão pegando no pé de Agnella.

Foi o momento de maior proximidade entre Alain e Maysa mas o tom da jovem era eficiente e contido, como o de uma esposa exemplar.

Na sala, Felipe esperava-o com um café recém preparado. A nota desagradável era que Estêvão também estava lá, trabalhando em frente a seu moderníssimo computador.

- Sente-se, Triunfo-de-Gaia. - disse Felipe com um sorriso. - Anton nos disse que você pretende se estabelecer no país e que quer fazer negócios. Vamos conversar.

- E parabéns pela missão na Ásia Central. - falou Estêvão com amabilidade - Soubemos que se saiu muito bem e salvou as vidas de vários garous e parentes.

Maysa fechou a porta com um pouco mais de força do que o necessário.


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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem  Alexyus em Sex 24 Fev 2017 - 19:01

A reação de Maysa foi mais fria que o vento da estepe.

- Olá. - disse ela - Anton já avisou Felipe que você quer falar com ele. Ele o espera
.

Alaín sentiu o coração apertar no peito ante a gelitude de Maysa. Talvez ele já esperasse algo assim, mas o fato consumado era profundamente perturbador. Ele ficou sem reação até ouvir a voz de Felipe.

Entra, Alaain! - chamou Felipe através da porta aberta, de um jeito informal e simpático.

Ao olhar pela porta que separava a pequena recepção do escritório em si, Alain pôde notar como tudo estava mais ordenado e bonito. Os objetos, a distribuição e os aromas, tudo era mais elegante desde que Maysa assumira a organização do escritório.

A mente de Alaín voltou a funcionar com um arranque. Ele subitamente se deu conta do seu arredor, notando as diferenças nele desde a última vez que esteve ali. O ambiente elegante e confortável era sem sombra de dúvida obra da Maysa. O funcionamento informal era característico de uma empresa familiar brasileira, muito diferente dos tratos duros, árduos e protocolares que Alaín sempre enfrentara no Canadá.

Ele ainda estava analisando tudo quando Maysa sussurrou para ele:

.  Felicite-o pelo nascimento do filho. - aconselhou ela, sussurrando - Mas não ponha ênfase em que é outro menino, as fúrias estão pegando no pé de Agnella.  

Aquilo foi um vislumbre da Maysa que ele conhecia, a garota afável e atenciosa que com graça e inteligência ganhará seu coração. Alaín a olhou e soube que não desistiria dela mesmo se tivesse de derrubar aquela muralha de gelo.

- Obrigado! Preciso falar com Felipe agora, mas o que eu realmente quero é falar com você! E é muito importante!

Na sala, Felipe esperava-o com um café recém preparado. A nota desagradável era que Estêvão também estava lá, trabalhando em frente a seu moderníssimo computador.  

Ele nunca desenvolverá apreço verdadeiro pela bebida café, mas compreendia o ritual social que ele envolvia. Tinha terminado de beber um bom chá na companhia de Anton e Aleksander, e a situação era idêntica, mas com pessoas diferentes.

A presença de Estevão era incômoda, mas naquela hora ele apenas ignorou o theurge enquanto cumprimentava seu verdadeiro alvo.

- Soube que foi pai novamente, meu caro! Parabéns, que a dádiva de Gaia continue com você!

- Sente-se, Triunfo-de-Gaia. - disse Felipe com um sorriso. - Anton nos disse que você pretende se estabelecer no país e que quer fazer negócios. Vamos conversar.

- E parabéns pela missão na Ásia Central. - falou Estêvão com amabilidade - Soubemos que se saiu muito bem e salvou as vidas de vários garous e parentes.

Maysa fechou a porta com um pouco mais de força do que o necessário.

A cordialidade de Felipe se contrapunha à cortesia falsa e venenosa de Estevão, que magoou Maysa desnecessáriamente.

"Eu estou vendo seus movimentos, cobra venenosa! Você vai pagar por essa impertinência...

Mas o tom de voz de Alaín era totalmente neutro ao responder:

- A guerra é uma situação extrema e eu fiz o que devia. Poderíamos ter vencido mais facilmente, se estivessemos melhor organizados e unidos. Por isso pretendo exatamente reorganizar minhas estratégias para defender Gaia. E é por isso que vim falar com você, Felipe.

- Pesquisei as leis brasileiras e para permanecer no Brasil legalmente, tenho que fazer um aporte financeiro em forma de investimento. Em vez de deixar meu dinheiro num banco qualquer ou fazer um negócio de fachada, prefiro começar uma empreitada de verdade que realmente beneficie a Nação Garou. Meu  intento original era investir no haras. Mas sei que vocês fazem um bom trabalho aqui. O que eu poderia fazer seria explorar oportunidades de mercado para aumentar o preço de venda de cada animal. Sei que é Laura quem dá a palavra final, mas gostaria de discutir com você um plano de negócios viável.


Após o debate com Felipe, tentando evitar interrupções de Estevão de um jeito educado, Alaín mudaria de tópico.

- Ouvi dizer que você também tem ideias sobre negócios em agricultura sustentável. Até onde descobri, as terras aqui na cidade não estão tão caras, então seria possível começar uma fazenda de boas proporções. Eu teria que confiar em você em muitos detalhes, Felipe, mas faria o possível para participar ativamente dá administração.

Triunfo iria observar atentamente as reações de Felipe e ouvir as propostas dele sobre essa questão.

- Uma alternativa seria começar algo na área do ecoturismo. Poderia ser um camping de esportes radicais ou um lugar de mais educação ecológica. Minha dúvida quanto a isso seria a viabilidade disso na segurança, com os metamorfos em volta. Acha que seria implementável?

Após ouvir as opiniões de Felipe sobre a terceira via, Alaín preparou-se para sair.

- Sou sincero com você, Felipe, e admito que o principal motivo para escolher o Brasil para fixar residência é meu compromisso com Maysa. Ela tem papel fundamental em qualquer plano que eu faça, mas parece que houve algumas más interpretações dela. Preciso conversar com ela, então eu ficaria grato se pudesse dispensá-la do trabalho por hoje.
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem  Lua em Seg 6 Mar 2017 - 13:19

Depois das amabilidades iniciais, a conversa entre Alain e os administradores de Fonte Fria começou.


- A guerra é uma situação extrema e eu fiz o que devia. Poderíamos ter vencido mais facilmente, se estivessemos melhor organizados e unidos. Por isso pretendo exatamente reorganizar minhas estratégias para defender Gaia. E é por isso que vim falar com você, Felipe.


Felipe assentiu com a cabeça. Ouvia cada uma das palavras de Alain atentamente, estudando-as com zelo de negociador. Estêvão parecia mais concentrado na complicada planilha no computador em frente a ele mas Alain não era ingênuo de pensar que ele não escutava a conversa com igual atenção.


- Pesquisei as leis brasileiras e para permanecer no Brasil legalmente, tenho que fazer um aporte financeiro em forma de investimento. Em vez de deixar meu dinheiro num banco qualquer ou fazer um negócio de fachada, prefiro começar uma empreitada de verdade que realmente beneficie a Nação Garou.


- Que bom. Nunca entendi garous com fortunas que não estejam a serviço de Gaia. - alfinetou Estêvão sem tirar os olhos do computador.

Felipe preferiu não dar corda ao comentário.


Meu  intento original era investir no haras. Mas sei que vocês fazem um bom trabalho aqui. O que eu poderia fazer seria explorar oportunidades de mercado para aumentar o preço de venda de cada animal. Sei que é Laura quem dá a palavra final, mas gostaria de discutir com você um plano de negócios viável.


- Então… - disse Felipe, reticente. Prosseguiu escolhando cuidadosamente as palavras, não porque quisesse manipulá-lo, sentiu Alain, mas porque era, de hábito, um homem gentil.

- Nossa criação de cavalos é um negócio de expansão limitada, que requer certos conhecimentos técnicos, uma boa dose de dedicação e, sobretudo, amor pelos animais que criamos. Nós os conhecemos pelos nomes, acompanhamos seus nascimentos. Não é só uma questão de bons preços, Alain, mas de encontrar bons donos para os cavalos e de deixar os clientes felizes com eles… Um negócio, claro, mas com certas particularidades que o tornam difícil.

Pensou uns segundos e acrescentou.

- Além disso, o haras é a menina dos olhos de Laura e Gaia sabe o quanto ela pode ser controladora com o que ama…

Estêvão sorriu para sua planilha.

- Acredito que seria um tanto frustrante para você, Alain. - concluiu Felipe - Perdoe minha sinceridade.


- Ouvi dizer que você também tem ideias sobre negócios em agricultura sustentável. Até onde descobri, as terras aqui na cidade não estão tão caras, então seria possível começar uma fazenda de boas proporções. Eu teria que confiar em você em muitos detalhes, Felipe, mas faria o possível para participar ativamente dá administração.


- Sim! - dessa vez Felipe respondeu com brilho nos olhos - Décadas de trabalho sutil de parentes e garous têm surtido efeito e os humanos estão mais predispostos a um consumo consciente. Nós já produzimos de modo ético e sustentável para a seita mas seria maravilhoso expandir isso para os consumidores em geral. Isso não é tão fácil de fazer longe dos benefícios do caern, mas ainda assim é viável. Você pode contar com minha ajuda para o que for necessário. Inclusive, aqui do lado há…

- Uma cidade mais próxima a São Paulo seria mais interessante para você, Alain. - interrompeu Estêvão, girando em sua cadeira de design até encará-lo de frente -Você poderia oferecer alimentos para a USP. Serpente do Brejo é um caern mas a comida da universidade é um lixo da Weaver, comprada de fornecedores humanos com todo seus vícios. Você poderia convencer a seita a arranjar para que a USP comprasse sua produção. Este sim, é um negócio grande. E a universidade têm profissionais em agronomia, pecuária etc, que poderiam ser muito úteis nas mãos de um philodox inteligente como você. Sem falar na influência sobre a seita. Uma relação ganha-ganha bem melhor do que aqui…

- Bem, lá isso é… - ponderou Felipe.


- Uma alternativa seria começar algo na área do ecoturismo. Poderia ser um camping de esportes radicais ou um lugar de mais educação ecológica. Minha dúvida quanto a isso seria a viabilidade disso na segurança, com os metamorfos em volta. Acha que seria implementável?


- Acho que se a questão envolve metamorfos, devo deixá-la a um garou. Estêvão? - disse Felipe com humildade.

- Sinceramente, Alain. - respondeu o theurge - Qualquer área que você adquira nesta região será um problema com os bastet. Os Pumonca são muito territorialistas e eles controlam as matas nativas dos topos das montanhas com a mesma paixão que nós defendemos o vale em que está o caern e influenciamos a cidade. É um equilíbrio instável mas tem funcionado. E tudo graças aos acordos feitos por Julián. Não acho correto um garou de fora instalar-se sem que ele ao menos tenha voltado e começar a adquirir terras colocando em risco a paz conseguida.

- Isto é certo. - disse Felipe, decidindo-se - Todavia… Desculpem-me, sei que um parente como eu não é o mais indicado para falar sobre hierarquia garou… mas… Anton é o ancião presente e ele me disse que falasse de negócios com Alain, então acho que minha obrigação é obedecê-lo e esclarecer todas as perspectivas para Alain, mesmo que o negócio só venha a ocorrer no futuro.

É verdade o que Estêvão disse, os Pumonca protegem as montanhas e nós a cidade e o caern. Mas há um hiato: as terras em poder dos humanos. É certo que vez por outra alguns desses proprietários mais "cheios de idéias" acabam "sofrendo lamentáveis acidentes", seja com nossa ajuda, seja com a dos Pumonca, mas ainda assim não podemos controlar tudo o que cada um faz em suas terras e muitas irregularidades ocorrem. O tal "ecoturismo" muitas vezes de "eco" não tem nada. Os turistas são despreocupados por definição. Vêem árvores e assumem que o ambiente está preservado. Mas nem sempre é assim. Muitos empresários conservam duas ou três araucárias antigas para que seus visitantes recolham pinhões e tirem fotos mas omitem os pinheiros mais jovens que cortaram para construir as cabanas ou para plantar árvores mais interessantes economicamente. Outros introduzem espécies exóticas para dar um ar mais "europeu" ao frio de Pedra Lisa sem preocupar-se com o impacto que isso terá sobre a flora e fauna nativas. Coisas desse tipo. Se você pudesse comprar algumas dessas áreas e implementar um ecoturismo que merecesse o nome, seria, sim, uma boa colaboração para nós, pois não podemos estar em todos os lugares.


- E pode fazer isso no Canadá. - suspirou Estêvão - Não é um problema local, O turismo daninho seguramente ocorre debaixo dos seus narizes por lá.


Após ouvir as opiniões de Felipe sobre a terceira via, Alaín preparou-se para sair.

- Sou sincero com você, Felipe, e admito que o principal motivo para escolher o Brasil para fixar residência é meu compromisso com Maysa. Ela tem papel fundamental em qualquer plano que eu faça, mas parece que houve algumas más interpretações dela. Preciso conversar com ela, então eu ficaria grato se pudesse dispensá-la do trabalho por hoje.


Estêvão escutou a confissão com um olhar pensativo, como se tramasse algo.

- Lamento. - respondeu Felipe - Não posso dispensar Maysa. Ela tem documentos para redigir e ligações a fazer e a atender. Nós estamos indo e vindo o tempo todo e o escritório não pode fizer sozinho. Mas Estêvão e eu estamos de saída no momento, então você poderá conversar com ela aqui mesmo, sem problema.

- Problema é tomar decisões por amor. - disse Estêvão a Alain em um tom enigmático - Afinal, namoradas se perdem e, neste caso, já não teria sentido estar radicado aqui, não é mesmo?…

Em seguida abriu a porta e os três saíram para a recepção. Felipe estaria de volta em algumas horas, mas Estêvão, não. Então disse adeus a Felipe e Alain, despediu-se de Maysa com um beijo no rosto e já deixava o local quando a jovem inesperadamente o reteve.

- Estêvão, espere. Estive pensando e… acho que estou pronta para aprender o dom Dona Nobis Pacem. Você poderia me ajudar com o espírito?

Alain era sagaz o bastante para entender que a intenção de Maysa era castigá-lo, provocando ciúme. E também para captar o sarcasmo dirigido a si nas palavras de Estêvão, quando este virou-se e respondeu à Maysa:

- Bem, se é isso o que você quer… Começamos depois da assembléia.

Estêvão girou-se nos calcanhares e voltou a caminhar, agora com um certo gingado. Estava de costas mas Alain quase podia ver seu sorriso.

Felipe também se foi. Alain ficou a sós com Maysa.


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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem  Alexyus em Seg 6 Mar 2017 - 19:34

Alaín decidiu não se mostrar incomodado com as interrupções de Estevão, procurando se concentrar nas coisas mais importantes.

.

- Então… - disse Felipe, reticente. Prosseguiu escolhando cuidadosamente as palavras, não porque quisesse manipulá-lo, sentiu Alain, mas porque era, de hábito, um homem gentil.

- Nossa criação de cavalos é um negócio de expansão limitada, que requer certos conhecimentos técnicos, uma boa dose de dedicação e, sobretudo, amor pelos animais que criamos. Nós os conhecemos pelos nomes, acompanhamos seus nascimentos. Não é só uma questão de bons preços, Alain, mas de encontrar bons donos para os cavalos e de deixar os clientes felizes com eles… Um negócio, claro, mas com certas particularidades que o tornam difícil.

Pensou uns segundos e acrescentou.

- Além disso, o haras é a menina dos olhos de Laura e Gaia sabe o quanto ela pode ser controladora com o que ama…

Estêvão sorriu para sua planilha.

- Acredito que seria um tanto frustrante para você, Alain. - concluiu Felipe - Perdoe minha sinceridade.  

Ele acenou com a cabeça, compreensivo.

- Entendo seu ponto, Felipe. Com certeza eu sei bem pouco dá criação de cavalos comparado a você, e menos ainda sobre as especificidades locais. Embora pudesse aprender, isso levaria bastante tempo, o que talvez eu não tenha. Mas acredito que você, Estevão, esteja enganado. Eu tenho profunda consideração com Laura, e seria um prazer para mim fazer as vontades dela sobre o haras, ainda mais por ser um assunto que eu não dominó. Ela é uma anciã presa de prata como não se vê muitas por aí, e eu teria prazer em trabalhar com ela. Além do mais, um aporte financeiro num negócio já existente seria bem menos burocrático do que a abertura de uma nova forma. Não descartei de modo algum essa possibilidade por enquanto...

.
- Sim! - dessa vez Felipe respondeu com brilho nos olhos - Décadas de trabalho sutil de parentes e garous têm surtido efeito e os humanos estão mais predispostos a um consumo consciente. Nós já produzimos de modo ético e sustentável para a seita mas seria maravilhoso expandir isso para os consumidores em geral. Isso não é tão fácil de fazer longe dos benefícios do caern, mas ainda assim é viável. Você pode contar com minha ajuda para o que for necessário. Inclusive, aqui do lado há…

- Uma cidade mais próxima a São Paulo seria mais interessante para você, Alain. - interrompeu Estêvão, girando em sua cadeira de design até encará-lo de frente -Você poderia oferecer alimentos para a USP. Serpente do Brejo é um caern mas a comida da universidade é um lixo da Weaver, comprada de fornecedores humanos com todo seus vícios. Você poderia convencer a seita a arranjar para que a USP comprasse sua produção. Este sim, é um negócio grande. E a universidade têm profissionais em agronomia, pecuária etc, que poderiam ser muito úteis nas mãos de um philodox inteligente como você. Sem falar na influência sobre a seita. Uma relação ganha-ganha bem melhor do que aqui…

- Bem, lá isso é… - ponderou Felipe.

Enquanto escutava, o cérebro de Alaín funcionava furiosamente. Quando Felipe ponderou os argumentos de Estevão, o phillodox já tinha um pensamento formado:

- Na verdade, Estevão se precipitou nessa conclusão. Eu pesquisei sobre a USP quando minhas irmãs foram para lá e as informações que obtive são de um gigantismo descentralizado em vários campi por todo o estado. O próprio departamento de agronomia dela está em São Carlos, uma cidade mais próxima daqui do que de São Paulo. Mas Estevão me deu uma ideia para formatar seu propósito, Felipe: em vez de uma fazenda estritamente comercial, poderíamos propor à USP uma parceria numa fazenda-laboratorio de produção orgânica. Assim teríamos o apoio técnico dela e nossa experiência poderia ser replicada em outros lugares que seguissem o estudo dá universidade. Me parece um bom plano... Além do que, a seita do Caern USP ainda não é muito confiável, então não convém trabalhar a longo prazo tão perto do caern deles...

.
É verdade o que Estêvão disse, os Pumonca protegem as montanhas e nós a cidade e o caern. Mas há um hiato: as terras em poder dos humanos. É certo que vez por outra alguns desses proprietários mais "cheios de idéias" acabam "sofrendo lamentáveis acidentes", seja com nossa ajuda, seja com a dos Pumonca, mas ainda assim não podemos controlar tudo o que cada um faz em suas terras e muitas irregularidades ocorrem. O tal "ecoturismo" muitas vezes de "eco" não tem nada. Os turistas são despreocupados por definição. Vêem árvores e assumem que o ambiente está preservado. Mas nem sempre é assim. Muitos empresários conservam duas ou três araucárias antigas para que seus visitantes recolham pinhões e tirem fotos mas omitem os pinheiros mais jovens que cortaram para construir as cabanas ou para plantar árvores mais interessantes economicamente. Outros introduzem espécies exóticas para dar um ar mais "europeu" ao frio de Pedra Lisa sem preocupar-se com o impacto que isso terá sobre a flora e fauna nativas. Coisas desse tipo. Se você pudesse comprar algumas dessas áreas e implementar um ecoturismo que merecesse o nome, seria, sim, uma boa colaboração para nós, pois não podemos estar em todos os lugares.

Alaín não se animou em ter que ouvir as explanações de Estevão, mas foi paciente e esperou até que Felipe alargasse novamente. As palavras dele foram bem mais encorajadoras, e Alaín sorriu:

- Eu entendo seu ponto, Felipe, e concordo plenamente. No Canadá, as áreas selvagens sofreram com a expansão das cidades e em muitos lugares agora elas são vizinhas, mas isso promoveu uma conscientização sem precedentes no mundo acerca do turismo sustentável. Há algumas experiências interessantes que poderiam ser replicadas aqui. Sua sugestão de localização geográfica é estrategicamente excelente, não invadindo a área dos pumoncas mas mantendo um cinturão verde sob nosso controle ao redor de Pedra Lisa. É um plano ambicioso, mas eu gosto de pensar grande como você. Esperarei para falar com Julian, claro, mas acho que esse é um plano de ação que decididamente eu tentarei, e conto com sua ajuda e conhecimento local para essa investida imobiliária!

Em seguida abriu a porta e os três saíram para a recepção. Felipe estaria de volta em algumas horas, mas Estêvão, não. Então disse adeus a Felipe e Alain, despediu-se de Maysa com um beijo no rosto e já deixava o local quando a jovem inesperadamente o reteve.

- Estêvão, espere. Estive pensando e… acho que estou pronta para aprender o dom Dona Nobis Pacem. Você poderia me ajudar com o espírito?

Alain era sagaz o bastante para entender que a intenção de Maysa era castigá-lo, provocando ciúme. E também para captar o sarcasmo dirigido a si nas palavras de Estêvão, quando este virou-se e respondeu à Maysa:

- Bem, se é isso o que você quer… Começamos depois da assembléia.

Estêvão girou-se nos calcanhares e voltou a caminhar, agora com um certo gingado. Estava de costas mas Alain quase podia ver seu sorriso.

Felipe também se foi. Alain ficou a sós com Maysa.

Alaín desconfiou que Felipe não estava disposto a perder uma funcionária como Maysa, mas a postura de Estevão lembrava a dos mais pérfidos senhores das sombras com que Triunfo-de-Gaia já lidara. Ele não se preocupou em responder as considerações dele.

A atitude de Maysa, tão infantil quanto artificial, magoou Alaín não pelo que era, mas pelo que intencionava, justamente magoá-lo.

"Muuuuito maduro, May, realmente está sabendo lidar com a situação como adulta... Só que non!

Embora eles não quisessem deixar o escritório vazio, ficou claro para Alaín que não havia muito trabalho a ser feito naquele momento, então ele não se sentiu culpado por exigir total atenção de Maysa.

Ele sentou-se à frente dela e olhou no fundo daqueles olhos violetas por um longo momento antes de começar a falar:

-Maysa, eu não sei o que você ouviu sobre tudo que aconteceu, mas eu prometi que voltaria para você e vim cumprir minha palavra. Eu nunca menti para você, e vou continuar falando a verdade enquanto te conto tudo que ocorreu. Então por favor abra seu coração e escute a verdade:

- Quando saímos daqui, fizemos uma ponte da Lua até o Marrocos, onde ficamos por um tempo hospedados no hotel de um simpático casal de parentes, aos quais eu prometi te levar lá para ensinar alguns pratos típicos daqui (não esqueci como você cozinha tres bien). De lá nos reunimos com Oleg e  viajamos para encontrar o resto dos nossos aliados. May, por Gaia, eu nunca tinha visto tantos garous reunidos, todos com um único propósito, muitos deles presas de prata, tantos como eu nunca vi juntos! Foi realmente inspirador!

- Nossa missão era exterminar uma pequena cidade de parentes corrompidos, e salvar qualquer inocente que conseguíssemos resgatar. Mas cedo começou a haver problemas, com garous desgarrados, inclusive eu mesmo ficando preso e isolado na Umbra.

-Quando consegui retornar, ajudei Aurora da Esperança a localizar Nádia, que tinha sido capturada e torturada pelos servos da Wyrm. Houve um combate rápido,eu matei alguns deles e um Espiral Negra, mas levei dois tiros de bala de prata.


Fez uma pausa e encarou Maysa, imaginando se ela conseguia imaginar tudo que ele tinha visto.

-Um dos prisioneiros me disse que eles tinham capturado parentes dos presas de prata, que estavam torturando e matando-os, mas que havia ainda uma delas, presa num calabouço sob o castelo onde nunca a acharíamos antes que morresse de fome. Eu negociei com ele até que me dissesse o caminho e depois corri pro castelo. Mas o cenário lá era assustador: garous lutando contra garous, zumbis vingativos dos recém-falecidos, meteoros flamejantes caindo do céu, e apenas uma ponte cheia para chegar ao castelo.

Alaín fez outra pausa, arrepiando com a lembrança.

-Eu tive de assumir o comando de uma tropa inteira e garantir que a maioria sobrevivesse. Mesmo assim foram muitos garous e parentes resgatados que morreram antes que a situação fosse controlada, e eu mesmo saí bastante ferido. Assim que pude, eu corri para resgatar a única refém presa de prata que encontrei, Tatiana Lunisvet. Os garous me renomaram por muitos feitos nesta missão, mas esse foi o único momento em que realmente senti que estava salvando alguém, May.

- O resto do tempo na Ásia Central foi só reconstruir, mas na hora de partir, decidi que havia mais para Tânia fora de lá, longe das turbulências e guerras, além das intrigas políticas. Não queria tê-la salvo para que ela virasse vítima de outras refregas deles. Ela é oficialmente uma refugiada de guerra agora.


Alaín suspirou profundamente, sem nunca desviar os olhos de Maysa. Recomeçou a falar, mas seu tom ficava cada vez mais apaixonado e mais longe dá habitual frieza racional:

- Até agora falei dos fatos. Agora quero te contar do que eu sinto.

- Eu sei que você ama o homem Alaín Bourbon D'Orleans, mas eu também sou Triunfo-de-Gaia, phillodox dos Presas de Prata. Como todos os garous, levo uma vida dupla, sou um monstro que caça outros monstros ainda piores, que mata pessoas que julgo corrompidas, que viaja o mundo explorando lugares insólitos e desafiando a lei dos homens para tentar garantir o futuro de Gaia. Amanhã mesmo eu partirei em outra missão, na qual o primeiro passo é seduzir uma jovem herdeira em busca de informações.  É isso que é ser um garou, Maysa.

- Mas nós somos uma raça em extinção. Nascem menos de nós a cada ano. A minha tribo é ainda mais ameaçada, pois poucos garous e parentes podem ser chamados de presas de prata. Toda aquela bobagem de genealogia que o Aleksander vive falando tem muito fundamento, o respeito que a minha tribo inspira em outros garous vêm do sangue antigo dos maiores heróis de Gaia. Alguns presas de prata fazem de tudo para preservar suas linhagens, casam-se com irmãs, cruzam sempre com as mesmas famílias, até mantém haréns de mulheres e lobas somente para a reprodução, fazem todo tipo de loucos arranjos. Mesmo os lobos, que cruzam com diferentes parceiros a cada estação, são muito mais seletivos do que as outras tribos. Tudo para manter o sangue puro.

- Eu tenho esse sangue antigo nas veias numa das formas mais puras que se pode achar nos dias de hoje. A expectativa da minha tribo é que eu gere descendência com parentes dá mesma estirpe e garanta que esse sangue não se dilua e que ainda existam presas de prata quando meus filhos crescerem.

- Quando eu te conheci, linda, maravilhosa, mágica, minha única decepção foi não achar nenhum vestígio desse sangue real em você, minha princesa! Nossos filhos terão apenas a minha herança genética, o que daria uma chance de 50℅ de serem presas de prata, garous ou parentes, ainda assim do tipo mais vulgar. Mesmo assim, eu quis você, quis ter filhos com você, quis você pra mim. Te quis mesmo sabendo que minha tribo te viraria as costas, que por fazer isso eu jamais seria um rei da Coração Irrompivel, que seria apenas um príncipe que não cumpriu com seus deveres. Eu aceitei isso, não me arrependi, mas preciso que você entenda tudo de que eu abri mão e valorize isso!


Alaín buscou apertar a mão de Maysa sobre a mesa, fitando-a intensamente.

- Agora, eu vou lhe dizer tudo sobre Tânia. Ela é jovem, quase uma adolescente, me faz sentir como se fosse uma prima. Ela é alegre apesar de tudo que passou e muito corajosa também. Não vou mentir, May, existe uma atração primitiva entre nós, algum chamado ancestral que eu não sei como descrever. Física e psicologicamente, ela seria a companheira perfeita para mim, capaz de gerar filhos de sangue puro, já sentiu na pele o melhor e o pior do que é ser parente dos presas de prata, não tem medo de se arriscar num campo de batalha. Eu consigo imaginar ela me acompanhando pelo mundo com a lealdade que eu esperaria de uma parceira, eu sei que ela seria bem aceita em qualquer casa dos presas de prata, ela é perfeita em muitos sentidos.

- Mas eu lhe juro, Maysa Dibh, pela minha honra, que não aconteceu nada entre eu e ela, nem um único beijo inocente! Por mais tentadora que ela seja, ela não é você! Você é alguém que eu jamais arriscaria num campo de batalha! Você é alguém que eu gostaria de preservar do lado mais sujo e feio das batalhas dos garous! Você é aquela que conquistou meu coração com um simples sorriso, que faz os sinos soarem música a cada palavra que pronuncia, você!

É em você que eu penso com meu coração, é com você que quero me casar, é você que quero encontrar a cada vez que voltar de uma batalha, é a você que quero confiar o nome e o patrimônio da minha família, é de você que sinto ciúmes tão grande que seria capaz de matar um homem por pensar em olhar pra você, é só você que consegue me entender pra fazer exatamente o que eu gosto é o que eu não gosto, é ao seu lado que quero acordar a cada manhã!

- Eu não te prometo uma vida fácil, Maysa Dibh, nem prometo que estarei ao seu lado todos os dias! Não posso prometer que não sairei para lutar por Gaia sem saber se voltarei! Não posso prometer que não cruzarei o caminho de outras mulheres nessas missões! Não posso prometer que os deveres com a minha tribo não me afastarão de você de formas e em tempos inconvenientes!

- O que posso te prometer é que sempre que voltar, voltarei para você! Que todo primeiro pensamento de cada dia é seu, que cada batida do meu coração ecoará o seu riso, que a última palavra que sair da minha boca quando eu finalmente tombar será o seu nome! Isso eu prometo! E sei que é pouco tudo que posso te oferecer, mas é verdadeiro e eu meu máximo presente...

- Mas preciso que você entenda o que eu sou, Maysa, que saiba como eu sou, me aceite pelo que sou, me ame como eu sou! ... Acha que é capaz disso?
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem  Lua em Qui 9 Mar 2017 - 19:25

- Mas preciso que você entenda o que eu sou, Maysa, que saiba como eu sou, me aceite pelo que sou, me ame como eu sou! ... Acha que é capaz disso?


- Não sei…. – respondeu Maysa em um sussurro.

Até então ela ouvira as palavras de Alain pacientemente, em silêncio. Apenas seus olhos tinham se manifestado, cobrindo-se de lágrimas até adquirirem um brilho vidroso que assemelhava-os a dois planetas azuis onde a chuva era eterna.

Maysa secou com um lencinho de papel uma gota que escorria de seu nariz avermelhado pelo choro. Parecia uma criança inocente e ferida, o que suscitava uma miríade de sentimentos em Alain, sendo o mais perturbador deles o de que ela era ainda mais bonita chorando.

- Não sei se posso... – repetiu.

Sempre soube o que esperar da vida de uma esposa de garou, Alain.

Estou preparada para a solidão, o risco de sua fera latente, a eterna ameaça de amar e perder e de ser uma viúva jovem com filhos pequenos. E também para os conflitos com a sociedade humana e a certeza de que, para um garou, Gaia sempre estará acima da família.

Aprendi algo sobre a pureza racial também. Passo oito horas por dia aqui. Mesmo sendo discreta, algumas coisas eu acabo escutando. Já ouvi conversas sobre linhagens e raça pura que pensei serem sobre cavalos até escutar a palavra “casamento” em vez de “cruzamento”. Sei da importância de gerar novos lobisomens. De certa forma, este lugar também  é uma “criação” de garous e eu sei de coisas que ocorreram aqui que chocariam as pessoas comuns. Então faz todo o sentido para mim o que você me conta sobre os presas de prata.

O que eu não sabia é o quão inadequada eu sou para você! E o quanto essa garota que você salvou é perfeita!


Uma lágrima rolou pelo rosto de Maysa.

- São coisas duras de ouvir. O que eu devo fazer depois disso? Acho que seu fosse uma parente generosa ou, talvez, mais digna, saíria de seu caminho deixando o lugar para ela. Mas eu não sou. Não poderia deixá-lo, Alain. Amo-o demais para isso…

Maysa baixou a cabeça por um momento e, então, elevou o olhar.

- Você diz que mesmo assim quer se casar comigo… Então por que levou essa garota para morar com você? Ela está vivendo em sua casa, não é mesmo? Foi o que Nádia disse, que você tinha levado para a casa a parente que salvou… e que eu me cuidasse… porque ela era muito bonita. Nádia faz essas brincadeiras sem pensar…

Maysa moveu a cabeça, como afastando um pensamento.

- Sei que é errado… mas eu procurei escutar as conversas daqui depois disso. Afinal, me diziam respeito. Então ouvi Anton comentar com Felipe que lamentava muito por mim mas que estava feliz por você ter encontrado a parente apropriada. Que não teria que passar pela dor de contar aos filhos que a tribo não os aceitaria com membros, como aconteceu com ele e com Laura.

Doeu muito ouvir isso. Sempre pensei em mim como a esposa que qualquer homem ou garou gostaria de ter. Sei que Anton não falou por mal, mas me senti envergonhada.

Só que não é só uma imposição da tribo, não é mesmo? Você acaba de me dizer que sente atração por essa menina!

Como eu lido com isso, Alain? Você diz que não aconteceu nada entre os dois mas por quanto tempo isso se manterá assim? Qual a razão para levá-la consigo, se não foi por algum sentimento? Ela não é uma criança. E a Rússia não pode ser tão perigosa. Anton e Aleksandr têm famílias lá. Há caerns, não? E se havia tantos presas de prata na batalha, algum não poderia ter assumido a proteção dela? Se é tão bonita…

De verdade, não sei o que você pretende…

Ou não quero ver.

O que você fará com ela se nos casarmos? E ainda tem toda essa história de que você terá que seduzir uma jovem herdeira, que não me promete não cruzar o caminho de outras mulheres em suas missões e que tudo o que tem para oferecer é sempre voltar para mim e etc.

“No fim ele sempre volta para mim”. É isso?


Havia mágoa nos olhos de Maysa.

- Não sei se sou capaz de aceitar esse futuro, Alain.

Movia a cabeça lentamente em negação, enquanto as lágrimas caíam.

- Minha família vem do Oriente Médio mas eu sou brasileira… Não sei se aguentaria… dividir… você.

O telefone tocou, então, interrompendo-os. Maysa enxugou as lágrimas e atendeu a ligação com um profissionalismo invejável, desculpando-se por um suposto resfriado. Falava com desenvoltura, estava claro que ela entendia dos negócios do haras.

Quando acabou a chamada, destacou uma folha de um bloco de papel, escreveu umas linhas e entregou-a para Alain.

- Tenho que trabalhar. Este é meu novo endereço em Pedra Lisa; fica perto do Hotel Montemor. Eu moro sozinha, você pode ir para lá de noite, se quiser…

Olhou nos olhos de Alain e concluiu.

- Não sei que resposta dar-lhe sobre tudo isso, amor. Não sou capaz de um ultimatum do tipo “ou eu ou ela”. Não quero afrontrar sua tribo forçando-o a escolher alguém que vai estragar sua linhagem. Não creio que possa terminar com você. Talvez devesse, mas não creio poder. Por outro lado, não sei se aguentaria saber que você esteve com outras mulheres, mesmo que por dever com Gaia ou com a continuidade de sua tribo. E não sei se suportaria sequer olhar para essa sua “protegida” russa. Tenho que digerir tudo isso ainda.

Mas vá a meu apartamento. Não quero que parta em missão pensando que estamos brigados.

Só deixemos as coisas irem acontecendo, está bem? Acho que é o melhor para os dois.


Off:
Alexyus, eu entendi as palavras do Alain mas tenho interpretar a Maysa, que tem um perfil conciliador e indeciso.
Deixo a seu critério aproveitar o tempo ficcional até a noite para interação com outro npc ou ir direto para a finalização da conversa com a May e seguir de uma vez para a assembléia e a missão.


*Rodrigo*Alexey    *Mitzuki  


ação pensamento fala   /   narração diálogo

Esta é uma obra de ficção. A menos que você seja um lobisomem, qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real terá sido mera coincidência.
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Re: Triunfo de Gaia - Monsieur Laforge

Mensagem  Alexyus em Sab 11 Mar 2017 - 15:06

MAYSA

Alaín observava Maysa, com sentimentos conflitantes, mas seu pensamento ao ver as lágrimas correrem pelo lindo rosto dela era que a muralha de gelo estava finalmente derretendo. Mas o primeiro sussurro dela fez o sangue dele gelar. Ele esperou até que ela falasse tudo que lhe ia no coração.

O que eu não sabia é o quão inadequada eu sou para você! E o quanto essa garota que você salvou é perfeita!

Ele sacudiu a cabeça, percebendo que ela se perdia em pensamentos erráticos. Mas continuou em silêncio para descobrir o que a tinha levado a pensar isso.

- São coisas duras de ouvir. O que eu devo fazer depois disso? Acho que seu fosse uma parente generosa ou, talvez, mais digna, saíria de seu caminho deixando o lugar para ela. Mas eu não sou. Não poderia deixá-lo, Alain. Amo-o demais para isso…

Nesse instante, ele soube que ela jamais o deixaria, e assim tudo ficaria bem. O amor ainda estava lá, dentro dela, e enquanto ele perdurasse, haveria sempre uma saída.

- Você diz que mesmo assim quer se casar comigo… Então por que levou essa garota para morar com você? Ela está vivendo em sua casa, não é mesmo? Foi o que Nádia disse, que você tinha levado para a casa a parente que salvou… e que eu me cuidasse… porque ela era muito bonita. Nádia faz essas brincadeiras sem pensar…

"Nádia! Maldita vira-latas de língua solta! Não devia ficar fofocando por aí! Não aprendeu nada em Vaki???"

- Sei que é errado… mas eu procurei escutar as conversas daqui depois disso. Afinal, me diziam respeito. Então ouvi Anton comentar com Felipe que lamentava muito por mim mas que estava feliz por você ter encontrado a parente apropriada. Que não teria que passar pela dor de contar aos filhos que a tribo não os aceitaria com membros, como aconteceu com ele e com Laura.

Doeu muito ouvir isso. Sempre pensei em mim como a esposa que qualquer homem ou garou gostaria de ter. Sei que Anton não falou por mal, mas me senti envergonhada.

"Eu queria que ela fosse minha espiã, mas infelizmente a única coisa que a fez agir como eu queria foi tentar descobrir as fofocas sobre a minha própria vida longe daqui.  Isso não faz nenhum bem para ela!"

Só que não é só uma imposição da tribo, não é mesmo? Você acaba de me dizer que sente atração por essa menina!

Como eu lido com isso, Alain? Você diz que não aconteceu nada entre os dois mas por quanto tempo isso se manterá assim? Qual a razão para levá-la consigo, se não foi por algum sentimento? Ela não é uma criança. E a Rússia não pode ser tão perigosa. Anton e Aleksandr têm famílias lá. Há caerns, não? E se havia tantos presas de prata na batalha, algum não poderia ter assumido a proteção dela? Se é tão bonita…

De verdade, não sei o que você pretende…

Ou não quero ver.

O que você fará com ela se nos casarmos? E ainda tem toda essa história de que você terá que seduzir uma jovem herdeira, que não me promete não cruzar o caminho de outras mulheres em suas missões e que tudo o que tem para oferecer é sempre voltar para mim e etc.

Foi preciso que ele apertasse os lábios para não externar sua contrariedade.

"Não, você não compreende! A Rússia não é segura, não quando garous lutam contra garous, e minha própria tribo faz movimentos desastrosos que arruínam boas intenções! Não havia ninguém em quem eu pudesse confiar para cuidar de Tatiana, e os únicos dignos como Oleg estão sentados em cima de uma bomba prestes a explodir. Não havia nenhuma escolha boa, eu fiz o que tinha que fazer!"

“No fim ele sempre volta para mim”. É isso?

Havia mágoa nos olhos de Maysa.

No fundo do coração dele, uma serpente orgulhosa ergueu sua cabeça furiosa com aquela pergunta.

"No fim? Ela tem alguma ideia de todas as dificuldades da estrada de volta a ela? Sabe quantas vezes você esteve perto de não voltar? Ela não entende que no verdadeiro fim você não voltará mais?"

Mas o Bourbon D´Órleans sufocou essa voz mesquinha e esforçou-se para enxergar a tristeza e a mágoa que Maysa exprimia.

- Não sei se sou capaz de aceitar esse futuro, Alain.

Movia a cabeça lentamente em negação, enquanto as lágrimas caíam.

- Minha família vem do Oriente Médio mas eu sou brasileira… Não sei se aguentaria… dividir… você.

"É isso então? É isso que ela acha que eu estou pedindo? Que ela me divida com outras mulheres? Maysa não entende o que eu pretendo... mas como poderia, se nem os anciãos conseguem ver todos os desdobramentos de suas intenções? Eu preciso mostrar a ela exatamente o que eu pretendo, só assim conseguirei tê-la ao meu lado para sempre..."

Alaín observou enquanto ela atendia a chamada telefônica, admirando sua eficiência e autocontrole, embora parte dele amaldiçoasse o telefone por tê-los interrompido.

- Não sei que resposta dar-lhe sobre tudo isso, amor. Não sou capaz de um ultimatum do tipo “ou eu ou ela”. Não quero afrontrar sua tribo forçando-o a escolher alguém que vai estragar sua linhagem. Não creio que possa terminar com você. Talvez devesse, mas não creio poder. Por outro lado, não sei se aguentaria saber que você esteve com outras mulheres, mesmo que por dever com Gaia ou com a continuidade de sua tribo. E não sei se suportaria sequer olhar para essa sua “protegida” russa. Tenho que digerir tudo isso ainda.

Mas vá a meu apartamento. Não quero que parta em missão pensando que estamos brigados.

Só deixemos as coisas irem acontecendo, está bem? Acho que é o melhor para os dois.

Alaín levantou-se para obedecer a deixa dela, mas ficou parado de pé na frente dela enquanto estacava com o pensamento conflitante.

Num gesto súbito, ele inclinou-e sobre a mesa, colocando o rosto mais perto do dela do que já tinha feito durante todo o dia. Falou com ênfase, ferocidade, paixão, convicção:

- Se você me pedisse para escolher, eu escolheria você! Em qualquer momento! Se aliviasse a sua dor, eu mataria Nádia, mataria Estevão, mataria qualquer um que ficasse em nosso caminho! Não permita que as mudanças das situações te façam duvidar daquilo que você sabe que eu sinto por você!

Alaín beijou Maysa, sem saber se o sentimento feroz de posse que aquele contato repentino continha a Fúria dele ou a mágoa dela. Foi um longo momento até que ele recobrasse a calma e se endireitasse. Sua voz retomou aos poucos o tom racional habitual, mas ainda não estava calma.

- Eu tenho que falar com Laura ainda hoje, mas irei vê-la essa noite. Há muito que preciso lhe contar, mas não pode ser aqui nem agora. Mas confie em mim e eu lhe direi tudo que pretendo, e talvez você entenda o que estou fazendo...

Alaín pegou o endereço e saiu, consciente da dificuldade de cada passo. Ele abriu gentilmente a porta e saiu, sem olhar para trás. Tinha medo de desistir se olhasse.


LAURA

As palavras de Maysa ainda ecoavam todas na cabeça de Alaín, que recordava cada palavra, mas ele e esforçava para focar no que faria a seguir.

Iria procurar Laura, que deveria estar trsabalhando no laboratório ou descansando em casa. Não pretendia interrompê-la ou atrapalhá-la, então iria aguardar o melhor momento para falar om ela. Mas falaria de qualquer forma, de algum jeito.

- Laura-rhya? É um prazer revê-la! Queria que minha visita fosse social, mas infelizmente venho para pedir sua ajuda! Estive conversando com Antón sobre me mudar definitivamente para o Brasil, quero ficar perto de Maysa e ajudar uma seita que não esteja lutando uma guerra caótica como na Ásia. Vou ter uma bela dor de cabeça com a burocracia de mudar minha base de operações do Canadá para cá, mas ficou claro que preciso provar ao governo brasileiro que tenho meios de subsistir aqui, seja pagando a eles ou investindo em algum negócio local. É nisso que preciso de sua ajuda, pensei em investir no haras. É uma quantia vultosa, sei que você não precisa, e não quero de modo algum ingerir na sua empresa familiar, apenas me tornar um sócio menor. Confio que tudo que fez até agora é resultado de muita experiência que eu não posso nem sonhar em ter agora, então por favor pegue o meu capital e invista como achar melhor.

Alaín não mentia em momento algum, tinha em alta consideração as capacidades da anciã para tentar enganá-la.

- Também queria pedir sua ajuda com Maysa. Assim como eu pretendo fazer, você também casou fora da tribo e teve filhos de sangue mestiço. Maysa está muito preocupada com isso, e eu não sei como tranquilizá-la o suficiente. Também há a questão do Estevão; você, melhor do que ninguém, sabe das minhas diferenças com ele, mas ele parece querer usar Maysa para me atingir. Sei que ela é de uma linhagem dos Andarilhos do asfalto (como se a maioria deles se importasse com linhagem!), e Maysa também tem gnose, o que faria dela uma aprendiz de theurge muito valiosa, mas não a quero junto de Estevão. Não sei se conseguiria tirá-la daqui, mas eu gostaria de aconselhá-la a se aproximar de você para tudo que precisasse com relação aos garous, sei que você cuidaria dela e lhe daria conselhos sábios. Não quero que ela se machuque pelos joguinhos de Estevão e nem que fique com ideias erradas baseada em coisas que entreouve por aí. Posso contar com você para isso, Laura-rhya?

Seria inútil ocultar suas intenções de Laura, e Alaín confiava plenamente na anciã para questões familiares.


MAYSA DE NOVO

Alaín foi ao hotel Montemor e achou uma floricultura. Ele encomendou um bonito buquê de orquídeas azuis e lilases, cercados por delicadas violetas, e enviou junto uma daquelas caixas de bombons em forma de coração. Pediu que tudo fosse entregue no apartamento dela na hora que ela já estivesse em casa.

A seguir, ele pessoalmente foi, de modo disfarçado, checar todos os arredores do novo endereço de Maysa. Talvez estivesse ficando paranóico, mas precisava ter certeza de que ela estava segura de qualquer ameaça sobrenatural ou mesmo mortal. Assim que examinou os arredores com todos os dons que possuía, ele procurou um local discreto e sacou seu novo espelhinho de bolso para percorrer atalhos. Checar a Umbra e os espíritos que pudessem estar ao redor dela era uma tarefa dura e difícil para o phillodox da Casa do Sol, mas ele procurou se certificar de tudo que a cercava e de suas inofensividades.

Espiou através da Película até encontrar Maysa em seu apartamento, onde atravessou novamente a película para encontrá-la.

- Boa noite, senhora do meu coração!

Alaín iria beijá-la, acarinhá-la, mimá-la e confortá-la de todos os jeitos que Maysa permitisse. Não importava quanto tempo levasse, ele daria a ela todo o tempo que fosse preciso.

Mas em algum momento, seria hora de falar de coisas sérias novamente. Ele falaria seriamente com ela, para que ela entendesse a gravidade da situação:

- May, eu preciso que você entenda algumas coisas agora:

- Tatiana Lunisvet é uma responsabilidade minha e da minha tribo. A Rússia não era de modo algum segura para ela, muitos garous e parentes morreram lá, e isso foi culpa de nós mesmos, os garous, inclusive de membros da minha própria tribo. Não havia nenhuma opção segura para ela por lá. Cuidar dos parentes é algo que nenhuma tribo faz melhor que os Presas de Prata, pois nossos parentes são valiosíssimos, raros não apenas pela genética mas também pelo treinamento que recebem. Eu cuidei de Tania como cuidaria de minhas irmãs... como eu cuido de você. Mas quando você diz que eu a trouxe para casa, isso não é verdade. Eu a levei ao Canadá, mas a minha casa é onde você estiver.


Ele abraçaria Maysa forte quando dissesse isso. Mas a seriedade do assunto voltaria logo.

- Mas é verdade que os Parentes também são úteis para mais do que procriar. Nesse momento, Tania é um recurso valioso que eu ainda não decidi como usar. Ela poderia gerar filhos garous para acalmar os presas de prata, mas se isso acontecer será de maneira assexuada, por fertilização in vitro, porque eu não ofenderei suas sucetibilidades, senhorita Dibh. Ms seria uma boa solução para a pressão dos presas de prata, afinal ainda seriam meus filhos, mesmo que não fosse de um casamento convencional. Fora disso, Tania ainda tem barreiras linguísticas para agir onde eu preciso dela, não é capaz de ser uma secretária ou auxiliar, então a utilidade dela é limitada por ora.

- Falando em agir onde eu preciso, May, vamos falar de você! Eu sei que fui eu que pedi que você ficasse em Fonte Fria, queria que você espionasse para mim, e você pareceu até gostar da tarefa. Lembro de você me perguntar se eu não tinha ciúmes de você lá, e eu achei que não teria, mas bem... agora tenho! Tudo que eu te pedi foi que mantivesse distância de Estevão, e você usou justamente ele para tentar me provocar ciúmes. Entenda que eu não me preocupo em ele ser uma ameaça para mim como homem, eu não sou um charach desonrado cuja única utilidade é roubar dinheiro pro caern! Pode soar arrogante, mas me considero muito superior a ele,e sei que você sabe disso. Mas a atitude dele com você me preocupou, May! Ele pode te prejudicar de muitas formas só pra me atingir, e eu o mataria por isso, mas talvez não conseguisse reverter os danos que ele causaria. Talvez você ache que estou exagerando, mas se lidar com garou que respeitam a Litania já é difícil, imagine como é com garous desonrados que desprezam qualquer regra social!


Por mais neutro que Alaín se esforçasse para ser, a preocupação com Maysa sempre o tornava melodramático. Mas os argumentos dele eram bem fundamentados.

- Não vou dizer que não acredito que você realmente queria aprender aquele Dom nem vou proibi-la de agir como bem entender. Eu apenas a aconselharia a confiar em Laura para assuntos garous em vez de em Estevão. Ela é velha, experiente, sincera e confio que não faria nada para te prejudicar ou a mim. Seja cautelosa, May, as coisas estão ficando tensas, talvez até perigosas aqui. Se você ouviu o que eu conversei com Felipe, e você deveria ter ouvido, sabe dos meus planos no Brasil. Eu vou ficar aqui, ficarei com você, ficarei por você, mas o cenário aqui exige ações bem planejadas. Eu pretendo agir de todas as formas que cogitei, investindo tanto quanto possível, e quero que você comande tudo isso. Fonte Fria não é mais um lugar seguro pra você, e eu quero que você saia de lá assim que possível. Não apenas por ciúme, mas também porque eu vou precisar de você comandando as fazendas e o ecoturismo. Não vou te forçar a nada, Maysa, quero que você colabore comigo por sua própria vontade. Se quiser sair do haras imediatamente, saía, mas eu entenderei se quiser esperar que eu retorne para tomar uma ação definitiva. E por falar em ações definitivas....

Nesse ponto, Alaín falaria mais seriamente do que nunca, mas sua voz seria terna e carinhosa:

- Maysa Dibh, eu sei que você tem muito em que pensar, mas quero que saiba de uma coisa. Muito em breve, eu pedirei que se case comigo. Essa sempre foi minha intenção desde que a conheci e isso não vai mudar. Não é porque te conheci num caern da fertilidade, aquele criadouro de garous, eu penso em você onde quer que eu vá, e meu amor é sempre o mesmo. Mas quando me responder, quero que seja uma decisão consciente, que você aceite integralmente ser minha esposa e compartilhar a minha vida, com todas as coisas boas e ruins que ela tem. A maior parte da minha vida é dedicada a Gaia, e é com ela que você vai ter que me dividir. No tempo que sobrar, eu quero estar com você, quero te amar e te fazer feliz, tanto quanto eu for capaz. Mas apenas se isso for bom pra você, se você quiser isso. Então, se você me responder que sim, quero que tenha certeza absoluta de sua decisão, entendeu?


DIA SEGUINTE

Alaín passaria a noite com Maysa.

Se o dia seguinte fosse um dia útil, ele a deixaria trabalhar enquanto ele providenciava os detalhes de sua viagem e comungava com o caern para restabelecer sua união com gaia.

Mas se Maysa estivesse de folga, ele se dedicaria totalmente a mimá-la o dia todo antes de partir para a assembleia e depois para sua missão.
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